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Marco Histórico
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http://images.flatworldknowledge.com/trowbridge2_1.0/trowbridge2_1.0-fig05_015.jpg
Soldados negros que lutaram ao lado dos americanos na Primeira Guerra, que posteriormente receberam
condecorações do governo francês

A primeira postagem da série sobre a questão racial na Segunda Guerra Mundial trata dos franceses e sua política imperial de colonização, e o modo como lidavam com as tropas coloniais. Quando o assunto é o racialismo da Segunda Grande Guerra, nos lembramos apenas dos alemães e sua ideologia de superioridade racial. Entretanto, a questão da raça está presente em todas as potências mundiais, alterando apenas a forma como se manifesta. A política muda de Estado para Estado, mas a base é essencialmente a mesma: povos superiores com a missão de se sobressair sobre as demais "raças" ou "povos".

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Soldados coloniais franceses capturados pelos alemães na Segunda Guerra

Tirailleurs Senegales
 O uso de tropas coloniais por parte da França remonta ao ano de 1857, com registros mais oficiais, mas o uso de milícias locais à serviço da Coroa Francesa é bem anterior a essa data. Louis Faidherbe, nesse mesmo ano, criou os regimentos conhecidos como Tirailleurs Senegales, compostos de escravos comprados pelo governo francês e colocados à disposição do Exército. Estes soldados provinham das camadas sociais mais baixas e muitas vezes não recebiam o próprio pagamento. Faidherbe desejava, com essas tropas, obter desempenhos melhores do que as tropas francesas oriundas da Metrópole, pois os europeus não estavam adaptados ao tipo de clima e às doenças africanas. 

Tirailleurs à serviço da França, combatendo na Argélia
 
O Rachat
Os franceses inicialmente aliciavam suas tropas coloniais comprando escravos e treinando-os como soldados. Em 1882, este sistema de trocas, conhecido como rachat, foi modificado e a entrada de prisioneiros de guerra e outros membros marginalizados foi ampliada. Mercenários também prestavam seus serviços aos franceses. Muitas vezes, essa situação era obrigatória, e a brutalidade dos oficiais franceses era notória.

http://www.beuvin.org/rene/photos/sn1916.jpg
Soldado africano em uma foto, com uma criança provavelmente francesa
 
Os africanos na Primeira Guerra
Estima-se que, somente entre 1914 e 1918, mais de 220.000 soldados africanos serviram à França nos teatros operacionais da África e da Europa. Participaram de batalhas importantes no teatro europeu, como a do rio Yser e a batalha do Somme. Dezessete batalhões de tirailleurs foram criados nesta época. Na batalha do rio Yser, estima-se que de cada quatro soldados africanos, três foram abatidos.

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Cartaz alemão da Primeira Guerra, colocando a caricatura satírica de um general francês,
dos soldados coloniais negros e de um judeu.










O abatedouro
Dos cerca de 220.000 soldados africanos recrutados apenas durante a Primeira Guerra, 163.000 participaram do teatro de operações na Europa. Cerca de 30.000 deles perderam suas vidas. A proporção era de praticamente 185 soldados mortos dentre cada mil, uma taxa um pouco inferior à dos franceses das metrópoles (200 mortos para cada mil, em média). Entretanto, proporcionalmente, os africanos sofriam mais baixas do que os franceses. 

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Free_French_Foreign_legion_OWI_photo.jpg
Soldados coloniais franceses da Primeira Guerra

Viva a França!
Estima-se que cerca de metade dos efetivos franceses na Segunda Guerra eram compostos de soldados aliciados das colônias, sobretudo os países africanos de Marrocos, Argélia e Senegal. Muitos dos regimentos oriundos da Primeira Guerra ofereceram soldados à França. A maior parte destes efetivos, entretanto, foi desmobilizada ainda no início da Segunda Guerra pelas tropas do Eixo.

Liberdade, Igualdade e Fraude
Os soldados das colônias francesas recebiam tratamento completamente diferenciado. Os salários eram essencialmente mais baixos do que aqueles pagos aos soldados nativos da França. Castigos severos não eram incomuns. A própria origem de escravidão destas tropas e o modelo senhorial desenvolvido pelos oficiais franceses expunha a situação indigna à qual os negros das tropas francesas eram expostos. Sobretudo, eles eram enviados para morrer no lugar dos franceses. Diversas missões insustentáveis foram levadas à cabo pelos soldados africanos que morriam aos milhares. Muitos deles rendiam-se voluntariamente aos alemães.

http://realhistoryww.com/world_history/ancient/Misc/Old_Exotic_Pictures/Algeria_Black_WWII_Soldiers.jpg
Tropas coloniais francesas da Nigéria, capturadas pelos alemães em Junho de 1940.
Superioridade
Os franceses não desenvolveram a questão puramente racial como os alemães o fizeram. Seu racismo, entretanto, foi mascarado sob ideologias iluministas e progressistas. A França era considerada "superior" pelo pensamento chauvinista e provinciano de seus intelectuais e dos membros de seu governo, que a consideravam como o melhor centro da cultura, das ciências e do conhecimento na época, chegando a desdenhar dos demais países europeus, inclusive. Para o francês desta mentalidade, o alemão era um bárbaro a ser destruído e as tropas negras eram apenas a munição para esse fim. A questão da cultura, das belas artes e do "avanço civilizacional" mascaravam os ideais de supremacia racial dos franceses.

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Soldados alemães confraternizam com um soldado africano das tropas francesas.

Contra-propaganda
Durante as duas grandes guerras, os alemães exploraram o uso de tropas coloniais para satirizar seus inimigos franceses. Debochavam dos "defensores da civilização" que em suas fileiras aceitavam escravos e negros que nada tinham a ver com toda aquela "bela cultura". Sátiras foram produzidas e distribuídas para criar a imagem do soldado colonial negro como inferior em combate. Esta propaganda de ridicularização racial foi largamente empregada por todas as potências europeias nas duas grandes guerras e nos combates coloniais, com o objetivo de inferiorizar os inimigos. Entretanto, os negros se mostraram combatentes ferozes e destemidos e seu papel foi essencial para as nações da Europa.

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Soldado senegalês das tropas coloniais francesas

Dinheiro e política
O recrutamento de soldados africanos foi, durante muitas décadas, um negócio lucrativo para os franceses. As tropas compostas por escravos e ex-escravos saíam muito mais baratas do que as tropas convencionais. Além disso, o uso massivo de tropas coloniais tinha uma finalidade também política e de dominação: enquanto estivessem ocupados com as guerras da França, os negros não teriam tempo nem condições de lutar por suas próprias demandas, por suas próprias bandeiras e isso acabava sufocando as possibilidades de uma revolta nas colônias. Apesar dos péssimos tratamentos, eram raros os  casos de motins entre os soldados africanos (ou eram menos frequentes) e não raramente eles eram usados para suprir os soldados franceses.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/88/Chadian_soldier_of_WWII.jpg
Soldado do Chade, à serviço da França

O bom selvagem
O racismo francês, chauvinista e econômico, é mais bem disfarçado do que o racialismo alemão mais direto, objetivo e transparente. A França legitimou suas políticas racialistas por ser ela a "protetora da alta cultura" com a missão de levar o progresso aos povos mais atrasados. Entretanto, esta "bondade" francesa não surtiu efeitos positivos para os povos negros. As colônias francesas mergulharam na rebelião, na catástrofe social e na situação deplorável de abandono e miséria. Os soldados negros sempre foram tratados de forma inferior, como segunda classe, dentro das fileiras da França. A dominação econômica foi a maior ferramenta para este racismo velado que é pouco comentado mesmo entre os maiores círculos de estudiosos.

http://www.ww2incolor.com/d/622602-2/colfren
Soldados coloniais franceses capturados pelos alemães, na Segunda Guerra


Sangue oculto
A França utilizava as tropas coloniais para compensar suas debilidades militares internas. As tropas massivas de negros das colônias serviam como munição contra os adversários em situações extremas. Muitas vezes, estes soldados não recebiam preparação e suprimentos adequados, sendo entregues à morte. As milhares de vidas ceifadas dos soldados das colônias demonstram que o caráter francês nas duas grandes guerras era o de utilizar seres considerados culturalmente inferiores para a defesa da grande "pátria cultural". O soldado negro era, assim, a massa usada como escudo e a situação insustentável foi motivo de revoltas que puseram a colonização francesa em xeque, como a argelina.





http://www.cult-turist.ru/img/img_ecbdf0.jpg
Soldado das tropas coloniais com suas condecorações. Alguns deles alcançaram certo prestígio
dentro do Exército francês, apesar do tratamento inferior que recebiam



Grandes heróis 
Os soldados africanos das tropas coloniais mostraram grande bravura. Foram essenciais para várias das vitórias da França. Infelizmente, o reconhecimento dado a eles foi pouco. Os grandes contingentes não foram aproveitados como poderiam, e a vantagem numérica e colonial da França serviu pouco diante do despreparo técnico e militar dos comandantes franceses perante os alemães. Vários soldados das colônias foram condecorados e diversos oficiais franceses dispensaram um tratamento mais humano e digno aos seus subordinados das colônias. Com a derrota na Segunda Guerra, entretanto, a França enxerga um lento mas contínuo declínio em sua dominação na África.

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"Eu gostaria de ter inventado um cortador de gramas": célebre frase do inventor do rifle mais famoso do mundo.

Provavelmente, nenhum rifle é mais famoso do que o AK-47. Arma de origem soviética, é símbolo de praticamente todos os grupos paramilitares, insurgentes, rebeldes e dissidentes de todo o mundo, além de seu emprego em várias Forças Armadas regulares mundo afora, principalmente no continente asiático, no Oriente Médio e nos países africanos. Criado em pleno vigor da Segund Guerra Mundial, esta arma continua com um potente poder de fogo e é o símbolo de uma era.

A pequena Kurya
Mikhail Timofeevich Kalashnikov nasceu no dia 10 de Novembro de 1919 numa pequena cidade chamada Kurya (atualmente conhecida como Altai Krai), no então Império Russo. Sua mãe, Aleksandra Kalashnikova, e seu pai Timofey Aleksandrovich Kalashnikov, logo cedo dedicaram o filho nos estudos. Kalashnikov desenvolveu uma capacidade de auto didatismo essencial para sua formação como projetista de armamentos. 

Juventude
Em 1930, a União Soviética tomou a pequena propriedade rural de seu pai e Mikhail, junto com sua família, foi deportado para o pequeno vilarejo de Nizhnyaya Mokhovaya. A doença fez parte da vida de Mikhail, e ele chegou a quase falecer ainda aos seis anos. Muito cedo, ele já se tinha atraído por projetos, desenho e mecânica, mas também gostava muito de poesia. Ele aprimorou muito sua capacidade de tiro caçando com seu pai. 

Tratores
Depois do ensino básico, Mikhail retornou para sua cidade natal e começou a trabalhar como mecânico de tratores. Em 1938, ele se alistou no Exército Vermelho, e por conta de sua baixa estatura (e também por suas habilidades com engenharia), foi colocado para servir como mecânico de tanques. Posteriormente, tornou-se comandante de uma divisão blindada. Já nesta época Mikhail concretizou alguns inventos seus, desde aprimoramentos para veículos até algumas armas de fogo. Serviu no 24º Regimento de Tanques T-34, da 108ª Divisão de Tanques, participando da batalha de Brody em 1941. No mesmo ano, foi ferido na Batalha de Bryansk, no mês de Outubro, e permaneceu hospitalizado até Abril de 1942.

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"Para que um soldado ame sua arma, ele deve compreendê-la e saber que ela não
o trairá"

"Estes rifles são uma porcaria!"
Enquanto esteve internado, Mikhail verificou que grande parte dos feridos no hospital reclamava das condições ruins do armamento soviético, que não permitia um combate de igual para igual com os nazistas. Defeitos de travamento, más condições de manutenção e a dificuldade de respostas rápidas em combate eram os principais problemas. Mikhail logo percebeu a necessidade de criar um armamento com disparo rápido e facilidade de manutenção, e que fosse o mais confiável possível. Então, ele começou a projetar um rifle de assalto, e em 1942 Mikhail foi incorporado ao Centro Científico de Desenvolvimento de Armamentos do Exército Vermelho. Em 1944, ele criou um sistema de recarga a gás para cartuchos calibre 7.62x39mm, o que diminuiu os travamentos nas armas que usavam esse tipo de munição.

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Em primeiro plano, Mikhail, acompanhado do famoso designer de armas, Nikolaj Fedorovich Makarov, ao seu lado.

Nasce a AK-47
Depois de implementar alguns projetos e melhorias para os armamentos já existentes, o que poupou muitas vidas soviéticas, Mikhail começou a trabalhar realmente no projeto da AK-47, já em 1947, depois da guerra. Em 1949, já finalizada e fabricada em larga escala, a AK-47 foi oficialmente alocada como o rifle de assalto padrão para o Exército Soviético e consagrou o nome de Mikhail como provavelmente o maior inventor e projetista militar de armas de fogo da URSS.

Duelo de titãs
O projeto da AK-47 foi tão bem sucedido que até mesmo os dois mais renomados projetistas militares soviéticos, Georgy Shpagin e Vasily Degtyaryov admitiram a superioridade do armamento criado por Mikhail. A AK-47 tinha tudo o que os armamentos soviéticos contemporâneos não tinham: facilidade de montagem e desmontagem, praticidade para a manutenção, um sistema confiável de disparos e recarga e uma boa cadência de tiro, aliada a um ótimo alcance e poder de impacto dos projéteis. Durante muito tempo, competiu de igual para igual (e até superou) muitos dos armamentos norte-americanos.
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Mikhail durante um evento em sua homenagem.

Nada se faz sozinho
Mikhail nunca tomou os louros da glória inteiramente para si. Para o sucesso de seu projeto, dois nomes foram essenciais: Vladimir Deikin e Alexandr Zaitsev, que o próprio Mikhail declarou como seus maiores colaboradores e responsáveis pelo sucesso do armamento.

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Mikhail com uma foto sua, durante sua juventude, quando ele começou a fazer projetos de armas para a
União Soviética.

Izhvesk
De 1949 em diante, Mikhail trabalhou e viveu na pequena cidade de Izhvesk. Em 1971 ele conquistou o grau de Doutor em Ciências Técnicas e participou de 16 academias como membro. Aprimorou sua arma, criando a versão AKM, o rifle AK-47 aprimorado. Nessa época, também desenvolveu a metralhadora PK, que usava cartuchos de calibre mais pesado, o 7.62x54R. O design das armas de Mikhail era simples e eficiente: com menos, suas armas eram capazes de fazer mais, e os soldados conseguiam extrair mais proveito de seu potencial. 

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Mikhail com a versão aprimorada da AK-47.

100.000.000
Até 2009, mais de 100 milhões de rifles foram produzidos e comercializados. A empresa Izhmash era responsável pela fabricação do rifle na Rússia, mas nenhuma patente foi criada para o armamento até 1997. Em 2006, a empresa produzia apenas 10% dos rifles AK-47. Essa ausência de patentes permitiu que vários outros fabricantes reproduzissem o armamento e facilitou a circulação no mercado negro, e é impossível calcular um número exato destes rifles, tanto em sua produção quanto em seu comércio.

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Mikhail com a vodka que tem o mesmo nome de sua invenção: "Kalashnikov". Tiro e queda na abstinência.

O senhor das armas
Mikhail não chegou a lucrar diretamente com as vendas de seu rifle. Entretanto, ele ficou longe de viver uma vida modesta. Ele foi um dos acionistas mais importantes da Marken Marketing International, uma companhia de armamentos alemã. Seu neto Igor era o acionista majoritário da empresa. A MMI produz, atualmente, inúmeros itens relacionados com o armamento, desde canivetes até uma marca própria de vodka. Chegou a ser reconhecido até mesmo pelos opositores: foi convidado a ir aos EUA em  2000, no estado da Virgínia, em visita ao American Wartime Museum.
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À direita, Mikhail, já bem velho, durante uma Parada da Vitória em Moscou, na Praça Vermelha.

"Minha dor é espiritual"
O velho Mikhail foi hospitalizado em 17 de Novembro de 2013, na central médica da província de Udmurtian, no hospital localizado em Izhevsk, capital. Morreu de hemorragia gástrica no dia 23 de Dezembro do mesmo ano. Em Janeiro de 2014, uma carta de autoria sua foi entregue ao chefe da Igreja Ortodoxa Russa, o Patriarca Kirill, onde ele dizia que sua maior dor não era física, mas sim, espiritual. Ao que consta na carta, Mikhail se arrependeu amargamente de suas invenções e das vidas que foram tiradas através delas. O patriarca Kirill, na época, respondeu a ele chamando-o de "grande patriota, um homem que tomou uma atitude necessária e correta em época de guerra" e, adicionando, disse que "criar armas para a defesa do próprio povo também é um modo de salvar vidas". O rifle AK-47 é um dos maiores símbolos bélicos do povo russo. É usado em todos os continentes do mundo, principalmente por grupos rebeldes, criminosos e insurgentes. Mas também é usado por forças armadas convencionais, principalmente nos países árabes. As armas certamente tiram vidas, mas, nas mãos certas, podem poupar muitos inocentes e servir para sua defesa.


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Funeral com honras de Estado, em memória de Mikhail.


 
Guerreiros samurais veteranos, em foto do século XIX. Durante muitos séculos, os samurais foram a classe
dominante do Japão.
Os orientais são os senhores absolutos das artes com espadas. Os samurais (em ideogramas japoneses, representados pelo símbolo 侍), uma classe de elite da sociedade nipônica medieval, conservaram uma arte milenar de fabricação de suas armas e de seus equipamentos de proteção. A pé ou à cavalo, estes guerreiros conseguiram conservar o seu país, durante muito tempo, da dominação política e econômica dos ocidentais. Após a modernização das Forças Armadas do Japão, na Era das Luzes perpetrada por Meiji, a classe dos samurais praticamente entrou em desuso, mas sua engenharia militar ainda nos surpreende.

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A Katana
A mais famosa das armas samurais, a Katana (em ideogramas, 刀) é uma espada extremamente afiada, geralmente curva, e especialmente leve e fácil de manusear. É empunhada com as duas mãos e seus golpes são especialmente perigosos para os membros vitais do corpo. Diferente das espadas da Europa, a Katana possui apenas um dos lados mais afiado, e geralmente é de um comprimento menor, que é de 73 centímetros em geral. Esta é a principal arma de um samurai, e a materialização do seu código de honra: era usada tanto para matar os inimigos quanto para cometer o suicídio de "honra" (o ritual do Seppuku) caso falhasse com o seu dever pessoal. Outras espadas e armas cortantes menores tiveram grande importância para os combates samurais, como o Tachi (太刀), uma espada menor e anterior à katana; o Chokuto (直刀), clássica do século X d.C.; a Tsurugi (剣), uma espada comprida de duplo corte; e a Uchigatana (打刀), uma versão aprimorada da espada Tachi.

Guerreiro samurai com suas katanas e sua armadura tradicional


Tanko e Keiko
Existem duas armaduras principais na cultura samurai: a Tanko, usada pelos soldados de infantaria; e a Keiko, usada pelos samurais montados em seus cavalos. Dentro dessas variações, existem vários modelos específicos de armadura samurai: a Dou, uma couraça feita de ferro e couro; a Kusazuri, feita de placas de ferro e/ou couro colocada em cima da Dou, para proteger a parte inferior do tórax e a parte superior das pernas; o Kabuto, um elmo feito de 3 a 100 placas de ferro ou couro; o Haidate, que são proteções para as coxas; o Mengu, uma armadura para a cabeça que oferece melhor encaixe para o elmo Kabuto; o Kote, que são luvas de couro; e a Sode, que são caneleiras de couro ou de ferro. Além destes itens principais, várias armaduras secundárias e outros itens eram usados para a proteção dos guerreiros.

Samurai usando a armadura típica da infantaria, a Tanko, e sua couraça Dou.

O Cavalo
Depois de sua katana, o cavalo era a melhor arma de um samurai. Unidos, como uma só criatura, eram capazes de causar pânico nos adversários. De cima dos cavalos, os samurais atacavam com seu arco (chamados de Yumi, 弓) e suas flechas, desferindo golpes mortais nos adversários, à uma distância segura e em movimento. Atacavam também com lanças e com as próprias katanas, ou simplesmente atropelavam seus inimigos em campo aberto. 

O cavalo, depois da katana, era o melhor amigo de um samurai.
Yumi
Os samurais também eram mestres em armas de projéteis, e não apenas em espadas. A Yumi era um arco longo, feito especialmente para flechas bem projetadas. Era dividida em dois tipos principais: a Daikyu (大弓), mais comprida; e a Hankyu (半弓), mais curta. Sua corda, retesada, tinha um poder de propulsão muito considerável, e seu design era especial para atirar montado à cavalo. 

O arco Yumi era uma das armas essenciais para um samurai. Aqui, a versão mais longa,/
chamada de Daikyu.


Artes da Guerra
A metalurgia japonesa é o retrato da cultura nipônica. As armas dos samurais, seu estilo e seus traços são únicos em todo o mundo e, como todos os outros povos da Terra, são também uma forma de expressão cultural e artística. Ainda hoje existem ferreiros especializados em produzir estes tesouros, e pessoas que praticam artes marciais com estas armas.

Arco Yumi e flechas.




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