• Home
    • Home alternate
    • Blog no sidebar
    • Blog Masonry
    • Pagination
  • About
    • Typography
    • Shortcodes
    • Archives
    • Grid
    • 404
    • Search Results
    • Form Elements
  • Portfolio
    • Portfolio single
  • Gallery
    • Gallery single
  • Contact
Marco Histórico
Seu ponto de encontro com a História Militar
  • HOME
  • SOBRE O BLOGUE
  • SOBRE O AUTOR
  • BIBLIOTECA ONLINE
  • LOJA ONLINE
  • REDES SOCIAIS
  • PARCERIAS
  • FALE CONOSCO

 

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/54/Montgomery_receives_Order_of_Victory_HD-SN-99-02756.JPG
Georgy Zhukov, ao centro (com um terno acinzentado), ao lado de Bernard Montgomery.
A Batalha de Berlim pode ser considerada o ápice da Segunda Guerra Mundial. A união entre os Aliados foi decisiva para a derrota do Eixo. Entretanto, em se tratando da derrota definitiva dos nazistas, podemos creditar especialmente os esforços soviéticos. Foram eles que lutaram essa sangrenta e encarniçada batalha final, e o avanço vermelho foi conduzido especialmente por um homem: Georgy Zhukov. Este general desempenharia, de Moscou a Berlim, um papel essencialmente decisivo, tanto para as primeiras derrotas dos nazistas quanto para as últimas vitórias soviéticas na guerra.

O Senhor de Moscou
http://cdn.theatlantic.com/static/infocus/ww2_20/w04_3d09a420.jpg
Os mesmos soldados que se foram voltariam vitoriosos. Na foto, soldados regressam aos seus lares após a guerra.
Nascido em 1896, Georgy Konstantinovich Zhukov serviu no Exército Imperial Russo durante a Primeira Guerra Mundial. Após a Revolução Bolchevique de 1917, ele passou a integrar o Exército Vermelho, atuando como comandante de cavalaria durante a Guerra Civil Russa contra as tropas estrangeiras e os colaboracionistas reacionários. No breve período de paz, ele estudou o uso de veículos armados em combates, o que depois se mostraria muito útil, especialmente na batalha de tanques de Kursk (a maior  batalha de tanques de guerra da História). Em 1940, ele é apontado para um alto cargo por Stalin. A Operação Barbarossa mostrou a fragilidade do Exército Vermelho: os nazistas invadiram a União Soviética, desmobilizaram rapidamente as tropas de fronteira e destruíram grande parte da aviação vermelha ainda em solo; invadiram Stalingrado, cercaram Leningrado e chegaram até os subúrbios de Moscou. Dessa forma, a primeira grande missão de Zhukov foi proteger a capital da Rússia na grande Batalha de Moscou. Venceu a batalha, assegurou a proteção de Moscou (que não seria mais atacada até o fim da guerra); forçou a rendição do marechal de campo alemão Von Paulus em Stalingrado e, depois, liberou Leningrado. Ganhou também a decisiva Batalha de Kursk, mobilizando um enorme número de tanques T-34 e causando sérias derrotas às forças Panzer alemãs, que não conseguiriam se recuperar.

Sobrevivendo aos Expurgos
http://waralbum.ru/wp-content/uploads/2011/12/Zhukov-3.jpgJoseph Stalin, dirigente supremo da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, era um homem extremamente megalomaníaco, ciumento e possessivo. Para ele, a direção da união de repúblicas significava um prestígio pessoal. Os famosos "Expurgos" de Stalin vitimaram grande parte dos mais hábeis e experientes generais, soldados, dirigentes, cientistas, pensadores e estrategistas da URSS. O Grande Expurgo de Stalin, iniciado em 1933, vitimou 70% dos membros do Comitê Central, isso sem contar a morte em outros escalões do governo, e entre os civis. Essa chacina de grandes comandantes militares experientes prejudicaria enormemente a URSS durante a invasão alemã. Georgy, por sorte ou por graça divina, não é uma destas vítimas: permanece em seu cargo e, a despeito da mania de Stalin eliminar todos aqueles que galgassem maior consideração popular, continuou vivo mesmo durante suas maiores vitórias e conquistas. Provavelmente, sem a execução de tantos militares experientes (grande parte deles com experiência desde o serviço no Exército Imperial), muitos outros brilhantes generais teriam desempenhado operações tão ou mais brilhantes quanto as de Zhukov.



 A Marcha Vermelha
http://albumwar2.com/wp-content/uploads/2013/03/39732.jpg
Soldados russos na Batalha de Kursk, em um tanque T-34.
Zhukov, auxiliando pelo que podemos considerar como o segundo melhor comandante soviético, Ivan Konev, inicia uma longa marcha rumo a Oeste, obstinado em alcançar o  coração do Eixo. No caminho, obtém vitória após vitória, mas nem todas elas muito fáceis: em diversos conflitos, as forças alemãs oferecem uma resistência inexorável. Cidade após cidade, campo após campo, a União Soviética começava, enfim, a se libertar dos invasores. A política de Zhukov dispensava cerimônias e burocracias e prezava por um pragmatismo, uma ação decisiva, rápida e enérgica em campo de batalha. Zukhov conduziu, durante todo o teatro de operações, uma política de apenas avançar, e jamais recuar. Por um lado, tal política custou inúmeras vidas, mas, por outro, empurrou as forças do Eixo cada vez mais para o interior da Europa.

No coração do Eixo
http://www.militaryeducation.org/wp-content/uploads/2011/12/Entry-2.-Battle-of-Berlin.jpg
Soldados russos colocam a bandeira soviética no topo do Reichstag.
O Exército Vermelho logo invade a Alemanha e se posiciona aos arredores de Berlim. Um impasse toma cena: os ocidentais seriam os responsáveis pela invasão de Berlim ou os soviéticos fariam o serviço? Patton, um dos mais geniosos líderes militares dos EUA, defendia veementemente que os ocidentais deveriam fazer o trabalho. Antecipando o futuro, ele já previa que a tomada da capital pelos soviéticos significaria ceder ainda mais território e poder a Stalin e seus desejos megalomaníacos, além de prejudicar as potências ocidentais. Entretanto, a voz de Patton não ecoou, e os ocidentais decidiram que a tarefa de varrer Berlim deveria ser atribuída aos soviéticos. As baixas dos Aliados foram muito fortes, especialmente no teatro de operações da Normandia. Os principais dirigentes ocidentais sabiam que a invasão de Berlim custaria muitas vidas, e, no grosso modo, haviam mais almas soviéticas prontas para morrer do que ocidentais. Os pesados custos humanos e materiais, então, seriam pagos pelos soviéticos. A decisão de não prosseguir rumo a Berlim foi tomada principalmente em bases de uma política de poupar vidas. O Exército Vermelho invade então a capital alemã, e, com pesadas baixas, inúmeras lutas encarniçadas e um avanço que ia de prédio em prédio, de esquina a esquina e de rua a rua, a bandeira socialista tremula no topo do Reichstag, após uma batalha que durou de Abril de 1945 até o início de Maio de 1945. O dia 9 de Maio, dia da vitória contra o Eixo, seria comemorado anualmente na Parada da Vitória, até os dias atuais, em Moscou, em frente ao Kremlin.
http://24.media.tumblr.com/78b1df892aebcaa235477d2414ecd2cc/tumblr_mxoblnQeNJ1spwf52o1_1280.jpg
A Batalha de Berlim foi sangrenta: na foto, soldados soviéticos utilizando artilharia. Os escombros formavam verdadeiras fortalezas para as obstinadas tropas alemãs.
Como resultado da batalha, 458.080 alemães foram mortos ou feridos, 479.298 foram feitos prisioneiros; do lado soviético, 82.000 soldados morreram, 113.000 ficaram feridos ou desaparecidos, além das perdas materiais (1997 veículos, 917 aviões e 2.108 peças de artilharia). O Alto Comando alemão rende-se oficialmente em 8 de Maio de 1945, mas algumas forças alemãs continuam combatendo durante alguns dias após a rendição.

Pós-Guerra
http://www.belarusguide.com/images/people/USSR_1945_Victory_Parad.jpg
Zhukov, montado em seu cavalo, desfila na Parada da Vitória de 1945, em Moscou.

Após a Segunda Guerra, Zhukov torna-se vítima não de um expurgo, mas dos ciúmes de Stalin. O dirigente supremo da União Soviética não poderia tolerar um homem tão brilhante e em rápido crescimento político e profissional. Zhukov recebeu o prestígio merecido por suas ações, e essa foi a causa de sua perseguição. No ano de 1946, Zkukov foi removido de seu cargo e transferido para um posto em uma região longínqua, onde permaneceu estagnado. Em 1953, com a morte de Stalin, Zhukov voltou a receber os méritos merecidos por suas contribuições. Em 1955, ele foi apontado como primeiro deputado do Ministério da Defesa; em 1957, foi promovido ao Comitê Executivo do Partido Comunista. Entretanto, após ser acusado de privilegiar os militares em detrimento do Partido, ele foi demitido de suas duas posições. De 1965 a 1968, ele escreveu artigos para periódicos russos, os quais eram frequentemente censurados pelo governo. O homem que dirigou o exército russo para a vitória levou o resto de seus dias em um tranquilo e voluntário retiro. Aos 78 anos, ele morre no ano de 1974.


http://whitley-history.weebly.com/uploads/4/4/8/3/4483438/6759161.jpg?736
Pilotos de regimento especial aéreo kamikaze. Provavelmente, todos nesta foto morreram sacrificando suas vidas em ataques suicidas.

Quando um ideal é suficientemente forte para que alguém dê sua própria vida, algo místico se envolve naquilo que, aparentemente, nos é simples e até mesmo superficial. Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de aviadores representou o terror dos marinheiros no Pacífico, causando um trauma especialmente no ataque imortalizado de Pearl Harbor. Estes aviadores que sacrificavam a própria vida em nome da vitória final e da guerra total eram os famosos kamikazes.

Herança Samurai
https://c1.staticflickr.com/5/4094/4775388585_a6d8252d64_z.jpg
Soldados japoneses de infantaria. Note as katanas, espadas típicas dos samurais.
A filosofia que permeava o ideário das tropas nipônicas sofreu fortes influências da própria cultura milenar japonesa. O ideal eterno de guerreiro, a perfeição da figura do combatente, residia na imagem dos samurais imortais, tão antigos quanto o próprio Japão. O esforço de guerra e o militarismo imperialista dos japoneses recebeu o nome especial de Banzai, que, em uma tradução mais aproximada para a nossa língua, significa algo como "mil anos!" (uma saudação ao imperador, desejando-lhe longa vida). Todo o treinamento dos soldados japoneses envolvia todo um misticismo milenar e um senso de dever para com a própria história do país e do povo da terra do sol nascente.  A katana, e mesmo as baionetas dispostas nas pontas dos rifles destes bravos guerreiros, muitas vezes desafiava abertamente metralhadoras e fuzis. Dessa forma, a guerra suicida nipônica não foi apenas nos céus: foi também presente em terra.
 O Vento Divino
http://wallpaper.ultradownloads.com.br/275971_Papel-de-Parede-Ataque-em-Pearl-Harbor_1920x1200.jpg Uma fotografia impressionante do ataque à Pearl Harbor, a operação mais mortífera empenhada contra os EUAAté o momento, os EUA não haviam se envolvido diretamente na guerra. A frota norte-americana no Pacífico era considerável, incluindo uma força de aviação para se levar à sério. Motivados pelo apoio norte-americano ao embargo de petróleo ao seu país, os japoneses realizaram uma ousada, inesperada e aterrorizante operação que marcaria, para sempre, a memória das forças americanas. A operação aeronaval, conduzida por Chuichi Nagumo e já ambicionada por Osami Nagamo, chefe de Estado Maior da Marinha Imperial Japonesa, foi levada à cabo por Isoroku Yamamoto, que, inicialmente, desejava a via pacífica e diplomática para a não agressão entre Japão e EUA. Entretanto, Isoroku compreendeu que a ala militarista, desejosa de iniciar um confronto com os americanos, venceria fatalmente. Então, para evitar uma guerra prolongada (onde os EUA se beneficiariam de sua indústria expandida), Isoroku planejou um ataque decisivo e único contra o poderio marítimo norte-americano na região, que, segundo seus planos, obrigaria uma rendição rápida dos inimigos. O ataque a Pearl Harbor acontece, então, no dia 7 de Dezembro de 1941. 21 navios norte americanos foram avariados ou destruídos, 347 aviões foram destroçados (a maioria deles, ainda no chão), 2.403 soldados norte-americanos foram mortos e 1178 foram feridos. As perdas japonesas foram muito menores: 55 pilotos mortos (grande parte deles em colisões propositais contra os navios inimigos), 5 mini submarinos inutilizados, 29 aviões abatidos, 1 marinheiro capturado e 9 mortos. A operação foi um sucesso em sua execução, mas um fracasso em seu propósito: os EUA se lançam diretamente na guerra e os combates do Pacífico seriam os mais encarniçados e violentos e uma das mais prolongadas séries de conflitos, culminando com o lançamento da primeira bomba atômica nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, que levaria o Japão a assinar uma rendição humilhante.Os novos samurais Os pilotos kamikazes representaram a devoção e o fanatismo de um povo reunido em torno de um objetivo em comum. Contrariando o pensamento convencional, os ataques suicidas não eram uma prática convencional da aviação japonesa, mas sim, um recurso de execução emergencial. Para o ataque a Pearl Harbor ser bem sucedido, os alvos deveriam ser atingidos com a máxima precisão e rapidez. A maioria dos caças eram bombardeiros equipados com torpedos ar-água, de grande poder de dano contra embarcações. Entretanto, era necessária uma aproximação perigosa com os alvos antes de lançar acertadamente tais torpedos, o que tornava os aviões mais vulneráveis à artilharia antiaérea. Os ataques suicidas, com o impacto do avião contra os alvos, representavam um modo mais eficaz e assegurado de danificar os objetivos. Voando rasteiro e realizando manobras evasivas, os pilotos se tornavam alvos mais difíceis de serem derrubados. Os ataques suicidas se intensificaram durante os atos finais da guerra no Pacífico, também com práticas de infantaria, onde a rendição jamais era uma opção: grupos de soldados corriam de peito aberto contra a artilharia inimiga, apenas com suas baionetas quando a munição acabava; outros soldados detonavam granadas ao serem capturados. Essas medidas fizeram com que os soldados norte-americanos intensificassem sua agressividade contra os japoneses, preferencialmente matando mesmo aqueles que se rendiam. Inspirados pelas ondas que destruíram os navios mongóis que tentaram invadir o Japão, os guerreiros suicidas, chamados de kamikazes ("vento divino", em uma tradução mais aproximada) representaram a coragem, o ardor, o fanatismo e o desespero da máquina de guerra japonesa que, confiante de sua vitória, decidiu lutar até a morte contra um inimigo gigantesco adormecido, desperto pela fúria que se bateu contra as praias havaianas de Pearl Harbor. A nós, ocidentais, o esforço suicida japonês representa um mero fanatismo, uma atitude exagerada de sacrificar a própria vida em nome de uma "batalha perdida". Mas devemos nos lembrar do ritual que os próprios samurais realizavam diante de uma derrota iminente ou um erro cometido, o seppuku, um ritual de suicídio que simbolizava um gesto de honra. Os kamikazes deram uma roupagem nova ao seppuku, onde, em nome da dignidade, era preferível perder a própria vida do que sofrer a humilhação de uma derrota. A rendição forçada do Japão não apaga, entretanto, os inúmeros avanços e conquistas deste país asiático que mostrou uma oposição forte às "invencíveis" potências ocidentais.
Schwerer Gustav


Os nazistas não tinham apenas uniformes legais. Eles também construíam máquinas incríveis. Alguns projetos eram tão extravagantes que não chegaram a tomar forma real, ficando apenas no imaginário megalomaníaco de Adolf Hitler. Uma das armas mais impressionantes e um dos símbolos mais notórios típicos da mania de grandeza dos membros do Reich foi o canhão de alta propulsão Schwerer Gustav, apelidado carinhosamente de Dora. Deslocado através de ferrovias, era utilizado contra alvos e áreas específicas graças ao seu alto poder de precisão e impacto.

Castigo sobre trilhos
http://miko.org/~uraki/kuon/furu/explain/meisi/occult/dies_irae/glossary/ldo/dora01.jpg
Hitler, em primeiro plano, em visita acompanhado de seu alto comando, nos primeiros testes com a arma.
http://37.media.tumblr.com/eac34d0c5845a664863c01718a8a4bf4/tumblr_mnipw2i3PM1reh0fqo1_500.jpg
Schwerer disparando.
Fabricado pela empresa Krupp e posto em serviço entre 1941 e 1945, o canhão retroativo Schwerer Gustav foi o resultado de um trabalho iniciado em 1934 por ordens do Oberkommando Der Wermach (Alto Comando Alemão), que desejava a criação de uma arma de artilharia capaz de danificar as fortificações francesas da Linha Maginot, e, dessa forma, facilitar a invasão da França. O projeto inicial foi chefiado por Erich Müller, mas, entretanto, foi descontinuado até o ano de 1936, devido à natureza gigantesca da arma, que, na época, não poderia demandar muita atenção do Alto Comando Alemão. Além disso, a operação de invasão da França foi bem sucedida sem a necessidade de tal peça de artilharia, graças ao avanço pelas Ardenas e a volta dada na Linha Maginot. No ano de 1937 Hitler decide retomar os projetos, e no verão do mesmo ano a primeira arma começa a ser construída. O prazo de término foi definido para a primavera de 1940, mas somente no ano seguinte o instrumento foi concluído. Alfred Krupp realizou testes de campo para Hitler e Speer, e, devido ao sucesso dos mesmos, duas armas foram encomendadas.


Gigante de Aço
 

http://i.bigpara.com/i/55big/Schwerer-Gustav-and-Dora.jpg
Soldados aliados em destroços de um Schwerer.
O armamento possuía dimensões apocalípticas: de altura, quase 12 metros, e de comprimento, 47.3 metros. Pesava 1350 toneladas. Possuía um alcance total de 47km, que variava dependendo do tipo de munição utilizada. Para munição penetrante, o alcance era de um raio de 38km; para munição detonante, 47km. O armamento exigia ainda uma mobilização gigantesca e uma logística excepcional: para a construção das ferrovias, cerca de 2.500 operários; para a defesa em torno do perímetro da artilharia, 2 batalhões de defesa antiaérea; e, somente para a montagem, 250 homens, em um trabalho que levava em média 54 horas para ser concluído. O canhão foi utilizado pela primeira vez no cerco da cidade de Sebastopol, na União Soviética. Em 1942, os primeiros ataques com o canhão foram realizados: contra o Forte Stalin, o Forte Molotov, um depósito de munição em Severnaya, Forte Sibéria e o Forte Gorki. O canhão utilizado no cerco de Sebastopol foi batizado de Gustav. Somente ele disparou 30.000 toneladas de explosivos, apenas contando com Sebastopol que, após o ataque, estava em ruínas; disparou mais de 250 vezes durante o conflito. Um outro plano foi realizado para utilizar Gustav no cerco de Leningrado, mas o ataque foi cancelado. O armamento foi conduzido novamente à Alemanha, para receber reparos. Em 1945, com as constantes derrotas alemãs, os canhões desse modelo foram destruídos para evitar que fossem utilizados ou reconstruídos pelos adversários. Destroços foram encontrados próximo à cidade de Auerbach. Os projéteis alto explosivos pesavam 4.8 toneladas; e os projéteis anti concreto (granadas), 7.1 toneladas. Os altos custos tanto em materiais quanto em mão de obra inviabilizaram a produção em larga escala do armamento. A dificuldade de mobilidade limitou a utilização destes canhões. Entretanto, seu poder de fogo era inigualável em poder de propulsão e detonação dos projéteis, e certamente esta arma representa muito da incrível engenharia de guerra alemã.



Órgão de Stalin
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQQhFICm3SWKhALVWD4KDm65F4St5CluORQLLtUGz-i8lZShS5hhI_gMZqL4O45sNkM1mIOLi3Ugjet5g8MAy955f0r6bgDc1ipu-da8yBO5z292FkVdhtQiU8s_9mqk28B23DNYD2Cfg/s1600/BM+31-12.jpg
Órgãos de Stalin em desfile da Parada da Vitória, em Moscou, 24 de Junho de 1945.

Uma fantástica arma de artilharia com um imenso potencial de dano de área nasce das forjas da União Soviética. Em seu glorioso nascimento, recebe o nome batismal de seu "pai": fica notoriamente conhecida como "Órgão de Stálin" (Stalinorgel). Aquilo que se tornaria o terror dos alemães, conseguindo combater de igual para igual os mortíferos equipamentos de artilharia germânicos Nebelwerfer. Resultado do programa de reorientação industrial para o extremo leste soviético, nos montes Urais, o Órgão de Stálin varreria os campos na marcha Vermelha até Berlim.

 Música para os ouvidos


Langemak georgy.jpgBatizado oficialmente de Katyuscha (uma referência à cultura russa, em uma canção de mesmo nome popularmente conhecida, que contava a história de uma mulher chamada Katyuscha, lamentando a ausência de seu amado, que partiu para o serviço militar), os Stalinorgel (chamados assim pelos alemães, devido à semelhança entre os tubos de lançamento e o instrumento musical, e uma clara referência a Stalin)  foram criados em 1939, em um esforço conjunto entre Georgy Langemak (na foto ao lado) e Kostikov. O armamento consistia em acoplar uma série de tubos de lançamento de foguetes a um veículo (geralmente caminhões Studebaker) terrestre.  Posteriormente, estes tubos foram instalados também em navios e veículos blindados. Os projéteis utilizados eram mísseis M-13 com sistema de operação BM-13, com 1,80m de comprimento, 13,2cm de diâmetro e um peso de 42kg. Cada um dos caminhões possuía uma série de tubos alinhados, em um número que variava de 14 até 48 tubos. Completamente carregada, essa arma tornava-se letal e era capaz de atingir uma extensão considerável, mostrando-se eficiente contra veículos e, sobretudo, contra infantaria. Os órgãos de Stalin eram usados mesmo como uma espécie de "contra artilharia", graças ao seu considerável alcance, evitando o bombardeamento de posições soviéticas. Os Órgãos de Stalin foram usados não somente durante o segundo conflito mundial, mas também em guerras como a da Coreia, do Vietnã, a guerra entre Irã e Iraque, o combate do Yom Kippur, a guerra do Líbano e a guerra civil na Líbia, em 2011.


Sinfonia da Destruição
No vídeo, imagens de disparos realizados por Órgãos de Stalin.
 
http://www.wio.ru/galgrnd/rocket/katusha.jpg
Soldados soviéticos recarregando Órgãos de Stalin.
 Os órgãos de Stalin tinham um ponto fraco: não eram exatamente a peça de artilharia mais precisa. Os mísseis M-13 não tinham grande foco e precisão. Entretanto, um conjunto de caminhões equipados com diversos tubos era capaz de, em pouco tempo, atingir uma imensa área e com uma expressiva quantidade de explosões. Assim, seu principal uso e efeito era o bombardeio por saturação. Quatro baterias eram capazes de lançar, de 7 a 10 segundos, 4.35 toneladas de explosivos em um alcance de aproximadamente 400km. A rápida mobilidade dos veículos permitia que as baterias fossem levadas para outro lugar, diminuindo consideravelmente as chances de os inimigos as detectarem e operar um contra-ataque eficiente. Um outro ponto negativo merece ser citado, entretanto: a recarga das baterias era extremamente lenta, tanto pelo peso dos projéteis, quanto pelo sistema de recarga. Sendo assim, o equipamento não poderia operar com uma taxa contínua de disparos, apenas uma sessão massiva de lançamentos até a próxima e demorada recarga. Durante a série de lançamentos, um barulho extremamente alto e ensurdecedor podia ser ouvido até mesmo pelas tropas atingidas, que, pelo nítido barulho, conseguiam distinguir o armamento. Os Órgãos de Stalin tornaram-se, então, o pesadelo dos alemães. Durante a batalha de Berlim, o responsável pela operação, Georgy Zhukov, realizou uma série de bombardeios prévios na cidade e nas áreas periféricas para enfraquecer consideravelmente as forças alemãs. Entretanto, junto com a destruição, inúmeros escombros e "bunkers" se formavam, o que tornou a batalha de Berlim em uma das mais sangrentas lutas da Segunda Guerra Mundial, graças à resistência obstinada dos alemães.

Orquestra Soviética

Órgãos de Stalin realizando disparos.
Durante toda a Segunda Guerra Mundial, estes equipamentos sofreram alterações e aprimoramentos. Quando a Alemanha invadiu a URSS, apenas pouco mais de 40 destes equipamentos estavam em operação. Entretanto, até o final do conflito em 1945, cerca de 10.000 Órgãos de Stalin foram produzidos. Com o constante fornecimento de veículos pelos Aliados, os soviéticos realizaram uma série de instalações em diferentes veículos, inclusive mais rápidos, o que tornou a artilharia cada vez mais rápida, flexível e maleável. Mesmo após o conflito, o armamento continuou sendo utilizado e aprimorado, marcando presença em diversos conflitos e sendo exportado para diversos países.

 
  • Older posts →
  • ← Newer Posts

TEXTOS

  • ▼  2015 (31)
    • ▼  abril (2)
      • Os desastres estratégicos de Churchill
      • Pancho Villa
    • ►  março (10)
    • ►  fevereiro (8)
    • ►  janeiro (11)
  • ►  2014 (61)
    • ►  dezembro (9)
    • ►  novembro (6)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (11)
    • ►  agosto (13)
    • ►  julho (15)
Powered By Blogger

REDES SOCIAIS

Siga o Marco Histórico nas redes sociais

VISITAS

MAIS LIDOS

  • Apaches
    Índios apache da tribo Chiricahua Quem nunca ouviu falar sobre os índios apache? Quem não se lembra dos antigos filmes de Velho Oeste...
  • O povo Maori
    Homem e mulher maoris vestidos com os trajes tradicionais de seu povo. Maori é uma palavra que, além de representar um povo, refere-...
  • Série Gangsters #4: Máfia russa
    Membros de uma gangue russa, junto com seu Pakhan. O quarto texto da série sobre gangsterismo nos leva até a longínqua e imensa Rúss...
  • Kaiser Guilherme II: o último imperador
    Guilherme II e membros da Marinha Imperial. Uma das figuras mais importantes da História alemã, o Kaiser Wilhelm II (Guilherme II) foi ...
  • Negros na Guerra Civil
    Soldados negros alistados no Exército da União. A Guerra Civil dos Estados Unidos da América dividiu o país em dois lados rivais: o Nor...
  • Franz Hasel
    Você consegue imaginar um homem sobreviver à mais sangrenta guerra da História humana apenas com uma "arma" de madeira? Conse...
  • Os desastres estratégicos de Churchill
    Churchill: herói e gênio militar, ou arrogante e incompetente? Winston Churchill é visto como um grande ícone militar britânico e o ma...
  • Tropas coloniais francesas
    Soldados negros que lutaram ao lado dos americanos na Primeira Guerra, que posteriormente receberam condecorações do governo francês A...
  • As armas de Samuel Colt
    Colt: Um nome, uma marca Samuel Colt, o revolucionário das armas de fogo. Imagine a vida no Velho Oeste durante o período de expansão...
  • Heinrich Himmler e as Waffen-SS
    Heinrich Himmler e Adolf Hitler. Himmler tornou-se o braço direito e o suporte militar do Partido Nazista. Um nome é extremamente impor...
Todos os direitos autorais reservados - 2014-2015 - Marco Histórico - Editor e escritor: Prof. Jean Augusto Carvalho

Marco Histórico

Your favorite military magazine - Su publicación militar favorita - Sua revista militar favorita

  • Início
Distributed By My Blogger Themes | Created By ThemeXpose