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Mikhail Petrovich Kulakov, um dos maiores ativistas pela liberdade religiosa na União Soviética.
Mikhail Petrovich Kulakov foi um importante missionário cristão e ativista pelos direitos de liberdade civil e religiosa dentro da União Soviética. Suas ações contribuíram para uma melhor relação entre as diversas religiões e o poder soviético. Participou de diversos eventos dentro e fora da URSS, contribuindo para diálogos mais pacíficos entre EUA e URSS em questões importantes como o desarmamento e políticas de paz na corrida nuclear. 

Pais e filhos

O pai de Mikhail, pastor adventista, havia sido preso e sentenciado a uma pena de dez anos de trabalhos forçados em um campo na República de Komi, a 950 km da cidade de Ivanovo, onde Mikhail havia se formado em Artes. Mikhail, nascido em 29 de Março de 1927, sua mãe e seus dois irmãos se mudaram para Daugavpils, na Letônia. Ali, Mikhail lecionou Artes para turmas do ensino fundamental e do ensino médio durante alguns meses no ano de 1948. Mas sua liberdade duraria pouco.



Stephen

O irmão mais velho de Mikhail, Stephen, que havia servido em uma unidade de engenharia na linha de frente durante a Segunda Guerra Mundial, também havia sido preso e sentenciado a trabalhos forçados. Entre as diversas justificativas inconsistentes, um dos motivos para a prisão era a possível ação dupla de Stephen durante a guerra. Ele havia sido capturado pelos alemães, mas conseguiu escapar e retornar ao seu regimento. As autoridades soviéticas comumente prendiam soldados que eram capturados e conseguiam fugir, tendo-os como espiões a serviço dos alemães.

Mikhail Kulakov, ainda jovem, na década de 1930.
Passeio de Sedã

Naquele mesmo ano, agentes da KGB prenderam Mikhail na escola onde ele lecionava. Acusado de promover “agitações antissoviéticas”, foi levado a bordo de um Moscvich Sedã por dois agentes da KGB, e ele ficou preso quatro dias na cadeia de Daugavpils. Depois, foi levado para a estação de trem de Rezekne e foi levado para o campo corretivo de Ivanovo. Ele foi condenado a cinco anos de trabalhos forçados.

Prisioneiro

 Mikhail logo caiu na dura realidade de um condenado do regime soviético. Nem todos os prisioneiros eram dissidentes políticos ou religiosos: muitos haviam cometido crimes convencionais como furto, roubo, falsificação ou tráfico, ou crimes mais graves como assassinato e estupro. Mikhail foi colocado com todos estes prisioneiros por um crime “grave” para o Estado soviético: manifestar sua fé publicamente.

Rotina

Mikhail era submetido a uma dura rotina. Primeiro, foi enviado a uma minúscula cela onde permaneceu sozinho. Recebia refeições escarças três vezes ao dia, e não lhe era permitido dormir antes do horário. Durante sua internação, foi submetido a diversas sessões de interrogatório. Apesar de ser comum submeter presos à tortura, Mikhail nunca chegou a ser fisicamente agredido. O ataque era mais psicológico: privado de sono durante muitas horas e com refeições de má qualidade, logo a saúde de Mikhail começou a se deteriorar.

Isolamento

Mikhail não poderia receber visitas de seus familiares ou amigos. Recebia apenas encomendas e cartas de sua mãe (todas submetidas à revista). O mais próximo de uma Bíblia que conseguiu foram algumas páginas soltas do evangelho de João. Certa vez, sua mãe conseguiu enviar a ele uma Bíblia inteira, escondida dentro de um saco de farinha que, por sorte, não foi revistado por completo pelos guardas, que se satisfizeram em acreditar que a farinha era para proteger ovos que estavam colocados em seu interior. Mikhail escondia sua Bíblia em diversos lugares, fazendo um rodízio, colocando-a em um ponto diferente a cada dia.

Arte

O jovem professor de educação artística fazia retratos dos prisioneiros, desenhando-os, e através de um amigo civil da fábrica de tijolos onde os prisioneiros executavam seus trabalhos forçados, enviava clandestinamente estes desenhos aos familiares dos detentos. Como câmeras fotográficas eram proibidas no campo, estes desenhos eram muito úteis para a comunicação entre os detentos e seus parentes, e Mikhail logo ganhou credibilidade dentro do presídio e a amizade de vários detentos.

“Liberdade”

No dia 18 de Março de 1953, treze dias após a morte de Stálin, Mikhail havia recebido sua “liberdade”. Na verdade, após o cumprimento de sua sentença de cinco anos, ele seria retirado do sistema prisional soviético, mas iria direto para um local de “banimento” (grande parte dos ex detentos soviéticos deveria permanecer em um desses locais após o cumprimento de sua sentença): Mirsikul, uma pequena aldeia de pescadores, ao norte do Cazaquistão. Naquela época, para residir em uma cidade dentro de qualquer local da URSS, o cidadão deveria ter a autorização em seu passaporte, com o registro de seu local de domicílio permitido pelas autoridades regionais. Por exemplo, um cidadão não poderia se mudar de Riga para Moscou sem ter as autorizações do governo de Moscou. É como se, para cada cidade que se fosse mudar, fosse necessário obter um passaporte diferente. A “liberdade” de Mikhail foi bem restrita: ele não poderia sair de Mirsikul para nenhuma outra localidade, a não ser com a permissão das autoridades soviéticas.

 Voltando a lecionar

Graças a uma enfermeira que visitava o vilarejo de Mirsikul para verificar a saúde dos banidos, Mikhail conseguiu informações para procurar uma vaga como professor de artes na escola do pequeno vilarejo próximo, chamado de Semiozernoye. Entretanto, para se mudar praquela pequena vila, Mikhail precisava da autorização do chefe de polícia local.

Um quadro

Se já era difícil para um cidadão comum obter licenças para mudar de endereço, imagine o quanto foi difícil para Mikhail, um dissidente político e recém-saído do sistema penal soviético, ainda em banimento. O chefe de polícia local aceitou conceder as permissões para a mudança de Mikhail, em troca de um simples favor: o artista deveria pintar um retrato de Dzerzhinsky, o fundador da KGB, para colocar na parede vazia da delegacia. Para Mikhail, isso não foi nenhum desafio. Ele fez o retrato e obteve suas permissões. Não é irônico que Mikhail obtivesse a chance de voltar a trabalhar e ser mais livre pintando o retrato do fundador do serviço secreto que o havia jogado em uma cadeia por cinco anos?

A esposa

Mikhail logo teve contato com o grupo de adventistas da cidade de Semiozernoye. Uma das mulheres, a senhora Agaphia, reparou nos dons de Mikhail. Ela logo lhe propôs que ele conhecesse sua sobrinha, Anna. Os dois jovens logo se apaixonaram e Mikhail pediu Anna em casamento. No dia 8 de Novembro de 1953, eles celebraram sua união de modo improvisado.

Na riqueza e na pobreza

O jovem casal passou por diversas dificuldades. Mikhail tinha seu trabalho como professor, mas somente isso não era suficiente para sustentar toda a família. Como muitos pastores haviam sido presos, faltavam missionários para realizar visitações e trabalhos evangelísticos. Então, Mikhail começou a viajar por várias partes da URSS, mesmo clandestinamente, para dar assistência aos demais cristãos. Isso dificultou ainda mais o trabalho e os dois chegaram a passar sérias dificuldades materiais. Isso sem contar no risco constante de voltar para a cadeia, já que as atividades religiosas de Mikhail eram tidas como “ofensas ao Estado soviético”. Ele chegou mesmo a ficar quatro dias detido pela KGB durante uma de suas viagens, sem poder dar qualquer notícia à sua esposa, mas voltou são e salvo. Os interrogatórios, perseguições, detenções e revistas seriam constantes na vida de Mikhail, sua esposa e seus filhos, mas ele jamais foi preso novamente. Todas as acusações levantadas contra ele não surtiam efeito.

Mikhail, já idoso, em um dos programas de TV que apresentava.

Filhos
Mikhail e Anna tiveram seis filhos: Evangeline, nascida em 1954; Maria, nascida em 1958; Peter, nascido em 1964; Pavel Mikhailovich Kulakov, em 1955; Michael Mikhailovich Kulakov Jr, nascido em 1959 e Elena Mikhailovna, nascida em 1970. Evangeline tornou-se mestre em Religião pela Universidade de Andrews; Maria é tecnóloga em Farmácia pela Faculdade Técnica Miller-Motte; Peter é mestre em Religião pela Universidade Andrews; Pavel é mestre em Administração pela Universidade Andrews ; Elena é formada em Medicina pela Universidade de Loma Linda e Michael é Ciências Políticas no Columbia Union College.

Abertura política

Durante as décadas de 1970 e 1980, Mikhail desempenhou um papel essencial na reabertura política da URSS. Gradativamente, a liberdade religiosa aumentava dentro da União Soviética, mas a maior parte das atividades ainda era feita de modo clandestino. Ele participou de diversos eventos religiosos dentro e fora da URSS. Em Junho de 1977, participou da Conferência Mundial dos Líderes Religiosos pela Paz Duradoura, Desarmamento e Relações Justas entre as Nações. Em 1982, ele foi convidado para tomar parte na Conferência Mundial dos Trabalhadores Religiosos para tratar de assuntos relativos à paz nuclear, em Moscou. Em 1978, participou de uma reunião de representantes de diversas religiões em Praga, na República Tcheca, pelo Movimento Cristão pela Paz. Em 1983, ele participou desta mesma conferência, em Uppsala, na Suécia. Participou ainda de uma conferência de movimentos religiosos no Japão, ainda na década de 1980.

Mikhail, na época em que atuou como presidente da IASD na Rússia.

Diplomacia

No fim dos anos 1980, as relações amistosas entre URSS e EUA se intensificaram. Mikhail foi convidado para participar como representante religioso da Conferência de relações EUA-União Soviética de Chautauqua, no Estado de Nova York, em Agosto de 1987. Mikhail, mesmo tendo sido vítima da repressão soviética, nunca deixou de amar e colaborar com seu país: em Outubro de 1987 ele participou do Fundo Governamental para as Crianças Soviéticas, e ajudou na arrecadação de recursos para o fundo, juntamente com seu representante, Albert Likhanov.

Ronald Reagan e Gorbachev. A maior aproximação entre as duas potências diminuiu
a tensão de conflitos nucleares.

União religiosa

Em 26 de Setembro de 1990, pouco antes da queda da URSS, Mikhail participou de uma conferência dos diversos grupos religiosos da União Soviética junto ao Soviete Supremo da URSS. Um dos líderes presentes foi o chefe da Igreja Ortodoxa Russa, o então Alexei II. O objetivo do encontro era promover uma nova legislação para os religiosos, permitindo a liberdade de crença e de exercício e manifestação pública da fé. Mikhail encontrou-se pessoalmente com então presidente da URSS, Gorbachev, no Kremlin, e debateu com ele a questão da necessidade de maior liberdade de crença no país. Gorbachev procurava o apoio dos líderes religiosos para seu governo, e diversos pontos requisitados foram atendidos.

Patriarca Alexei II. Mikhail participou com ele de um encontro com o Soviete Supremo em 1990.
A união das diferentes ramificações cristãs foi essencial para a maior liberdade religiosa na URSS.

Liberdade e fé
Mikhail participou ativamente de diversos eventos pela liberdade religiosa não só dentro da União Soviética, mas em todo o mundo. Ele foi o responsável pela criação da filial russa da Associação Internacional para a Liberdade Religiosa. Foi nomeado como Secretário Geral da mesma instituição e Representante da Câmara Pública do Presidente Russo, de 1993 a 1995. Junto com o padre Alexander Borisov, fundou a Sociedade Bíblica Russa.

Kulakov Jr. e as primeiras tiragens do Novo Testamento em Russo moderno.
O filho de Mikhail terminou o trabalho iniciado por seu pai.

Mais triunfos
Em 1922, Mikhail retirou-se do cargo de Líder da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Rússia, e se dedicou à tradução da Bíblia Sagrada para o Russo moderno. Criou o Instituto para a Tradução da Bíblia, cujo objetivo era completar o trabalho de tradução do livro sagrado. Diversos líderes de outros ramos cristãos participaram de seu projeto. Em Abril de 2000, o Novo Testamento havia sido concluído e a primeira edição para o Russo moderno foi publicada. A tiragem de 12.500 cópias foi rapidamente esgotada e outra impressão teve de ser feita. Em Agosto de 2001, ele recebeu um segundo doutorado honorário em Teologia por sua contribuição na tradução da Bíblia.

À esquerda, o filho de Mikhail, Kulakov Jr., e o pastor Dale Galusha, com o Novo Testamento
traduzido para o Russo moderno.
Falecimento
Mikhail viveu os últimos anos de sua vida na Califórnia, nos EUA, mas nunca deixou de visitar a Rússia. Faleceu em 10 de Fevereiro de 2010, em sua casa, em Highland, na Califórnia. No mesmo dia de sua morte, o Pentateuco que havia sido traduzido era impresso e distribuído na Rússia, em Zaoksky. Ele foi enterrado no cemitério de Glenwood, em Washington, DC.

Legado e contribuições

Mikhail sofreu a intensa perseguição antirreligiosa promovida pelos anos mais fortes do regime soviético. Foi um dos vários presos políticos detidos por questões de fé. Passou grande parte de sua juventude detido ou em banimento. Mesmo após sua liberdade, viveu sempre perseguido e diversas vezes submetido a interrogatórios. Mikhail nunca chegou a sofrer violência física, e vários oficiais com os quais teve contato converteram-se ao Cristianismo. Mikhail Kulakov fez parte de uma heroica resistência pacífica contra os abusos do poder soviético. Apesar de ter sido perseguido, nunca procurou agir contra o seu país. Trabalhava em prol de seu povo e procurou a reconciliação com o regime soviético, mostrando que não só os adventistas do sétimo dia, mas todos os cristãos da URSS estavam empenhados em fazer de seu país um lugar melhor. A atual liberdade religiosa na Rússia e em diversas partes do mundo é, em grande parte, herança de homens e mulheres como Kulakov, que devotaram suas vidas por seus ideais e por aquilo que acreditavam. O trabalho de Mikhail não favoreceu apenas a Igreja Adventista do Sétimo Dia, mas todas as denominações cristãs da União Soviética, e até mesmo as outras religiões da Federação. 


O Exército Republicano Irlandês, mais conhecido como IRA (Irish Republican Army), é uma organização paramilitar famosa por seus atentados terroristas. O IRA foi a peça fundamental de combate dos irlandeses por sua independência em relação à Grã-Bretanha, especialmente na Guerra Irlandesa de Independência, de 1919 a 1921. Majoritariamente ligada a atos terroristas e conflitos, a história do IRA envolve-se muito mais com questões políticas e administrativas.

O IRA

Em 27 de Outubro de 1917, uma convenção em Dublin reuniu membros do antigo Voluntários Irlandeses. Organizada pelo partido irlandês Sinn Féin, reuniu aqueles que formariam o IRA. Estimava-se que houvesse entre 162 e 390 grupos de voluntários, subsequentemente mobilizados para o IRA. No dia anterior, Éamon de Valera havia sido eleito presidente do Sinn Féin, que, junto com Cathal Brugha, reorganizaria os voluntários.

Bases de um caminho

O objetivo central do IRA era conduzir a luta armada contra a dominação da Grã-Bretanha e garantir a total emancipação da Irlanda. Em 1918, um governo autônomo foi preparado, tendo como presidente De Valera, seguido por um executivo nacional com membros eleitos.

Compromisso

Os representantes do Sinn Féin eleitos em 1918 se comprometeram a não participar do parlamento em Westminster, submetido à Grã-Bretanha, mas sim em formar uma organização política independente. Essa promessa marcava bem o caráter enérgico de independência irlandesa do movimento. 


Divergência

A organização do IRA manteve-se muito independente do partido Sinn Féin. Os membros do IRA submetiam-se à autoridade interna do grupo, e não ao governo. Vários fatores levaram a essa fragmentação, como diferenças ideológicas, objetivos diferentes para a Irlanda e meios divergentes para alcançar a independência do país. Enquanto o Sinn Féin tomava ações pelas vias políticas, o IRA defendia uma ação mais direta e violenta.
Cartaz de recrutamento do IRA.


Emboscada

No dia 21 de Janeiro de 1919, liderados por Séamus Robinson, Dan Bree, Séan Treacy e Séan Hogan, os membros da 3ª Brigada Tipperary realizaram um atentado que resultou na morte de James McDonnell e Patrick O’Connel, membros do novo governo irregular da Irlanda. O evento ficou conhecido como a “Emboscada Soloheadbeg”.

Reconciliação

Um acordo foi feito entre os representantes do governo irlandês e os líderes do IRA no dia 31 de Janeiro de 1919. Assim, o IRA foi submetido como ferramenta do movimento político Sinn Féin. Brugha propôs que os membros do IRA prestassem juramento ao governo, e em 1920 o juramento foi feito.

Membros do IRA em Belfast.

Primeira fase

Através de guerrilhas, o IRA empreendeu uma série de ataques contra as forças reais britânicas na Irlanda, de 1919 a 1921. Três fases principais dividiram a campanha: a primeira fase, uma reorganização dos voluntários do IRA como um exército de guerrilha (cerca de 100.000 homens, dos quais apenas 15.000 se mobilizaram). Nesta fase, 400 postos militares britânicos foram queimados em Abril de 1920.

Voluntários do IRA que serviram na guerra de independência irlandesa de 1919 a 1921.

Segunda Fase

A segunda fase da Guerra de Independência Irlandesa durou de Janeiro a Julho de 1920. Uma série de ataques a postos policiais tomou conta da Irlanda: 16 foram destruídos e 29 danificados. Os britânicos declararam lei marcial em diversas partes da Irlanda, permitindo a intervenção direta e a execução de membros do IRA sem julgamento prévio. Os britânicos enviaram a tropa BLACK e Tans e a Auxiliary Division para a Irlanda.

Terceira Fase

A terceira e última fase foi de Agosto de 1920 a Julho de 1921. Os membros do IRA enfrentaram forças britânicas ainda mais superiores. Sendo assim, evitaram combates diretos e realizaram emboscadas. O IRA se dividiu em unidades chamadas de “Colunas Voadoras” (Flying Columms) com cerca de 20 membros cada. As principais lutas aconteceram em Dublin e na província de Munster. Os guerrilheiros obtiveram numerosas vitórias sobre os britânicos.

Pressão

A partir de Julho de 1921, as ações do IRA tornaram-se cada vez mais difíceis por dois fatores: falta de armas e munição e o número cada vez maior de tropas britânicas. O grupo dispunha de somente 3000 rifles, a maior parte tomada dos próprios britânicos, mas um número superior de escopetas e pistolas. Algumas metralhadoras Thompson foram traficadas dos EUA, mas a maior parte delas (450) foi interceptada pelas autoridades norte-americanas, e o restante chegou somente depois do fim da guerra.

Perdas
Aproximadamente 5.000 membros do IRA foram presos e 500 foram mortos na Guerra de Independência Irlandesa. De 15.000 homens mobilizados, restaram entre 2000 e 3000. Em 1921, a guerra foi terminada de modo repentino.
Sábado Sangrento

A violência das tropas britânicas foi tão grande que o próprio rei George V disse que odiava a ideia por trás das tropas atuantes na Irlanda. Em Novembro de 1920, em Dublin, a aconteceu o Sábado Sangrento, onde os membros do IRA mataram 40 pessoas, incluindo nove agentes britânicos. Os britânicos abriram fogo contra uma multidão em um estádio de futebol de Croke Park, matando 14 civis. Os membros do IRA destruíram várias propriedades de realistas que cooperavam com os britânicos  

Católicos x Protestantes

Os militantes do IRA mataram cerca de 70 civis protestantes. Grande parte dos protestantes era historicamente leal à Coroa britânica, o que causou a inimizade contra os membros do IRA.

Consequências

Os britânicos, apesar da superioridade militar, encararam custos altíssimos para manter suas campanhas na Irlanda, o que tornou suas ações insustentáveis. A guerra acirrou inimizades históricas e teve como principal reação o caos social e a estratificação da sociedade irlandesa, dividida inclusive por questões religiosas.

Mulheres do IRA revistam um suspeito. Na parede, os dizeres "Fora Britânicos".

Tratado

O primeiro ministro britânico David Lloyd e os representantes irlandeses assinaram um tratado de paz em 11 de Julho de 1921. A maior parte dos líderes do IRA não confiou no tratado e continuou a recrutar e treinar militantes. O tratado exigia o fim da proclamada República Irlandesa e o retorno da dominação britânica. Essa discordância levaria, mais tarde, à guerra civil irlandesa, onde os favoráveis ao tratado lutaram contra os desfavoráveis. O país foi dividido em dois: Irlanda do Norte e Irlanda do Sul. A Irlanda do Norte voltou a fazer parte do Reino Unido.

De Valera opôs-se ao tratado anglo-irlandês.

Guerra Civil Irlandesa

A divergência logo se transformou em uma guerra civil. Os membros do IRA favoráveis ao tratado tornaram-se no Exército Nacional Irlandês (INA – Irish National Army). O conflito terminou em 1923 com a derrota dos contrários ao tratado que deu origem ao Estado Irlandês Livre (um nome que expressa pouca liberdade, já que tal governo era submetido à Grã-Bretanha). Os grupos atuais do IRA ainda ativos dizem-se herdeiros dos antigos opositores daquilo que consideram como um tratado de traição.



Lições

O IRA atuou como um importante grupo de pressão pela independência da Irlanda. Entretanto, a guerra escalou para algo pior do que irlandeses contra britânicos. Divisões no próprio IRA e entre a população irlandesa criaram conflitos internos. O sonho de criar uma República acabou com o tratado que deu lugar a uma divisão na nação e submeteu o governo irlandês à Coroa britânica. Do fim destas guerras até os dias de hoje, o IRA tornou-se uma organização tida como terrorista, tomando ações esporádicas contra os britânicos, totalmente desligado do governo irlandês. Recentemente, ao menos parte principal do grupo declarou um fim das ações hostis, mas a questão irlandesa ainda não foi completamente resolvida. 
Lawrence, em trajes árabes típicos dos beduínos.
Thomas Edward Lawrence, popularmente conhecido como “Lawrence da Arábia”, foi um arqueólogo e agente secreto britânico que desempenhou um papel fundamental nas campanhas do Oriente Médio durante a Segunda Guerra Mundial. Lawrence liderou grupos tribais árabes em uma insurreição contra o Império Turco Otomano.

Lawrence ainda adolescente, sentado à esquerda, junto com seus irmãos.

Tremadog
Nascido em Tremadog, na província de Wales, em 16 de Agosto de 1888, Edward Lawrence demonstrou um gosto por aventuras e História desde muito cedo. Um dos cinco filhos de Thomas Chapman e Sarah Junner, ele estudou em excelentes escolas que lhe deram ainda mais atração pelas artes e pelas ciências, sobretudo em Arqueologia e estudos orientais. Aos 15 anos de idade, Lawrence e seu amigo Cyril Beeson viajaram de bicicleta por Oxfordshire, Berkshire e Buckinghamshire, visitando diversas igrejas, museus, monumentos e antiguidades. Os dois amigos também viajaram de bicicleta para a França, fazendo anotações e observando diversos castelos medievais.    

Lawrence em seu uniforme de oficial do exército britânico.


Hogarth e Woolley
De 1907 a 1910 Lawrence estudou História no Jesus College, em Oxford. Em 1909 ele fez uma caminhada de três meses pela Síria, na época dominada pelo império otomano, percorrendo 1600km a pé. Com o trabalho intitulado The influence of the Crusades on European Military Architecture – to the end of the 12th century (A influência das Cruzadas na Arquitetura Militar Europeia – até o fim do século XII). Junto com D.G. Hogarth e Leonard Woolley, a serviço do Museu Britânico, participou de diversas escavações arqueológicas pelo Oriente Médio. Lawrence publicou diversos trabalhos em Grego antigo, Francês e Árabe.


Agentes secretos
Em 1911, Lawrence viajou para a cidade de Beirute, e de lá foi para Carquêmis, trabalhando com Leonard Woolley em projetos de arqueologia. Junto com Flinders Petrie, trabalhou em missões arqueológicas em Ammar, no Egito. Lawrence e Woolley foram contratados pelo serviço britânico de inteligência para atuarem como agentes secretos em missões de reconhecimento territorial. A intenção do governo britânico era permitir um trabalho de espionagem em território turco camuflado de “pesquisas arqueológicas”.



Nômades revoltosos
Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, os britânicos viram a necessidade vital de organizar missões militares na Arábia contra o Império Turco Otomano, abrindo uma nova frente de batalha. Diversos povos árabes se revoltaram contra o domínio imperial otomano, e Lawrence exerceu um papel decisivo como mediador entre a Grã-Bretanha e estes insurgentes. Junto com os líderes árabes Faisal e Abdullah e suas tropas irregulares, Lawrence orquestrou missões de guerrilha contra tropas otomanas.

Em primeiro plano, o líder árabe Faisal, grande amigo de Lawrence. Lawrence está em segundo plano, e é o segundo da direita para a esquerda.

Tomar Meca, ou não?

O plano original dos líderes árabes consistia em fazer um ataque frontal contra os otomanos na cidade sagrada de Meca. Mas Lawrence, em conjunto com Herbert Garland, convenceu os comandantes árabes a desistir de um choque direto e permitir a entrada das tropas turco-otomanas em seus territórios. Imersos em um deserto e com uma linha demasiadamente prolongada, os inimigos teriam dificuldades em receber suprimentos e manter suas posições, tornando-se presas mais fáceis para ataques de guerrilha. A estratégia foi um sucesso e o movimento insurgente árabe tomou um caráter de guerrilha. Os otomanos foram obrigados a retirar tropas estacionadas na cidade de Meca, e com a estrada de ferro frequentemente atacada, acabavam perdendo tempo cuidando dos danos e tentando resolver outros problemas causados pelos guerrilheiros.

Lawrence em roupas árabes típicas


O porto de Yanbu

Os otomanos movimentaram unidades navais com a ambição de tomar o importante porto de Yanbu, localizado em um ponto estratégico do mar Vermelho, em Dezembro de 1916. Lawrence havia feito uma grande amizade com Faisal, que liderava o Exército Árabe do Norte. Sabendo que seria impossível deter a movimentação naval dos otomanos, Lawrence conseguiu convencer os britânicos a enviar unidades navais para deter os turcos. Com sucesso, os navios turcos foram derrotados e o porto de Yanbu permaneceu intacto.

Aqaba

Lawrence conseguiu organizar diversos grupos insurgentes, como as forças de Auda Abu Tayi (anteriormente empregadas pelos otomanos), e em 1917 coordenou estes grupos para atacar a cidade estratégica de Aqaba. No dia 6 de Julho, após um ataque coordenado por terra, a cidade caiu nas mãos dos insurgentes. Lawrence foi promovido ao posto de major e comandante-em-chefe da Força Expedicionária Egípcia.  O general Sir Edmund Allenby chegou a dizer sobre ele o seguinte: “Eu lhe dei liberdade para agir, e sua cooperação foi marcada pela maior lealdade, e eu nunca tive nada a não ser orgulho de seu trabalho, o qual, de igual modo, foi inestimável. Lawrence é a primavera do movimento árabe e sabe sua linguagem, suas maneiras e sua mentalidade”. Lawrence agora era o principal líder e estrategista do movimento, conselheiro pessoal de Faisal e o agente favorito do general Allenby.

Lawrence e Faisal, um dos mais importantes líderes árabes da revolta contra os otomanos.
À frente, o primeiro ministro britânico, Winston Churchill.
   
Tafileh
No sudoeste do Mar Morto há uma importante região chamada de Tafileh. Nessa localidade aconteceu a mais importante batalha do Oriente Médio durante a Primeira Guerra Mundial. Os turcos tomaram a ofensiva, e a defesa da região coube a Lawrence e Jafar Pasha al-Askari, líder de um exército árabe regular. A batalha não estava favorável para nenhum dos dois lados, e foi especialmente difícil e exigiu muita habilidade por parte dos estrategistas. Os turcos foram vencidos e Tafileh foi mantida sob o controle dos insurgentes. Lawrence recebeu o distintivo de Ordem de Serviço Distinto e foi promovido a tenente coronel.



Reputação e honra
Um caráter é especialmente notado em Lawrence. Diferente da maioria dos agentes ocidentais no oriente, que trabalhavam mais com recompensas financeiras e subornos, sem levar em consideração a cultura, a religião e os costumes dos povos da região, Lawrence imergiu no mundo e na cultura árabe de uma forma profunda. Muitas vezes, usava as roupas características de um chefe árabe. Comia e dormia com eles, muitas vezes em tendas. Os turcos chegaram a fixar uma recompensa de 15 mil libras por sua cabeça, mas nunca precisaram pagar esse valor. Um oficial turco chegou a escrever o seguinte ao seu respeito: “Apesar de colocarmos uma recompensa de 15.000 libras por sua cabeça, nenhum árabe, ainda, sequer tentou traí-lo. o Sharif de Meca, o rei de Hedjaz, deu a ele um status igual ao de seus filhos, e ele é simplesmente como o aço temperado que suporta toda a estrutura de nossas influências na Arábia. Ele é um cavalheiro muito inspirador e aventureiro”. Lawrence foi um dos poucos homens que conquistou o respeito de seus amigos e inimigos.

Damasco
A próxima cidade alvo dos insurgentes foi Damasco. Nas semanas finais da Primeira Guerra, Lawrence deveria capturar a cidade. No dia 1 de Outubro de 1918, a cidade sucumbiu aos atacantes. A vitória não foi recebida por Lawrence, entretanto. Emir Said, governante da cidade, rendeu-se oficialmente ao major Harry Olden, líder da 10ª Brigada Australiana de Cavalaria Leve. Lawrence sabia dos riscos de governos instituídos pelas potências ocidentais naquela região, contrários aos desejos de liberdade daqueles povos. Mas os generais franceses Gouraud e Mariano Goybet colocaram um governante fantoche na região, o que arruinou os desejos de independência árabe que Lawrence tanto ajudou a cultivar.

Lawrence (no carro, de turbante) entrando na cidade de Damasco.

Jogos Políticos

Nos últimos anos da guerra, Lawrence procurou convencer os seus superiores de que garantir a independência das nações árabes era muito interessante para a Grã-Bretanha em termos econômicos e políticos. Mas, apesar das promessas feitas pelas autoridades, um acordo entre França e Bretanha, chamado de Sykes-Picot, instalou governantes fantoches nas regiões “libertadas”. Assim, os árabes que lutaram contra a dominação otomana acabaram caindo nas mãos da exploração imperialista europeia.

No centro, Faisal e Lawrence.

Pós-guerra
Promovido a coronel, Lawrence voltou para a Inglaterra ao fim da guerra. Começou a trabalhar no Escritório Estrangeiro, participando da Conferência de Paz de Paris, como membro da delegação do líder árabe Faisal. Atuou também como conselheiro de Winston Churchill. Lawrence sofreu um acidente de avião em uma viagem ao Egito, que caiu no aeroporto de Roma. O piloto e o copiloto morreram, mas Lawrence sobreviveu, tendo apenas quebrado alguns ossos. Durante sua internação, foi visitado pelo rei Victor Emmanuel III. Em 1919, Lawrence foi fotografado em roupas árabes pelo fotógrafo Thomas, e estas fotos ajudaram a divulgar a imagem pública de Lawrence, que se tornou famoso.

RAF e RTC
Lawrence falsificou documentos e mudou seu nome para John Hume Ross. Tentou ingressar na Royal Air Force (RAF), mas foi impedido por W. E. Johns, que identificou a falsificação dos documentos. Por conta de ordens superiores, Johns foi obrigado a aceitar Lawrence na RAF. Mas em 1923, Lawrence teve de sair novamente da RAF por conta de sua fraude ter sido publicamente exposta. No mesmo ano, ele serviu na Royal Tank Corps (RTC). Em 1925, ele voltou à RAF. De 1926 a 1928, ele serviu em um posto distante na Índia, na época governada pelos britânicos. Ele trabalhou até 1935, terminando sua carreira em Bridlington, na parte Leste de Yorkshire. Lawrence também foi um apaixonado por motociclismo, chegando a adquirir uma clássica Brough Superior SS100, hoje exibida no Museu Nacional de Motos, em Beaulieu, e outra de suas motos está em exposição no Museu Imperial de Guerra em Londres.

Morte
Aos 46 anos, Lawrence morreu em um acidente de moto com sua Brough Superior SS100, em Dorset. Um ponto cego em uma estrada impediu-o de ver dois garotos na pista, e ao desviar deles, Lawrence perdeu o controle da moto, bateu contra as barras de proteção e foi arremessado no ar com o impacto. Faleceu seis dias depois de sua internação, em 19 de Maio de 1935. Um pequeno memorial foi construído no local de seu acidente.
Lawrence em sua moto Brough Superior SS100

Sete Pilares de Sabedoria
Lawrence foi o principal agente ocidental nas ações políticas e militares no Oriente Médio durante a Primeira Guerra Mundial. Ajudou os árabes insurgentes em sua luta contra o Império Otomano. Mas foi além: defendeu a criação de Estados árabes independentes e autônomos. Um dos médicos que o atendeu em seus dias finais, o neurocirurgião Hugh Cairns, realizou uma série de estudos sobre os acidentes de moto fatais e os impactos cranianos como a maior causa de mortes em acidentes desse tipo, o que levou ao uso de capacetes de segurança aprimorados. Lawrence também escreveu muito: centenas de cartas, inúmeros textos e o seu mais famoso livro, Seven Pillars of Wisdom (Sete Pilares da Sabedoria), uma autobiografia onde ele relatou suas ações militares na Arábia. Traduziu A Odisseia, de Homero, para o Inglês, bem como o conto medieval francês chamado The Forest Giant (O Gigante da Floresta). Seu livro e suas traduções lhe renderam um bom dinheiro.

Legado

Lawrence também teve contato e amizade com grandes nomes intelectuais, como Bernard Shaw, Winston Churchill, Noël Coward, Edward Elgar, Robert Graves, Siegfried Sassoon, E. M. Foster, Augustos John, Henry Williamson e John Buchan. Um busto foi erguido em sua homenagem na cripta onde ele está enterrado, na Saint Paul’s Cathedral, em Londres. Lawrence ajudou a formar o espírito necessário para a criação dos modernos Estados árabes, bem como propagou sua cultura em todo o mundo ocidental.  Sua vida virou filme, e Lawrence da Arábia é um dos títulos clássicos mais famosos e assistidos. Sem ele, os eventos no Oriente Médio teriam sido totalmente diferentes. 
John Fitzgerald Kennedy

O 35º presidente dos Estados Unidos da América teve uma passagem rápida pela Casa Branca, com um início promissor e um desfecho tanto trágico quanto misterioso. O assassinato de Kennedy é mais conhecido do que sua vida e seu governo. Entender sua figura histórica é essencial para entender o cenário político norte-americano. Kennedy propôs um acordo para banir testes nucleares, enfrentou a Crise Cubana e questões na Berlim dividida, além de criar a Aliança para o Progresso (Alliance for Progress).

Família e origens
Nascido em 29 de Maio de 1917, no Brookline, no estado de Massachusetts e batizado John Fitzgerald Kennedy, o político mais conhecido como JFK veio de uma família católica de imigrantes irlandeses. O avô de Kennedy, PJ Kennedy, era um rico banqueiro e comerciante de bebidas, e seu avó materno conhecido como "Honey Fitz" era um hábil político congressista e prefeito da cidade de Boston. Kennedy herdou os dotes políticos e empreendedores de seus familiares, ao que parece. Sua mãe, Rose Elizabeth Fitzgerald, era uma socialite de Boston, e seu pai Joseph Kennedy era um importante banqueiro que enriqueceu com o mercado de ações após a 1ª Guerra Mundial. O pai de Kennedy também atuou como secretário de Segurança e foi embaixador dos EUA na Grã-Bretanha.

Juventude
Kennedy veio de uma família privilegiada e envolvida com política. Seus pais se dedicaram mais à carreira do que ao cuidado de Kennedy, que viveu a maior parte de sua infância e juventude com seus avós. Mesmo assim, o pai de Kennedy não foi ausente em sua criação. Toda a criação de Kennedy recebida por seu pai visava sua formação política como herdeiro de uma grande carreira política. Apesar de ter uma família rica, Kennedy estudou em ambientes públicos e teve os problemas comuns a todo o estudante.

Kennedy ainda jovem, em 1942.

Vida escolar
Kennedy estudou no colégio católico Canterbury para meninos, em Connecticut. Kennedy não foi um aluno excepcional. A maioria de suas notas eram baixas, mas ele se saiu bem em História e Inglês. Após seu ensino fundamental, ele foi para o colégio Choate, uma escola de elite preparatória. Mas aí também Kennedy não foi um aluno de destaque: conseguia notas boas quando se aplicava, mas passava a maior parte do tempo com diversões em grupo e festas.Kennedy lia bastante, mas não os livros que seus professores pediam. Sua saúde era muito frágil durante sua juventude, e ele quase chegou a morrer.

Why England Slept
Kennedy passou a se dedicar mais em sua vida acadêmica e profissional. Em 1939, ele visitou a Grã-Bretanha com seu pai, em uma missão diplomática. Ele decidiu escrever um estudo sobre os fatores que deixavam o Reino Unido em desvantagem aos alemães na 2ª GM. Seu texto foi tão bem recebido pelos políticos e analistas que em sua graduação, em 1940, foi publicado como livro, com o título original de Why England Slept (Por quê a Inglaterra Dormiu).  O livro vendeu mais de 80.000 cópias. 

O Náufrago
Após se graduar em Harvard, Kennedy se alistou na Marinha dos EUA, e chegou a comandar um torpedeiro de patrulha no Pacífico Sul. O barco de Kennedy, PT-109, foi atingido por navios japoneses e afundou. Dois marinheiros morreram, mas ele sobreviveu com ferimentos nas costas. Kennedy conseguiu salvar alguns dos sobreviventes e foi para uma ilha, onde foram resgatados seis dias depois. Kennedy recebeu a Navy and Marine Corps Medal for Extremely Heroic Conduct (Medalha da Marinha para Conduta Extremamente Heroica) e uma Purple Heart (Coração Púrpura) por conta de seus ferimentos.

Perda irreparável
O irmão de Kennedy, Joseph K. Jr., morreu em Agosto de 1944 quando seu avião foi explodido em combate. Joseph e John eram irmãos muito próximos, e a perda de Joseph foi irreparável para Kennedy. A morte do irmão alterou o caráter de Kennedy, que tomou os objetivos do irmão falecido para si mesmo e procurou alcançá-los.

Kennedy e seu irmão Joseph.

Início político
Em 1946, Kennedy concorreu ao cargo de representante distrital de Boston na Casa dos Representantes dos EUA, um cargo que havia sido deixado vago pelo democrata Michael Curly. Kennedy, já famoso por seu livro, por sua história de sobrevivência e com o apoio do dinheiro e das conexões de seu pai, ganhou a eleição para o cargo com larga vantagem. Entretanto, Kennedy não conseguiu grande impacto em seu cargo político. A corrupção e a extrema burocracia impediam que ele fizesse qualquer coisa relevante. Kennedy chegou a dizer que ele era "apenas um verme na Casa, ao qual ninguém prestava atenção no cenário nacional".

Congressista e Senador
Kennedy teve mais sucesso participando do Senado e do Congresso dos EUA. Em 1952, graças à influência de sua família e uma boa plataforma política, ele concorreu contra o republicano Henry Cabot Lodge para uma vaga no Senado. Naquele ano, os republicanos haviam conquistado a maioria tanto no Senado quanto no Congresso, e seria pouco provável que Kennedy, um democrata, chegasse a vencer. Mas os financiamentos de seu pai, mais uma vez, foram decisivos para sua eleição. 

Kennedy, sua esposa Jacqueline e sua filha Caroline
Profiles in Courage
Após sua eleição, Kennedy conheceu aquela que viria a ser a sua esposa, Jacqueline Bouvier, em um jantar de gala. Após convidá-la para um encontro, o sentimento cresceu entre ambos e eles se casaram em 12 de Setembro de 1953. Tiveram três filhos: Caroline, John Kennedy Jr. e Patrick Kennedy. Kennedy continuou sofrendo de inúmeros problemas de saúde durante sua atuação como senador. Durante uma de suas internações, ele escreveu outro livro, Profiles in Courage (Perfis em Coragem), descrevendo oito senadores norte-americanos que tomaram medidas corajosas e necessárias para o país, mas que foram vistas com impopularidade. Profiles in Courage recebeu o prêmio Pulitzer de melhor biografia de 1957. Kennedy foi e ainda é o único presidente dos EUA a receber um prêmio Pulitzer.

Kennedy versus Nixon
Kennedy atuou durante 8 anos como senador. Entretanto, Kennedy tornou-se desinteressado pelas questões domésticas de Massachusetts e mais interessado na geopolítica mundial, especialmente em relação à questão soviética. A presidência lhe parecia mais adequada aos seus intentos. A Guerra Fria e a corrida armamentista interessavam a ele, e, diferente da maioria dos presidentes norte-americanos, os países de Terceiro Mundo também lhe chamavam a atenção. Em 1960, no dia 8 de Novembro, Kennedy venceu seu opositor Richard Nixon em uma vitória apertada, mas não insignificante: Nixon era um político muito mais experiente que o jovem Kennedy, mas o político iniciante se saiu melhor na maioria dos debates eleitorais da época. JFK foi eleito, tornando-se o trigésimo quinto presidente dos EUA. Kennedy, com 43 anos, foi o segundo mais jovem presidente dos EUA, atrás apenas de Theodore Roosevelt, que assumiu aos 42 anos. Ele foi o primeiro presidente católico do país majoritariamente protestante e o primeiro nascido no século XX. O lema de seu governo foi a famosa frase: "Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, pergunte o  que você pode fazer por seu país".

JFK in 1961 by KraljAleksandar
Kennedy venceu Nixon e tornou-se o 35º presidente dos EUA.
 
Diplomacia e geopolítica
Kennedy empenhou-se muito em questões internacionais sem abandonar as pautas domésticas. Ele criou o Peace Corps (Corpos de Paz), em 1961, para promover ações e acordos pacíficos entre nações opostas. Mais de 170.000 membros participaram do projeto em cerca de 135 nações. No mesmo ano, ele criou a Alliance for Progress (Aliança para o Progresso) com o objetivo de estreitar as relações econômicas com a América Latina, um território que sempre foi palco de inimizades com os EUA por conta da histórica exploração norte-americana.

Kennedy e sua esposa. Jacqueline
Baía dos Porcos
Kennedy liderou a mal sucedida operação da Baía dos Porcos em 15 de Abril de 1961, com o objetivo de derrubar Fidel Castro. Um grupo de 1500 dissidentes cubanos treinados pela CIA foi enviado à pequena ilha, facilmente derrotado pelas tropas de Fidel. Vários elementos levaram ao fracasso da missão: falhas na comunicação, mal planejamento e principalmente o baixo apoio aéreo norte-americano, sem contar no fato de que Fidel foi extremamente subestimado. O episódio prejudicou a imagem internacional de Kennedy.

O Muro de Berlim
Com o objetivo de diminuir a imigração massiva dos alemães da parte oriental para a parte ocidental, o dirigente soviético Nikita Khrushchev ordenou a construção do odiado Muro de Berlim, um dos maiores símbolos da Guerra Fria.
Kennedy na Casa Branca, foto tirada em 1962

 

A crise dos mísseis
A maior crise internacional não foi o Muro de Berlim, mas sim a Crise dos Mísseis Cubanos. Este foi o incidente mais quente entre EUA e URSS durante toda a Guerra Fria. A União Soviética, aliada e financiadora do regime castrista, instalou uma série de mísseis nucleares balísticos de longo alcance na pequena ilha. Kennedy instalou um embargo à Cuba. Depois de vários dias de tensão diplomática que chegou mesmo a oferecer o risco de uma guerra nuclear, a União Soviética concordou em remover os armamentos nucleares instalados na ilha após o comprometimento da Casa Branca em remover os armamentos instalados na Turquia. Em Junho de 1963, as duas potências negociaram o Tratado Limitado de Banimento dos Testes Nucleares, assinado entre a Grã Bretanha, os EUA e a URSS. Este feito recuperou a imagem de Kennedy prejudicada depois da invasão malsucedida de Cuba.
Kennedy e seu irmão Robert

Segregação Racial
Kennedy enfrentou um período de recessão econômica nos EUA. Adotou medidas como cortes de impostos, diminuição do salário mínimo e a instituição de programas sociais em educação, saúde e transporte público. Dificultado por oponentes republicanos no Congresso, essas medidas não alcançaram o resultado máximo.Os direitos civis foram o maior desafio interno para Kennedy. A Segregação Social entre brancos e negros, um problema histórico nos EUA, não foi totalmente resolvida por ele. Pessoalmente favorável aos direitos civis para negros, Kennedy enfrentou uma oposição republicana exagerada, e foi capaz de apenas instalar medidas mínimas. Apesar disso, Kennedy enviou seu irmão Attorney Robert Kennedy para o estado do Mississippi, onde haviam as ações racistas mais violentas contra os negros, e orientou a Guarda Nacional e os delegados federais para escoltar e defender o ativista James Meredith , o primeiro estudante negro a ingressar na Universidade do Mississippi em 1 de Outubro de 1962. Kennedy decidiu enfrentar mais decisivamente a oposição republicana e sua Carta de Direitos Civis foi enviada e aprovada pelo congresso em 1964.


Assassinato
No dia 21 de Novembro de 1963, Kennedy viajou para Dallas no Texas para um discurso. No dia seguinte, enquanto passava pelas ruas da cidade em um carro presidencial modelo Lincoln com sua esposa e com o governador do Texas, John Connally, quando foi atingido por dois disparos. Kennedy morreu no Hospital Memorial de Parkland aos 46 anos. Oficialmente, o assassino de Kennedy é tido como Lee Harvey Oswald, um fuzileiro de 24 anos com simpatias pró-soviéticas. Mas até hoje a autoria do crime é contestada. A morte de Kennedy foi uma tragédia nacional e um evento internacionalmente sentido. 

Legado
Kennedy tornou-se uma figura controversa: tido por muitos como um herói nacional, um político visionário e um hábil diplomata e negociador; e tido por outros como apenas um oportunista que cresceu em sua carreira por conta do dinheiro de seu pai. É verdade que Kennedy provavelmente não teria chegado onde chegou sem a ajuda de seu pai; mas também é ponto fixo que ele não teria se mantido sem uma habilidade e um esforço pessoais. Kennedy tentou implementar reformas diante de uma política excessivamente rançosa e racista. Os direitos civis aprovados por ele inseriram os negros na vida social norte-americana, e foram o início de uma subida social para uma classe historicamente explorada. Provavelmente, este e outros pontos foram razões muito fortes para seu assassinato, tenha sido este ato cometido por apenas um homem ou motivado por inimigos políticos. A morte de JFK é menos intrigante do que sua própria vida.






Referências:
Biography.com

Imagens:

Kralj Aleksandar

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