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Marco Histórico
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Típico carrinho de sorvetes, um símbolo atual da cultura norte-americana.

Em dias de extremo calor, poucas coisas são tão refrescantes quanto tomar um delicioso sorvete. Seja em um carrinho, uma barraquinha ou em uma sorveteria, podemos escolher dezenas de sabores e fazer inúmeras combinações. Basta pedir o sabor favorito e pagar com algumas moedas. Isso parece fácil, mas nem imaginamos que, até se transformar na deliciosa sobremesa que temos hoje, o sorvete passou por um processo milenar de aprimoramento.

O rei Salomão se refresca
Não existe uma data específica para a invenção do sorvete. Mas acredita-se que esteja em algum ponto do século II a.C. Referências bíblicas registram que o rei hebreu Salomão consumia uma espécie de "bebida gelada". Na época, não havia qualquer tipo de meio para gelar algo, a não ser o uso do próprio gelo, e podemos concluir que para adquirir sabor, certas frutas eram acrescentadas aos cubos de gelo.

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Busto de Alexandre o Grande
Alexandre, o Sorveteiro
Alexandre, o Grande, um dos mais jovens conquistadores do mundo, segundo vários registros históricos apreciava um tipo de sobremesa feita de raspas de gelo misturadas com mel ou néctar, ou os dois elementos juntos. Essa mistura gelada e doce provavelmente fez muito sucesso durante as expedições pela Pérsia, em locais extremamente quentes.

Nero: incêndios e gelo
O imperador Nero, famoso por ter supostamente ateado fogo na cidade de Roma e culpado falsamente os cristãos pelo ato, não tinha obsessão apenas com fogo e incêndios: ele também apreciava um tipo de sobremesa parecida com o sorvete. Ele enviava corredores para pegar neve das montanhas, à qual ele misturava sucos de frutas e polpas, dando o sabor especial à bebida.

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Marco Polo
Marco Polo e o sorvete
Marco Polo, o mais famoso dos navegadores europeus, que viveu de 1254 a 1324 de nossa era, realizou uma viagem ao extremo oriente. De lá, ele trouxe um tipo de sobremesa árabe chamada sherbet, que é muito parecida com o sorvete como hoje o conhecemos. Por volta do século XVI essa sobremesa foi aprimorada na Itália, que hoje é conhecida também como a nação do sorvete.

Charles I e o Creme de Gelo
No século XVII, o rei Charles I da Inglaterra tomava uma sobremesa chamada de "cream ice", ou, em nossa língua, creme de gelo. Levaria um bom tempo até que esse nome fosse invertido para "ice cream", como é atualmente chamada essa sobremesa nos países de língua inglesa.

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Catarina de Médici
França, Itália e um casamento refrescante


Em 1553, uma sobremesa similar ao sorvete foi levada aos franceses pela rainha italiana Catarina de Medici, quando ela se casou com o rei Henry II da França. Até o ano de 1660, quando a sobremesa foi distribuída aos plebeus, essa iguaria era um luxo reservado apenas à alta aristocracia.

Agora, com leite
O mercador siciliano Procopio acrescentou leite, creme, manteiga e ovos ao gelo, formando uma sobremesa que ele serviu em seu estabelecimento chamado Café Procope, o primeiro café de Paris. Esses novos ingredientes deram cremosidade à sobremesa, tornando-a mais parecida com o sorvete atual.

A nova sobremesa no Novo Mundo

Os primeiros registros do sorvete nas colônias das Américas datam de 1744, em uma carta escrita pelo governador de Maryland, William Bladen. O primeiro anúncio de venda de sorvete foi publicado em 2 de Maio de 1777 no jornal New York Gazette, divulgado pelo confeiteiro Philip Lenzi, dizendo que o "sorvete estava disponível quase todos os dias" em seu estabelecimento. Registros do ano de 1790 relatam que o presidente Thomas Jefferson, um dos pais fundadores dos EUA, gastou cerca de U$200,00 com sorvete somente no verão daquele ano. Essa quantia, para a época, era praticamente uma fortuna. Em 1813, uma sobremesa de sorvetes refinados foi servida para o presidente Madison.

A indústria do sorvete
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A carroça utilizada por Jacob nos EUA para vender sorvetes nas casas.
Por volta do ano de 1800, a produção de sorvete tornou-se uma indústria norte-americana. Em 1851, um sorveteiro chamado Jacob Fussell começou a fabricar sorvete em larga escala. Podemos considerá-lo como o primeiro sorveteiro a entregar  As inovações tecnológicas ampliaram o volume de sorvete produzido, bem como a consistência, cremosidade e a diversidade de sabores e combinações. Hoje, o sorvete é um dos doces mais populares em quase todos os países do mundo. Somente os Estados Unidos fabricam, anualmente, 1.6 bilhões de galões do produto.
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Crianças comprando sorvete em um típico carrinho.

Referências:
International Dairy Foods Association
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Chineses consumindo a droga que seria responsável por uma verdadeira devastação em seu país.

O que acontece quando um império combalido decreta leis proibindo a comercialização da droga mais devastadora já experimentada até então, contrariando os interesses das grandes empresas da maior potência mundial da época, o Império Britânico? Simples: guerras e mais guerras. Por essa (e outras) motivações, as Guerras do Ópio tiveram lugar no território do dragão adormecido.


O dragão fumante
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O ópio foi a droga mais viciante e lucrativa dos séculos XVIII e XIX.
As indústrias crescentes da Europa já estavam praticamente esgotando os mercados locais. A solução para todo o mercado saturado é a expansão. Desse modo, a exploração nas colônias da América aumentou, bem como a colonização da África. Agora, era ora também de estender as mãos no continente asiático. O Japão, cada vez mais "ocidentalizado", ainda consegue se manter ao menos a salvo dos mercados europeus. Mas a China, um grande dragão adormecido, um império já muito desgastado, se tornou presa fácil para os empreendimentos do Ocidente. E os mercados europeus desejavam o lucro, mesmo que ele fosse obtido através do comércio de drogas altamente viciantes. Foi assim que a droga mais viciante da época encontrou amplo mercado, especialmente frente a uma população miserável que encontrava nos efeitos da planta uma calma para seus próprios problemas sociais. A droga rapidamente se espalhou e viciou grande parte dos chineses

O ópio
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Mulher chinesa anestesiada pelos efeitos do ópio.
Droga extraída de uma planta chamada cientificamente de Papaver somniferum, popularmente conhecida como papoula. A droga é produzida através de um suco retirado da planta, que é transformado em um pasta que pode ser utilizada para o fumo. É uma das drogas mais viciantes que existem, e seus efeitos mais comuns estão associados ao sistema nervoso humano, proporcionando sensações como extremo relaxamento, sono e anestesia. Alguns componentes da droga, corretamente ministrados, servem como sedativos naturais, sem maiores efeitos danosos no organismo. Essa substância causa depressão no sistema nervoso central, diminuindo seu funcionamento e causando uma hipnose analgésica, especialmente em grandes concentrações.

Proibições chinesas
Por conta dos efeitos devastadores causados na sociedade chinesa que, por conta da droga havia praticamente estabelecido todo um crime organizado em seu redor, desde o tráfico feito pelos britânicos até sua disseminação por toda a China, a violência, aumento do número de mortes e dos mais diversos problemas sociais, o governo chinês colocou a droga na ilegalidade no ano de 1839. As autoridades chinesas confiscaram enormes quantidades de ópio, especialmente no porto de Cantão (Guangzhou), além de eventualmente prender alguns oficiais e tripulantes de navios britânicos que carregavam a droga.

A Primeira Guerra do Ópio
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Ilustração moderna, retratando uma batalha
entre britânicos e chineses.
Os britânicos, interessados em pressionar os chineses para a total abertura econômica, enviaram diversos navios de guerra para atacar os principais portos chineses. Essa foi a resposta em relação às diversas sanções chinesas contra o comércio da droga. As forças militares da terra da seda não foram capazes de fazer frente aos exércitos britânicos, mais bem equipados e modernizados. Assim, teve início a Primeira Guerra do Ópio, que durou de 1839 a 1842. O resultado foi negativo para os chineses, que foram obrigados a assinar um tratado de rendição em Nanjing, no ano de 1842, e um tratado comercial suplementar, em Bogue, no ano de 1843. Assim, o país estava novamente aberto para ser explorado pela droga viciante.

A Segunda Guerra do Ópio
Sem motivações fortes como a primeira guerra, a Segunda Guerra do Ópio, que durou de 1856 a 1860, foi motivada por um evento um tanto quanto controverso. Os ingleses disseram que as autoridades chinesas haviam ilegalmente revistado um navio britânico batizado de Arrow, no porto de Guangzhou. Dessa vez, ingleses e franceses invadiram a China e tomaram os portos de Guangzhou e Tianjin. Os chineses foram forçados a assinar novos tratados comerciais em 1858, abrindo os mercados para a França, a Rússia, o Império Britânico e os Estados Unidos da América. A China ficava cada vez mais nas mãos estrangeiras. Onze outros portos chineses foram abertos, comitivas missionárias cristãs foram permitidas e o comércio de ópio foi oficialmente legalizado.

Últimas tentativas do dragão
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Caricatura mostrando as potências
dividindo a China.
O governo chinês ainda tentou reagir. Em 1859, tentou impedir a presença de diplomatas e embaixadores ocidentais em Beijing. Como resposta, os britânicos forçaram novas leis e tratados comerciais, invadiram a capital e queimaram um dos maiores símbolos culturais do Oriente, queimando o Palácio Imperial de Verão, chamado de Yuan Ming Yuan. Em 1860, a China foi novamente forçada a reforçar os termos do Tratado de Tianjin e realizar concessões adicionais. Assim, uma situação insustentável se mostrava latente diante do governo e do povo chinês: a incapacidade de uma grande nação se defender contra as interferências estrangeiras e o fato de que, quanto mais as autoridades chinesas tentavam impedir a expansão da droga e a dominação colonialista ocidental, mais sofriam com as retaliações militares dessas potências e, como consequência, mais eram obrigados a abrir seus portos para a entrada não só desta substância, mas para todo o tipo de mercadorias, sem receber, por isso, as devidas compensações.




O Império do Oriente sucumbe
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Chineses fumando ópio em Cantão.
A China ficou completamente refém das potências ocidentais estrangeiras. Terminava, assim, a soberania de um dos maiores e mais antigos impérios de toda a História. A população, rendida pelo comércio de uma droga devastadora e agora praticamente escravizada pelas companhias da Europa, não era mais dona de si mesma. As Guerras do Ópio são a demonstração histórica das ações predatórias de nações contra nações, e como a busca incessante pelo simples lucro pode lançar toda uma população à miséria e marginalidade. Levaria muito tempo para que a China se transformasse novamente em um país influente e poderoso, e, mesmo ainda hoje, é extremamente explorada por multinacionais que lançam a população local em um trabalho análogo ao escravo, tudo isso com a permissividade das próprias autoridades locais. Esse é um episódio histórico muito pouco conhecido, e ainda hoje torna-se evidente em seus efeitos, tanto nas guerras do Afeganistão (que levaram novamente os efeitos da distribuição do ópio, que havia sido proibido pelos radicais islâmicos do Talibã) quanto nas constantes guerras latino-americanas das FARC, na Colômbia. O tráfico de drogas não é um assunto novo, e as Guerras do Ópio demonstram isso claramente.




Referências:
Info Please
http://www.historiabrasileira.com/files/2010/02/revolucao-constitucionalista-1932.jpg
Insurgentes paulistas de 1932.


Getúlio Vargas governou o Brasil com mãos de ferro. Mas não governou sem oposição. O líder populista enfrentou duas grandes revoltas: a Intentona Comunista e a Revolta Tenentista. Vamos estudar sobre esta segunda, que mobilizou o estado mais industrializado do país e criou grandes enfrentamentos entre as próprias forças armadas.

O fim da República Velha
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d6/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_1930_-_2.jpg
Ao centro, Getúlio Vargas, que toma o poder no Golpe de 1930.
A Revolução de 1930 foi um movimento militar resultante da união entre os estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Dessa revolta surgiu um golpe de Estado, que retirou do poder o então presidente Washington Luís, em 24 de Outubro de 1930 e também impediu a eleição de Júlio Prestes. Até então, o governo do Brasil era basicamente uma alteração entre candidatos de São Paulo e de Minas Gerais, no que ficou conhecido como a "República do Café com Leite" (café por conta de São Paulo, e leite por conta de Minas). Mas em 1929 os paulistas romperam com essa aliança e promoveram o candidato Júlio Prestes. Em resposta, os mineiros promoveram o candidato da oposição, Getúlio Vargas. Júlio Prestes foi eleito em 1930, mas Getúlio liderou um golpe em 3 de Outubro do mesmo ano, depondo Prestes. Terminava assim a República Velha e se iniciava o período do Governo Provisório.

Reações
A Revolta Tenentista, também conhecida como Revolução Constitucionalista de 1932, foi um movimento da classe militar paulistana, especialmente em resposta à Revolução de 1930 que retirou do poder o candidato eleito, Prestes. Os paulistas não ficaram nada felizes com a perda do poder presidencial, e através do Partido Republicano Paulista (PRP), reuniram as forças conservadoras contra o Partido Democrático de São Paulo (PDSP) que havia dado apoio à Revolução getulista. São Paulo era a maior representação da estrutura oligárquica, justamente a estrutura que foi prejudicada com a chegada de Getúlio. Podemos dizer que a Revolta Tenentista foi, primeiramente, uma luta entre paulistas.

São Paulo insatisfeita
http://i433.photobucket.com/albums/qq52/RICKY_1972/rev3219.jpg
Militantes da Revolta Tenentista de 1932.

 Plínio Barreto foi nomeado para o governo de São Paulo, mas, como era constitucionalista e fiel ao governo getulista, não obteve simpatia. Em seu lugar surgiu Laudo Ferreira de Camargo, que também renunciou em 1931. Manuel Rabelo governou o estado no lugar destes, e como era ligado aos tenentes, conquistou o apoio dos paulistas. Em Fevereiro de 1932, o Partido Democrático rompe com Vargas e se aproxima dos republicanos paulistas do PRP, seus antigos inimigos, formando a Frente Única Paulista (FUP). Basicamente, a FUP exigia autonomia administrativa para o estado de São Paulo e se opunha ao governo provisório de Getúlio (que de provisório só tinha o nome).

Rompimento e desconfortos
Vargas tentou frear a crescente revolta paulista, nomeando Pedro de Toledo como interventor do estado de São Paulo. Pedro apresentou o Código Eleitoral aprimorado e propôs novas eleições presidenciais para 1933. Mas isso não satisfez o movimento tenentista. A situação toda piorou com a morte dos estudantes Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, estudantes simpáticos ao movimento mortos pelas forças getulistas. Surge então o grupo MMDC (iniciais dos estudantes mortos), com o intuito de derrubar Vargas. O movimento tenentista ganhava cada vez mais força.

A Revolta explode
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/img/revolucao_constitucionalista_de_1932_ontem_e_hoje_1__2013-08-21183325.jpgEm 9 de Julho de 1932, na capital de São Paulo, explode a Revolução Constitucionalista. Isidoro Dias Lopes, um general, é o líder do movimento. Ele já havia lutado na revolta de 1924. O movimento teve ainda apoio de militares como Bertoldo Klinger e Euclides Figueiredo, além de diversos segmentos das oligarquias e da classe média paulista.O conflito com as forças federais durou poucos meses. Os paulistas se esforçaram muito e realmente desejavam emancipação em relação ao governo Vargas. A mobilização industrial foi imensa, tanto para produção de armas quanto de inúmeros gêneros de primeira necessidade. O destaque industrial paulista fica ainda mais evidente com o conflito. Mas esse destaque seria suficiente para vencer o governo?

Isolamento 
O estado de São Paulo, mais industrializado do que o resto do país, mesmo com toda a sua força, não conseguiu resistir. Estava, agora, isolado. Os tenentistas pensavam poder contar com o apoio de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, mas, embora estes governos se declarassem favoráveis ao movimento, ironicamente se mantiveram ao lado de Vargas. Em 1 de Outubro de 1932 a revolta paulistana foi esmagada e o fracasso da Revolução Tenentista se completou com a assinatura da rendição que terminou o combate. Os principais líderes do movimento perderam seus direitos políticos e foram deportados para Portugal. Getúlio nomeou então, como interventor de SP, o general Valdomiro Lima, tio de sua mulher, mas ficou no cargo apenas até 1933.


Lições e consequências
http://revistaescola.abril.com.br/img/historia/revolucao-32g.jpg
Cartaz de convocação do movimento paulista.
A Revolta Tenentista de 1932 mostra a sempre frágil estrutura federativa do Brasil. O sentimento de separatismo é sempre presente, principalmente em estados como São Paulo, Rio Grande do sul, Santa Catarina e Paraná. Apesar da vitória de Getúlio, todo o seu governo foi marcado por uma relação difícil com o estado revoltoso. São Paulo é o exemplo das revoltas e revoluções brasileiras sempre mais regionais e locais do que propriamente nacionais. Enquanto a Intentona Comunista não chegou nem perto de ameaçar ou instabilizar o governo varguista, a Revolta Tenentista demonstrou muito mais poder de atingir o governo central. Os paulistas fortificaram seus laços culturais e sua identidade ainda mais após esse episódio, e o desejo de emancipação, embora distante, ainda é existente. Os governos federais, no Brasil, sempre parecem mais pautados pelo coleguismo de apadrinhamento do que propriamente o planejamento nacional, e a Revolução de 1932 deixa isso bem evidente.


Referências:
Fundação Getúlio Vargas
O imperador Meiji, em trajes ocidentais.
Meiji e a Era das Luzes
O imperador Meiji definitivamente foi uma das mais importantes figuras políticas do Japão. Foi responsável por elevar a economia e a indústria do Japão, realizar reformas militares e administrativas, tornando a terra do sol nascente no único país não europeu com um desenvolvimento industrial próprio.

O Imperador
Batizado de Mutsuhito, nascido na cidade de Quioto em 3 de Novembro de 1852, governou o Japão de 1867 a 1912. Foi o segundo filho do imperador Kōmei e da imperatriz Nakayama Yoshiko. Em 1860, ele recebeu o título coroado de príncipe, e em 1867 ele sobe ao trono como sucessor de seu pai, falecido nesse mesmo ano. Após sua coroação, ele toma o nome de Meiji (na escrita japonesa 明治天皇, Meiji-tennō na transliteração para o Português), que em nossa língua significa algo como "Luz". Essa seria a marca de toda uma era criada por ele e que mudaria o destino de seu país para todo o sempre.

O Japão dos Shoguns
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c0/FirstJapaneseMission.JPG
Shoguns e samurais, a classe que dominou o Japão por séculos até ser vencida por Meiji.
Quando Meiji nasceu, em 1852, o país era composto por uma série de "reinos" governados pelos senhores da guerra, conhecidos como Shoguns. O país era dividido em cerca de 250 shogunatos independentes. A figura do imperador era praticamente decorativa. Isso era semelhante ao regime feudal europeu, onde os senhores feudais possuíam o poder de fato, enquanto a figura do rei era simbólica e não muito expressiva. Na prática, o imperador do Japão possuía pouco poder de atuação, e o governo era descentralizado. Cada Shogun era praticamente o senhor soberano de suas terras.

O fim do shogunato Tokugawa
Uma das primeiras ações de Meiji, apoiado por Saigo Takamori e Ōkubo Toshimichi, foi conduzir a reforma do poder imperial através da Guerra Boshin nos anos de 1868 e 1869: ele dissolveu o sistema de shogunatos e instalou o poder centralizado em sua figura, dando novamente a autoridade suprema para o imperador. Isso não significou a perda do poder dos Shoguns, entretanto, que se tornaram importantes figuras militares em seu governo.

Transformando uma nação feudal 
Meiji Emperor (Mutsuhito)
Meiji com suas condecorações.
O Japão de 1867, como qualquer nação não europeia, era basicamente um país primitivo. A nação era praticamente feudal: cada Shogun possuía um território e os servos daquele território trabalhavam para sua manutenção. A maioria da população vivia no campo, e a atividade principal era a agricultura. Não havia qualquer industrialização no país. Meiji logo percebeu que a Ásia, a África e as Américas eram cada vez mais vítimas do imperialismo europeu, e que mesmo um grande império como a China havia se transformado em presa fácil para os ingleses, vitimados pelas Guerras do Ópio. A única solução, para ele, era tornar seu país uma potência respeitável capaz de fazer frente aos desmandos da civilização ocidental. E foi exatamente isto o que ele fez: conduziu uma série de reformas administrativas, criou um sistema de industrialização nacionalista e próprio (sem se submeter aos europeus), construiu ferrovias e hidrovias, deu maior destaque às cidades (sem prejudicar a agricultura) e criou um exército unificado e modernizado. De certa forma, Meiji criou um governo contraditório: se por um lado ele desejava evitar a dominação ocidental de seu país, ele mesmo acabou por "ocidentalizar" o Japão, inserindo alguns costumes e estruturas de produção típicas do Oeste.

O despertar do Dragão
O Japão da época em que o comodoro inglês Matthew Perry chegou com seus navios negros pedindo pela abertura comercial do país era totalmente diferente daquele que passou pelas mãos de Meiji. A nação agrária, feudal e fragmentada foi transformada em uma potência mundial, unificada, centralizada, industrializada e com uma significativa força militar terrestre e naval, capaz de escapar das imposições econômicas europeias.

A rebelião Satsuma e a rebelião Chōshū
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a7/KumamotoSoldiers1877.jpg
Oficiais imperiais japoneses da guarnição de Kumamoto, que resistiram à rebelião Satsuna em 1877.
Os shoguns formaram a elite política e militar após a restauração de Meiji. Mesmo com estes privilégios, a insatisfação cresceu entre a classe samurai. Os daimyōs dos shogunatos de Satsuna e Chōshū se rebelaram contra o imperador Meiji em 1877, liderados por Saigo Takamori, desejosos de reconquistar sua autonomia. A cidade de Kumamoto foi cercada pelos rebeldes, mas as tropas imperiais conseguiram esmagar a revolta. Os líderes responsáveis pela rebelião foram punidos, e o imperador continuou intacto em seu trono.

Morte e Legado
Meiji faleceu em 1912 por causas naturais. Seu filho Yoshihito, sucedeu o pai. Meiji não realizou apenas a industrialização de seu país. Ele tornou o Japão em uma potência mundial e pavimentou o caminho para a rápida evolução tecnológica e militar que tomaria conta do país nos anos 1930-1940. Assim, podemos considerar que se o Japão foi a única potência não europeia da época, isso deve-se muito a Meiji e sua Era das Luzes, nome apropriado para suas conquistas e a época de seu governo.

Biografia:
Encyclopedia Britannica
Japan Reference


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