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Marco Histórico
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Homem e mulher maoris vestidos com os trajes tradicionais de seu povo.

Maori é uma palavra que, além de representar um povo, refere-se a toda uma cultura. Os maori são um povo da região Polinésia, representados em diversas narrativas, contos e ficções do período das Grandes Navegações, e o seu encontro com o homem europeu sempre foi marcado por elementos de desconfiança, brutalidade e, em raras ocasiões, por amizade (diversos indígenas serviram às forças britânicas na Segunda Guerra Mundial, contra o avanço nipônico).

Maori: almas mortais
Os nativos polinésios sentem a necessidade de separar o mundo material do mundo espiritual, e para isso mesmo criaram o termo maori, que representa a divisão entre os seres mortais e as divindades e os espíritos imortais. É um termo não só utilizado pelos próprios maori, mas também por diversos outros povos, como pelos havaianos, que usam o termo maoli, ou os taitianos, que usam a palavra maohi. Os maori vivem onde hoje encontramos o atual território da Nova Zelândia.

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Guerreiro maori contemporâneo vestido com os trajes tradicionais dos Maori.

A última Fronteira
A região onde os maoris vivem foi a última a ser descoberta, explorada e colonizada pelos europeus. Região de inúmeras pequenas ilhas, a Polinésia forneceu abrigo seguro e distante para estes povos durante milênios. Estes locais de difícil acesso e pouco território disponível não despertaram, de início, a atração dos navegantes, mas seu acesso entre a importante colônia Australiana e a Ásia lhes oferecia a oportunidade de fixar pontos de apoio para suas expedições.

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Os rituais de guerra maori ocupam lugar de destaque na cultura das tribos polinésias.

Batata doce e porcos
Os maoris eram confinados a pequenas faixas de terra. A agricultura era extremamente limitada, e o principal produto de cultivo era a batata doce, extremamente nutritiva. A caça e a pesca constituíam a principal fonte de alimentação, e os indígenas criavam alguns animais domésticos, como porcos, que eram transportados para outras ilhas quando os maoris eventualmente procuravam lugares para se expandir.

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Os trajes maori podem variar de tribo para tribo.

Tatuagens e guerra
A guerra é um elemento importante para a cultura maori. Este povo sempre esteve em conflito com as outras tribos próximas, principalmente para garantir o acesso à pouca terra disponível e também para assegurar a sobrevivência contra os agressores externos. Indícios arqueológicos demonstram grande capacidade de estratégia e organização militar, como fortificações, trincheiras e pequenas e primitivas fortalezas em locais altos, bem como táticas de guerrilha e ataque surpresa. Os maori fazem diversas tatuagens no corpo, e esses símbolos podem significar várias coisas, como a comunicação com os antepassados mortos, maior força e vigor para a batalha e proteção espiritual contra doenças e ferimentos. A tatuagem é a marca de uma tribo e do povo no qual um maori cresce. Uma prática comum na guerra era a de decepar a cabeça dos inimigos, e muitas vezes praticar a redução dos crânios, as famosas "cabeças encolhidas". Muitos navegantes europeus compravam estas cabeças como objetos de relíquia, e os maoris começaram a vender estas cabeças em troca de armas de fogo.

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Guerreiro maori com os trajes e armas típicos. Os maori adquiriram armas de fogo
após o contato com os europeus.

O contato com os europeus
Abel Tasman, que entrou em contato com os maori em 1642, e James Cook, o famoso capitão, que chegou à região em 1769, foram os primeiros navegantes a estabelecer contato com estes povos. Os relatos destes capitães descrevem guerreiros muito orgulhosos e violentos, e alguns documentos mostram que quando uma tribo vencia seus adversários, não raramente os devorava. Assim, é muito provável que os maori praticassem a antropofagia (ato de devorar carne humana, o canibalismo). Baleeiros e criminosos fugitivos entravam em contato com os maori e exerciam influência aos nativos.

Europeus e Maoris
A relação entre os europeus e os maori nem sempre era de dominação ou de guerra. Muitos europeus acabavam até mesmo abandonando sua civilização para adotar o estilo de vida maori. Cerca de mais de 2000 europeus já viviam entre os Maori entre os séculos XVIII e XIX. O colono Frederick Maning escreveu dois livros que são verdadeiros registros históricos sobre a História neozelandesa: History of the War in the North of New Zealand against the Chief Heke (História da Guerra no Norte da Nova Zelândia contra o Chefe Heke) e Old New Zealand (Velha Nova Zelândia).

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As tatuagens são elementos marcantes da cultura Maori.

Maoris contra Maoris
O povo maori é dividido em diversas tribos e clãs, e estas tribos lutaram consigo durante muito tempo. Ou seja, não havia uma cultura pacifista entre o próprio povo maori. Mas o contato com os europeus fez com que algumas dessas tribos adquirissem muitas armas de fogo, o que criou um desequilíbrio entre estas tribos. Muitas delas foram quase exterminadas por outras tribos dominantes, e, assim, pode-se considerar que os próprios maori foram responsáveis, ao menos em parte, por um acentuado declínio populacional. A partir de 1830, intensas atividades missionárias cristãs e a intervenção do Império Britânico acabaram por reduzir o massacre maori, mas a cultura nativa foi extremamente influenciada por estes elementos estrangeiros. Gradativamente, a religião maori foi substituída pelo Cristianismo, e a região dos maori passou a ser um protetorado britânico.

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Guerreiro maori com armas Taiaha.
Tradições e memória de um povo
Entender os maori significa entender muito da nossa própria História. Testes de DNA confirmam que indígenas brasileiros residentes no estado de Minas Gerais possuem grande semelhança com a estrutura genética dos maori. Isso pode ser mais uma das provas que, em oposição à teoria da travessia do Estreito de Bering, comprova a teoria da travessia pelas ilhas do Pacífico. É provável que nossos indígenas sejam descendentes destes povos, e muitos elementos de suas culturas são extremamente parecidos.




As telas do cinema apresentam homens com poderes sobre-humanos, força extrema, visão de raio-X, poder para voar e atravessar paredes. Entretanto, podemos contar inúmeras personalidades que podem ser consideradas como heróis e heroínas da vida real. Dentre estes, Stanislav Petrov certamente é um dos mais importantes. Este militar soviético é responsável por nada mais nada menos do que ter evitado uma possível Terceira Guerra Mundial, e, pior, uma guerra nuclear.

O Herói
Stanislav Petrov, nascido em 1939, foi o homem que, no dia 26 de Setembro de 1983, evitou aquilo que poderia ser considerado como a "última guerra da humanidade", um incidente nuclear entre as duas potências mundiais, os EUA e a URSS. De origem simples, o senhor idoso que agora é um coronel reformado do Exército Vermelho teve perspicácia para evitar um confronto de dimensões catastróficas que poderia ter aniquilado a vida na Terra. 

Serpukhov-15
Stanislav era, então, tente-coronel e comandava a fortificação russa de nome Serpukhov-15, próxima à cidade de Moscou. A instalação de Serpukhov-15 tinha como função principal dar alerta quando mísseis balísticos fossem lançados contra o território soviético, especialmente vindos do território norte-americano. Também funcionava como um centro de controle para os satélites russos de Oko. A instalação fazia parte do Centro Soviético Principal para Alertas de Ataques de Mísseis, e suas informações eram processadas pelas Forças de Defesa Aeroespaciais, centralizadas em Solnechnogorsk. A instalação também contava com armas como o míssil anti-balístico A-135, um recurso de defesa em caso de ataques. 

Alertas
Naquele dia, após a meia noite, os sistemas da instalação militar alertaram para um míssil norte-americano que estava em curso contra o território soviético. Nesse caso, as diretrizes eram claras: os mísseis anti-balísticos deveriam ser lançados, e um ataque nuclear massivo deveria ser feito contra os EUA. Entretanto, Petrov supôs que o alerta tratava-se de um erro do sistema, pois o aviso indicava apenas um projétil vindo dos Estados Unidos. Ele concluiu que, em caso de um ataque verdadeiro, os norte-americanos teriam lançado uma quantidade maior de projéteis. Falhas anteriores do sistema reforçaram a decisão de Petrov em não conduzir as diretrizes convencionais.

Stanislav em entrevista ao canal russo RT

Quatro e Cinco
O sistema indicou, então, cinco projéteis no visor, lançados dos EUA em direção à URSS. Mesmo assim, Petrov corajosamente manteve sua decisão em não lançar uma resposta nuclear. Entretanto, como o tenente-coronel não tinha meios mais satisfatórios para certificar-se disso, decidiu confiar inteiramente em seus instintos. 

Contra o Protocolo
Petrov tomou uma decisão de sério risco e estava ciente disso. Por milagre, ele estava presente naquela madrugada, pois não estava escalado para trabalhar aquele dia, e se outro responsável estivesse no comando naquele momento de tensão, as reações poderiam ser extremamente diferentes. Como ele desobedeceu os protocolos militares, passou por vários interrogatórios e seus superiores questionaram violentamente sua atitude. Petrov foi considerado, então, como um "oficial não confiável para a União Soviética".

Herói esquecido
Apesar de não ter sido punido pelos superiores, Petrov não recebeu nenhum reconhecimento nem ganhou honraria alguma por conta de sua atitude. Como seu trabalho revelou que o sistema soviético possuía várias falhas, seus superiores entenderam isso como uma "desnecessária demonstração de fraquezas ao inimigo". Petrov foi enviado para uma função inferior e, depois, foi retirado do serviço da ativa militar. 
Petrov certamente é um dos maiores heróis mundiais.
Vivendo em Fryazino
Petrov passou a viver de sua pensão recebida pela aposentadoria das Forças Armadas soviéticas, o que não era muito. Em uma vida simples e pobre, ele vive atualmente na cidade de Fryazino, na Rússia. Em 21 de Maio de 2004, a organização norte-americana chamada Association of World Citizens concedeu ao Coronel Petrov o prêmio World Citizen Award (Prêmio de Cidadão do Mundo). Ele também recebeu, na mesma cerimônia, um cheque simbólico no valor de U$1.000,00 dólares e um troféu. Menos do que seu feito merecia, mas algo superior ao que seu próprio governo lhe havia negado. A rede americana ABC, dois meses depois do ato de Petrov, ainda em 1983, exibiu o drama ficcional 'The Day After" (O dia Após), onde uma guerra nuclear entre EUA e URSS toma lugar e o foco é colocado nos efeitos de uma possível guerra mundial de dimensões inimagináveis. 

Reviver a História
A maioria do público geral desconhece a história de Petrov e o quão importante foi a sua atitude. O público norte-americano, em especial, quase que completamente desconhece esse herói soviético que lhes poupou a vida. O episódio da Crise dos Mísseis de Cuba é erroneamente tido como o evento mais próximo de uma guerra nuclear, sendo que aquilo que Petrov viveu foi muito mais intenso e arriscado. 
Stanislav Petrov recebeu o reconhecimento de "World Citizen Award" (Prêmio de Cidadão do Mundo).

Jamais devemos esquecer
Stanislav Petrov não é apenas um herói soviético, é um herói mundial. Sua percepção, seu julgamento sadio e sua capacidade de interpretar os sinais, aliado ao seu "instinto", fazem desse ato um evento miraculoso. É praticamente impossível prever com exatidão as consequências de uma guerra nuclear em escala global, mas certamente estamos vivos aqui e agora e devemos isso em grande parte a este homem que, agora, vive em uma pequena cidade russa e certamente mereceria um monumento em cada nação do mundo. Vasili Alexandrovich Arkhipov é um outro herói soviético que também evitou um conflito nuclear na Crise dos Mísseis de Cuba, e estes dois nomes merecem citação eterna.


Heinrich Himmler e Adolf Hitler. Himmler tornou-se o braço direito e o suporte militar do Partido Nazista.
Um nome é extremamente importante para entender o militarismo alemão da Segunda Guerra: Heinrich Himmler. Trata-se do famoso orquestrador das forças Schutzstaffel ("Forças de Proteção", em uma tradução mais próxima), popularmente conhecidas pela abreviação SS. Inicialmente, as SS eram um grupo de organizações paramilitares muito pequenos, mas gradativamente substituíram as SA. Himmler é uma das figuras mais condenadas por atrocidades cometidas na Segunda Guerra e exerceu uma relação de poder extremamente próxima à pessoa de Hitler. 

A orquestra de Himmler
Himmler e Werner Grothmann
Tão enigmática quanto a pessoa do próprio Hitler, a figura de Himmler praticamente surge para reestruturar radicalmente as forças militares alemãs. Nascido em 7 de Outubro de 1900 na cidade de Munique, e batizado como Heinrich Luitpold Himmler, tornou-se um dos mais notáveis líderes do NSDAP, o Partido Nazista. Veio de um berço de classe média, e serviu em um batalhão de reserva durante a Primeira Guerra, o que limitou sua experiência no conflito. 

Freikorps
A derrota da Alemanha na Primeira Guerra e o humilhante Tratado de Versalhes impuseram aos germânicos a desmobilização de suas Forças Armadas, bem como instituiu uma série de limitações para o exército alemão. Entretanto, estas medidas tiveram pouco efeito prático. Desmobilizados da guerra, mas não do seu ofício, inúmeros contingentes militares continuaram ativos no interior do país. Estas tropas de Direita nacionalista chamaram-se Freikorps, às quais Himmler se uniu. As Freikorps foram essenciais para o combate ao movimento comunista crescente na Alemanha.

Reichsfürer-SS
Em 1923, Himmler, assim como muitos membros das Freikorps, entrou para o Partido Nazista e se filiou à Reichsführer-SS. Aquele era o início de sua carreira no nazismo. De simples membro, Himmler tornaria-se a principal figura das SS e as transformaria nas tropas regulares e nas principais unidades armadas do novo exército alemão que estava sendo reconstruído para a vingança contra Versalhes. 

Hitler e Himmler inspecionam tropas da Waffen-SS

O Putsch da cervejaria
Em 8 de Novembro de 1923, Himmler participou do fracassado golpe contra o estado da Baviera, conhecido como "Putsch da Cervejaria". A tentativa mal-sucedida dos nazistas tomarem o poder acabou mergulhando o partido nazi em um período de estagnação. De 1923 até 1925, Himmler se dedicou aos estudos e trabalhou como fazendeiro. Quando o partido nazi retomou suas forças, ele voltou às suas atividades junto ao movimento.

A Sturmabteilung sai de cena
A principal força militar do Partido Nazista eram as SA (Sturmabteilung), lideradas por Ernst Röhm. Estas forças contribuíram para a subida de Hitler e eram especialmente conhecidas por sua brutalidade contra os adversários, especialmente pelo seu fervor anti comunista. Entretanto, praticamente autônomas, estas forças despertaram a desconfiança de Hitler que, nas ações muitas vezes desordenadas das SA, enxergava um impecílio para sua manutenção no poder e a coesão de seu governo. Assim, as SS começam a ganhar o protagonismo como principal força e as SA são gradativamente deixadas em segundo plano.

Himmler e parte da cúpula nazi (Goering, Keitel e Donitz) junto com Hitler.

Waffen-SS
Oriundas das antigas Schutzstaffel, as Waffen-SS ganharam um novo enfoque com a figura de Himmler. De forças secundárias, as SS tornaram-se a elite das forças nazistas e ficaram responsáveis pela própria proteção pessoal de Hitler. Seus adeptos eram submetidos a um intenso treinamento e a ideologia interna exigia total submissão à figura do Führer. Em 1933, mais de 52.000 homens ingressaram nas SS. 
Himmler acompanhado de oficiais das SS.

Tentáculos
Com a estruturação das SS, outros organismos internos de forças policiais e militares foram agregados às SS. Himmler passou a comandar também a Ordnungspolizei (as forças policiais regulares) e a Sicherheitspolizei (força policial de segurança). Além disso, criou a Kriminalpolizei (polícia de investigação criminal) e a Geheime Staatspolizei, mais conhecida como Gestapo, a polícia secreta nazista. 


Divisões de Elite
Diversas divisões foram criadas dentro das SS. Estas divisões, tidas como as melhores do exército nazista, foram essenciais para os sucessos iniciais das ofensivas alemãs na Europa e no Leste, na campanha Barbarossa contra a União Soviética. Adotando o estilo de guerra da Blitzkrieg, divisões como a Totenkopf, a Hohenstaufen, LSSAH, Das Reich e Frundsberg somaram um poder militar aterrorizante contra os inimigos. Estas divisões mantiveram seu prestígio até o fim do conflito. Com a perda de efetivos, a própria Hitlerjugend, a juventude hitlerista, tomou ações de combate em campo.



Traições e embates
Já em 1945, mesmo nos momentos finais do conflito, as SS possuíam mais de 800.000 membros. Mas, diante dos fatos, Himmler perdeu qualquer esperança em uma vitória alemã, e não considerou o sucesso de qualquer ofensiva final. Sem chances para uma vitória militar, passou a negociar acordos de paz com os EUA e a Inglaterra, de modo autônomo. Negociou a rendição das tropas no front do Leste, junto ao conde Folke Bernadotte da Suécia. O plano de Himmler era persuadir os americanos e ingleses a, juntamente com ele, lutar contra as forças soviéticas. Ao descobrir os planos de Himmler, Hitler o declarou como traidor e lhe demitiu de todos os seus cargos, destituindo-o de todos os seus títulos também. Ele, então, pensou em se entregar ao então presidente dos EUA, Dwight Eisenhower, prometendo que toda a Alemanha se renderia caso ele não fosse julgado. Ele chegou a enviar um documento ao presidente dizendo que "gostaria de ser nomeado como Ministro da Polícia na Alemanha pós-guerra". A reação do presidente norte-americano não foi nada amistosa: Dwight recusou qualquer negociação com Himmler. 

Himmler e sua filha, Gudrun.

A obscura figura de Heinrich
Himmler morreu Lüneburg, em 23 de Maio de 1945, tendo cometido suicídio ao ingerir uma cápsula de cianeto, antes que fosse submetido a interrogatório. Sua esposa e sua filha sobreviveram e, inclusive, sua filha Gudrun ainda vive na Alemanha. Himmler é tido como um dos maiores criminosos de guerra, sendo responsável por grande parte da execução de políticas de extermínio racial e das atividades em campos de concentração. Entretanto, assim como tantos outros nazistas e até mesmo aliados, jamais foi julgado por seus crimes de guerra.

Himmler inspecionando um campo de prisioneiros soviéticos.

Himmler, as SS e o legado para o Reich
Himmler foi uma figura essencial para o decaimento de Ernst Röhm e das SA. Hitler ordenou a execução de Ernst por enxergar nele um perigo potencial para a estabilidade do regime nazista e substituiu-o por Himmler. É impossível imaginar o que teria sido do exército nazista sem a figura de Heinrich e sem as forças das Waffen-SS. Entretanto, a qualidade das divisões e do exército alemão enfrentaram um inimigo muito pior que os Aliados ou o Inverno Russo: a megalomania de Hitler e suas ações precipitadas, principalmente ao fim do conflito. Se Ernst e as SA foram essenciais para a subida de Hitler, Himmler e as SS foram cruciais para a manutenção e consolidação do poder político e militar do nazismo. 

Desfile de tropas da SS no 50º aniversário de Adolf Hitler.
Soldados negros alistados no Exército da União.
A Guerra Civil dos Estados Unidos da América dividiu o país em dois lados rivais: o Norte, que formou a União, e os estados do Sul, os Confederados. Um dos motivos publicamente conhecidos como as causas mais fortes para o conflito foi a questão da emancipação dos escravos e a abolição da do regime escravocrata nos EUA. Entretanto, a participação dos negros (elementos centrais do conflito) ficou relegada ao segundo plano, e por diversas vezes suas ações são simplesmente omitidas.

Guerra de irmãos
Os EUA construíram grande parte de sua riqueza através do empreendedorismo, presente no espírito dos pioneiros puritanos. Entretanto, nem só de mãos livres vieram os frutos do esforço norte-americano. O mercado de escravos foi parte importante da economia norte-americana e os negros trabalhavam em diversas tarefas no país, em números expressivos. O movimento abolicionista ganhava força em toda a Europa e não tardou a ganhar fôlego no Novo Mundo. Com a subida de Abraham Lincoln, a escravidão estava com os dias contados nos EUA.

Os soldados afro-americanos exerceram um papel fundamental na Guerra Civil norte-americana.

Norte versus Sul
Os estados do Norte, mais industrializados, aderiram em maior número à causa abolicionista. Os estados do Sul, ainda majoritariamente agrícolas, eram mais dependentes da mão de obra escrava e não estavam dispostos a ceder à emancipação imediata dos negros. Esta é uma questão muito polêmica: os confederados não eram absolutamente contra a abolição, mas tão somente desejavam uma mudança gradativa de condição, enquanto os membros da União eram imediatistas. A guerra foi também um meio de estabelecer a supremacia dos estados do Norte como fomentadores da industrialização no Sul, colocando-os em situação de clientela. Assim, as motivações foram mais econômicas do que sociais.

Soldado negro da União e sua família, em foto recuperada.

Os negros na guerra
Os dados históricos oficiais dos EUA mostram que 186.097 negros estiveram envolvidos na guerra. Destes, 7.122 atuaram como oficiais. Formaram 163 unidades dentro do Exército da União. Estes regimentos ficaram posteriormente conhecidos sob a alcunha de Tropas Negras dos Estados Unidos (United States Colored Troops). Cerca de 10% de todos os soldados da União eram negros, tanto libertos quanto escravos fugitivos.


Estigma e segregação
A convocação de negros para a guerra foi um grande impasse, mesmo para a União. A maioria dos oficiais não era favorável à entrada de afro-americanos nas Forças Armadas, e mesmo Abraham Lincoln foi inicialmente contrário a esta medida. Em 17 de Julho de 1862, o Congresso aprovou dois Atos permitindo o alistamento de afro-americanos, mas o recrutamento oficial deles só aconteceu a partir de Janeiro de 1863, com a Proclamação da Emancipação. Milícias já recrutavam negros desde 1862, como por exemplo os negros da Black Brigade of Cincinnati. Cerca de 20% de todos os afro-americanos envolvidos na Guerra Civil perderam suas vidas, uma taxa bem maior que a de soldados brancos (8.6%)

O salário dos soldados negros era em média seis vezes inferior ao dos soldados brancos

Mãos à obra
Os afro-americanos desempenharam diversas atividades durante a Guerra Civil. Trabalhavam para fornecer alimentos e demais suprimentos, cavavam trincheiras, construíam ferrovias, enterravam mortos, ajudavam nas edificações, cuidado com cavalos, manutenção de armamentos e também atuaram grandemente no front.

Sem dinheiro
A aceitação de afro-americanos nas tropas da União não significou tratamento igualitário entre todos os soldados. De acordo com os próprios termos do Militia Act de 1862, os soldados afro-americanos recebiam mensalmente o salário de U$10,00 com a dedução opcional de U$3,00 para gastos com uniformes; enquanto que os soldados brancos recebiam um salário mensal de U$60,00 e mais um adicional de U$3,50 para gastos com uniformes. Isso significa que um soldado branco recebia o equivalente a seis soldados negros. Em 15 de Junho de 1864, o Congresso Federal estabeleceu o pagamento igual entre todos os soldados.  

O "Shaw Memorial", construído em homenagem aos combatentes negros, localizado em Boston.

Heroísmo e bravura
A maior parte dos soldados e oficiais brancos reputou aos negros falta de bravura e não confiavam em sua capacidade. Mas eles contrariaram as expectativas: em 1862, soldados negros do 1st Kansas Colored Volunteers repeliram um ataque de guerrilhas confederadas na batalha de Island Mound, no Missouri. A Batalha de Port Hudson, em Lousiana, provou o valor dos combatentes negros que, em 27 de Maio de 1863, onde, mesmo com a derrota da investida dos afro-americanos, assinalou a coragem e bravura destes guerreiros.  O próprio general Nathaniel P. Banks disse sobre os combatentes negros: “Qualquer que tenha sido a dúvida existente sobre a eficiência das organizações deste caráter, a história agora prova que estes tipos de tropas são formadas por efetivos apoiadores e defensores”.

Cartaz de alistamento da União, convocando os negros. Em destaque, no início, os dizeres: "Aos homens negros!
Liberdade, pagamento, e um chamado ao dever militar!".

Ainda além
A batalha mais famosa na qual afro-americanos se envolveram durante a Guerra Civil foi a do Forte Wagner, na costa de Charleston, na Carolina do Sul. Membros do 54º Regimento de Infantaria de Massachussetts atacaram a posição altamente defendida dos confederados. O ataque foi essencial para a posterior tomada do forte. Os soldados negros participaram de todas as grandes campanhas do conflito, com exceção da Campanha da Geórgia  e a Marcha para o Mar, rumo à Savannah. Em 1864, no dia 12 de Abril, o general confederado Nathan Bedford Forrest liderou um ataque ao Forte Pillow, no Tennessee, que estava guardado por 292 negros e 285 brancos (577 homens no total), liderando um total de 2.500 soldados. A resistência destes poucos homens contra uma força quase cinco vezes superior foi heroica. A Batalha da Fazenda de Chaffin foi também um importante marco dos soldados negros, e vinte e cinco afro-americanos foram recompensados com a Medalha Congressional de Honra.

Cartaz confederado de convocação para negros. Em destaque, o anúncio "venham e juntem-se a nós, irmãos".

Negros confederados
Negros confederados. Os confederados apenas oficializaram a incorporação de negros
nos momentos finais do conflito.

Cerca de 40% da população dos Confederados era composta por escravos. Entretanto, o recrutamento de negros nas tropas confederadas parece ter sido muito limitado. Somente nos momentos finais do conflito os líderes da Confederação recrutaram oficialmente soldados negros. O general Patrick Celeburne foi um dos primeiros oficiais a defender o alistamento de negros nas tropas confederadas. O famoso general confederado Robert E. Lee defendeu a ideia de alistar e armar soldados negros oferecendo-lhes a liberdade, e em 13 de Março de 1865 o alistamento de afro-americanos foi oficialmente permitido pelo Congresso dos Confederados. A quantidade de negros nas tropas dos estados do Sul foi significativamente menor do que nos estados do Norte. É um erro admitir que todos os confederados fossem contra a emancipação dos negros. Em alguns casos, eles recebiam um tratamento até melhor do que os soldados do Norte, e muitos conquistaram a emancipação através do serviço militar. Depois da guerra, o estado do Tennessee garantiu pensões a 300 soldados afro-americanos que serviram à Confederação.

Mesmo os soldados da União enfrentaram grande discriminação e a maioria foi
esquecida pelo governo após a guerra.

Esforços e lutas
É impossível imaginar o que teria sido a Guerra Civil sem a participação dos negros. Estes homens e mulheres atuaram na linha de frente, exerceram atividades de inteligência e sabotagem e participaram efetivamente onde quer que tenham servido, seja pelo Norte ou pelo Sul, e foram protagonistas de sua luta por uma maior independência. Uma maior menção aos afro-americanos deve ser feita quando se fala não só em relação a este episódio, mas a toda a História norte-americana.

A conquista da Liberdade

A Guerra Civil dos EUA foi, provavelmente, o episódio mais violento pela emancipação dos negros em toda a América. A economia dos EUA sofreu drasticamente, os estados do Sul foram arrasados e as tensões políticas aumentaram. É errado tratar o conflito como uma simples questão de “abolicionistas” contra “escravagistas”, pois diversas questões políticas e financeiras foram mais determinantes do que essa questão que, certamente, interessava mais aos negros do que a qualquer oficial ou congressista. Mesmo nos estados do Norte, e após a emancipação dos negros, muitos deles foram simplesmente esquecidos pelo governo e continuaram excluídos da vida social. A extinção do sistema escravocrata não significou o fim do racismo e do preconceito: os negros assistiram, muito tempo depois, a política de segregação norte-americana, e os descendentes dos bravos guerreiros afro-americanos que lutaram para a construção do país seriam impedidos até mesmo de frequentar os mesmos ônibus que os brancos. Ainda hoje existem muitas tensões entre as populações brancas e negras nos EUA. A luta pela emancipação ainda existe e parece mais intensa do que o foi na Guerra Civil.

Veteranos afro-americanos da Guerra Civil. 
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