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Marco Histórico
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Amelia Earhart, em seu avião apelidado de Canário.


Algumas pessoas se prendem apenas ao chão. Outras poucas pessoas são capazes de até mesmo conquistar os céus. Uma dessas foi Amelia Earhart, uma famosa aviadora norte-americana que conquistou diversas marcas pioneiras e fez da pilotagem sua vida. Amelia foi um símbolo não somente para as conquistas das mulheres, mas para a própria aviação em si.


Origens

http://www.feministezine.com/feminist/historical/images/Amelia-Earhart-04.jpgNascida em 24 de Julho de 1897, na cidade de Atchison, no estado do Kansas, EUA, Amelia Earhart (mais conhecida como "Lady Lindy") foi a décima sexta mulher na História a adquirir uma licença de pilotagem nos EUA. Passou a maior parte de sua infância na casa de seus avós maternos. Filha de Amy Otis e Edwin Earhart, ela testemunhou por diversas vezes as consequências do alcoolismo em sua vida familiar. Viciado em álcool, seu pai sofria de constantes recaídas. Desde a infância, Amelia e sua irmã Muriel eram atraídas pela aventura, explorando terrenos, descobrindo lugares novos e desafiando umas às outras. Com uma crise financeira familiar, Amelia e sua irmã moraram com os avós maternos até que ela completou dez anos. Sua infância foi pouco fixa, principalmente por conta das diversas mudanças causadas pelas buscas profissionais de seu pai. Em 1915, os pais de Amelia separam-se, e ela se muda com a mãe e a irmã para a cidade de Chicago. Nessa época, ela já se destacava nas aulas de Física e Química. Após sua graduação, Amelia se voluntariou para trabalhar na Cruz Vermelha, no Canadá, atendendo soldados feridos que regressavam das batalhas da Primeira Guerra Mundial. Nessa época, ela começou a nutrir profunda admiração pela aviação, sempre assistindo as apresentações da Royal Flying Corps. Em 1919, ela entra para a Universidade de Columbia, para estudar medicina, mas um ano depois, ela abandona os estudos para morar com seus pais, que, novamente reunidos, estavam na cidade de Columbia.  

Início da carreira
 
Em 1920, durante um show aéreo em Long Beach, Amelia voou com um dos pilotos por apenas dez minutos. Estes dez minutos mudariam sua vida por completo, reafirmando, em seu coração, a paixão pelos aviões. Antes de sua carreira como aviadora, ela chegou a trabalhar em diversas funções, como fotógrafa e motorista de caminhões. Após juntar dinheiro, ela pagou por um curso de pilotagem, aprendendo suas primeiras lições com a aviadora Anita Snook. Após sua formação, ela conseguiu adquirir seu primeiro avião, um biplano de segunda mão, modelo Kinner Aister, o qual ela apelidou de Canário. Em 22 de Outubro de 1922, ela realizou um voo a uma altitude de 14.000 pés (o recorde para pilotos femininas na época), o que significava um grande feito para uma iniciante. 

Dificuldades
Por conta de dificuldades financeiras, Amelia praticamente faliu no ano de 1924. Sem perspectivas de conseguir se manter através da aviação, ela vendeu o seu avião, o "Canário". Após mais uma separação de seus pais (que terminou em divórcio), Amelia e sua mãe viajaram por praticamente todo o país, de California até Boston. Em 1925 ela voltou à Universidade de Columbia, porém, mais uma vez ela precisou abandonar os estudos por conta dos poucos recursos financeiros dos quais dispunha. Nessa época, ela chegou a trabalhar como professora e assistente social. Mas os seus sonhos com a aviação jamais morreram.


Retorno
Em 1927, Amelia  faz o seu retorno à aviação. Ela se torna membro da Sociedade Aeronáutica Americana (American Aeronautical Society). Dessa vez, Amelia passou a viver da aviação, trabalhando como representante de vendas para uma loja de aviões modelo Kinner, além de escrever artigos sobre aviação em um jornal local. Com parte do dinheiro que recebeu, ela fez investimentos no Aeroporto de Dennison, auxiliando em sua construção.  Amelia já começava a se tornar uma celebridade, reconhecida pelo próprio meio dos amantes da aviação e respeitada mesmo pelos mais experientes pilotos de sua época.

Conquistas
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Em Abil de 1928, Amelia recebeu um telefonema do capitão Hilton Railey, e, ao atender, ouviu a seguinte pergunta: "Gostaria de voar sobre o Atlântico?". Sua resposta só poderia ter sido uma: "sim!". Mas, com o convite, viria uma decepção: Amelia cruzaria o Atlantico como passageira. Segundo os planejadores da missão, esse era um voo demasiadamente arriscado para ser realizado por uma mulher sozinha. Então, em 17 de Junho de 1928, Amelia, Wilmer Stultz e Louis Gordon cruzam o oceano Atlântico após 20 horas e 40 minutos de voo, aterrisando em Burry Point, em Wales, no Reino Unido. Devido ao mau tempo, praticamente toda a pilotagem foi realizada por Stultz. Amelia confidenciou, depois, que ela se sentiu como uma simples bagagem, como se ela não estivesse realmente sobrevoando o Atlântico. Ela sabia que deveria realizar novamente essa missão, mas dessa vez, sozinha. Após a missão, os três foram recebidos pelo então presidente da época, Calvin Coolidge, na Casa Branca, onde foram gratificados pelo feito. Com o apoio presidencial, Amelia assistiu à uma rápida decolagem de sua carreira, tornando-se uma celebridade em todo o país e também no exterior. Mas ela ainda não tinha conquistado o seu maior feito. Aproveitando a celebridade, Amelia chegou a vender roupas com uma grife que levava o seu próprio nome, além de atuar como modelo para diversas marcas do mundo da moda. Ela desejava divulgar um modo seguro, firme e ousado de se vestir, mantendo, contudo, a feminilidade da mulher. Nesse período, ela trabalhou como editora associada para a mega revista Cosmopolitan, atuando também como promotora da Transcontinental Air Transport e da Trans World Airlines, duas grandes companhias de aviação civil norte-americanas. Na época, a aviação civil estava ainda tomando forma, e as contribuições de Amelia para a divulgação desse sistema de transporte ajudaram muito na popularização das viagens domésticas. Os voos transatlânticos tinham inclusive esse propósito: abrir caminho cada vez maior para as viagens aéreas intercontinentais. Amelia, entretanto, não deixou que sua popularidade lhe retirasse o foco daquilo que ela realmente amava. Ela realizou, sozinha, um voo de norte ao sul dos EUA, pouco tempo depois de sua primeira viagem transatlântica. Em 1929, ela disputou a corrida aérea feminina de Santa Monica a Cleveland, chegando em terceiro lugar. Em 1931, ela atingiu instituiu o recorde mundial de 18.415 pés de altitude em um voo. Ela se envolveu na organização Ninety-Nines, um grupo de mulheres apaixonadas por pilotagem, ajudando a promover a entrada da mulher na aviação. Em 1930, ela se tornou a primeira presidente do grupo. 

O primeiro voo sobre o Atlântico
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Apesar de ter sido apenas uma passageira no primeiro voo que realizou sobre o Atlântico, Amelia não desistiu de conquistar essa façanha. Amelia sabia de suas limitações, especialmente com sua dificuldade de assimilar as novas tecnologias de rádio e aparelhagem, e por esse motivo, sempre investiu em seu aprimoramento como piloto. Ela não enxergava este objetivo apenas como um mérito pessoal, mas sim, uma conquista para todas as mulheres. Ela e seu marido, Putnam, começaram a planejar o voo. Eles divulgaram a data oficial da missão para o dia em que o voo de Charles Lindbergh sobre o oceano Atlântico completaria 50 anos. Em Maio de 1932, no dia 20, eles se prepararam conforme o anunciado, em Harbour Grace. No momento da decolagem, entretanto, as más condições climáticas e atmosféricas frustraram a missão do casal. Para completar, problemas mecânicos surgiram na aeronave. Mesmo com estas adversidades, no dia 22 de Maio de 1932, ela realizou o voo sobre o Atlântico, completando o trajeto em 15 horas (o que era um verdadeiro recorde para a época), pousando na cidade de Londres, no aeroporto de Hanworth. Foi calorosamente recebida pela população londrina, e, como reconhecimento, recebeu a Medalha de Ouro da Sociedade Geográfica Nacional (National Geographic Society), recebendo também a Cruz de Voo Distinto (Distinguished Flying Cross) entregue pelo presidente dos EUA, na época, Hoover, e por todo o Senado norte-americano. Também foi condecorada com a Cruz do Cavaleiro da Legião da Honra, do governo francês. Ela também realizou um voo de Honolulu, no Havaí, até Oakland, na Califórnia. Esse feito lhe garantiu o mérito de ter sido a primeira mulher a sobrevoar não só o oceano Atlântico, mas também o Pacífico. Em 1935, ela voou da Cidade do México até Nova York. Entre 1930 a 1935, ela estabeleceu sete recordes de distância e velocidade em diversos modelos de aviões. Em 1935, ela planejou uma meta ainda mais ambiciosa: voar ao redor de todo o mundo.


Morte e legado


http://i.huffpost.com/gadgets/slideshows/240390/slide_240390_1267322_free.jpgAmelia não chegaria a realizar tal façanha, entretanto. Em 1937, dando continuidade ao seu ambicioso projeto de sobrevoar ao redor do mundo, ela enfrentou diversos problemas climáticos e, no dia 3 de Julho de 1937 ela desapareceu misteriosamente, sem deixar registros, e sem jamais ser encontrada. Apesar dos esforços do presidente Franklin Roosevelt, que chegou a designar 66 aviões parra a realização de buscas e investir quatro milhões de dólares nas buscas por Amelia, sua morte continua sendo um mistério, e provavelmente ela teve como túmulo o mesmo oceano pelo qual se tornou memorável e notória. Em 5 de Janeiro de 1939, ela foi oficialmente dada como morta. Amelia deixou como legado uma imensa contribuição, tanto em conhecimentos de aviação, como em estabelecimento de recordes de altitude, velocidade e distância. Amelia também retirou o estereótipo de que as grandes aviações não eram atividades apropriadas para mulheres, ajudando a incluir a figura feminina no âmbito da aviação.



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"A nação que perde sua memória deixa de ser uma nação, converte-se em uma mera coleção de pessoas que, de maneira temporária, celebram o território" - Józef Piłsudski


A Rússia aprenderia a respeitar e temer o pequeno país que conhecemos pelo nome de Polônia. As antigas rivalidades entre o Império Russo e a diminuta nação seriam ressuscitadas pelos Bolcheviques que, apesar de em suas palavras condenarem o imperialismo czarista, o reproduziram ao seu modo. Um homem seria o principal responsável pelo freio ao impulso da fome soviética, e este homem foi Józef Piłsudski.


Sua vida e suas origens
 
Nascido em 5 de Dezembro de 1867 em Żułów, próximo a Wilno, Józef veio de uma rica família de agricultores, que preservavam as tradições polonesas e o espírito patriótico. Foi neste ambiente e nesse meio espiritual que Józef adquiriu, desde cedo, o seu senso cívico e nacionalista. De seu pai, também chamado Józef, ele herdou um espírito revolucionário. Seu pai havia participado da revolta de Janeiro de 1863, quando o povo polonês tentou realizar a independência do país repartido pela Rússia, Prússia e Áustria. Józef terminou os estudos escolares em 1885, e entrou para a Universidade de Kharkov para estudar medicina. Entretanto, acabou se envolvendo em um movimento socialista revolucionário chamado "Narodnaya Vola". Ele foi preso por participar em manifestações estudantis. Após a saída da prisão, tentou ingressar na Universidade de Dorpat, na Estônia, mas foi rejeitado, pois as autoridades do local sabiam de seus envolvimentos ideológicos e revolucionários. Em 22 de Março de 1887, ele foi novamente preso por seu envolvimento com os socialistas, e acusado de conspiração contra o czar russo Alexandre II. Ele foi detido por cinco anos na Sibéria. 


Atividades estudantis e políticas
A nação polonesa havia sido repartida entre  três grandes potências, a Áustria, a Prússia e a Rússia, entre 1772 a 1795. Józef seria um dos principais agentes no renascimento e na reconstrução do país.Em 1893, o Partido Socialista Polonês (PSP) foi estabelecido em Varsóvia. Um ano antes, Józef havia retornado de sua prisão na Sibéria, e em 1884 tornou-se um membro da central de trabalhadores, trabalhando como editor chefe da revista "Robotnik", publicada pelo PSP. Em 1890, como um dos líderes do partido, foi preso pelas autoridades russas mais uma vez, detido em Varsóvia. Em 1891, foi transferido para o hospital em São Petersburgo, graças à sua simulação, fingindo estar doente. Ele conseguiu escapar com a ajuda de Władysław Mazurkiewicz, um dos médicos do hospital. Então, retorna à Galícia (a zona austríaca da Polônia repartida), onde ele continuou em suas atividades políticas. Em 1904, ele viajou ao Japão, aproveitando a guerra entre os japoneses e os russos. Lá, ele negociou com o governante Mikada a criação de uma legião polonesa auxiliada pelo exército japonês, para combater os russos. Entretanto, a única ajuda do Japão foi a aquisição de armas para o PSP. Apesar de os esforços do movimento serem suprimidos pela polícia, Józef não desistiu jamais de seus planos e persistiu na criação de uma força revolucionária polonesa. Em 1910, duas organizações paramilitares foram criadas na zona austríaca, uma em Lwów e outra em Cracow. Em 1912, ele se tornou comandante-em-chefe de uma dessas legiões. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, ele comandou um grupo de unidades bem treinadas e invadiu a zona russa da Polônia repartida, tomando parte do território de fronteira evacuado pelos russos. Depois, fez uma aliança com os austríacos, estabelecendo legiões polonesas. Toma, então, o comando da Primeira Brigada. em 1917, o mesmo ano da Revolução Socialista na Rússia, ele resignou ao comando e se tornou membro do conselho provisório da Polônia, colaborando para a criação de um governo nacional em Varsóvia. Entretanto, mais uma vez foi preso, até o ano de 1918, na cidade de Magdeburg, na parte prussiana da Polônia repartida. Com a derrota da Alemanha na Primeira Guerra, ele foi solto e retornou a Varsóvia, tomando o comando supremo das forças armadas polonesas. Sua missão agora era criar um governo independente e um país autônomo.

Repelindo os Bolcheviques
Soldados poloneses em Miłosna , perto de Varsóvia, em Agosto de 1920.
Em 14 de Novembro de 1918, ele começou a supervisionar a reconstrução política e territorial do país, e no dia 22 de Novembro do mesmo ano, foi promovido a líder provisório de Estado. Manteve-se no posto até 9 de Dezembro de 1922, quando Gabriel Narutowicz foi eleito o primeiro presidente da República da Polônia. De 1919 a 1921, ele repeliu os russos Bolcheviques no Leste, sendo promovido a primeiro marechal da Polônia. Em 1923, ele se afastou da política, após o assassinato do presidente Gabriel por um fanático de extrema direita chamado Eligiusz Niewiadomski, apenas uma semana depois de sua eleição. Na ocasião, Józef se recusou a trabalhar com o primeiro ministro Wincenty Witos, o qual ele acreditava ser responsável pelo incidente. Então, ele viveu durante algum tempo em seu retiro, na cidade de Sulejówek.

O retorno
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Em primeiro plano, o marechal Józef Piłsudski, durante sua tomada do poder em 1926.

A situação no país o forçou a retornar para a política, por conta dos protestos populares e a grande insatisfação presente, além do desemprego e da crise econômica. Józef exigiu então a resignação do gabinete governamental de Witos. Em 12 de Maio de 1926 ele entrou em Varsóvia, a capital, e após três dias de guerras civis, ele forçou a renúncia presidencial. Contudo, ele não aceitou o cargo de presidente, pois os poderes lhe seriam limitados. Ao invés disso, acumulou os cargos do ministério militar, do conselho de guerra e inspetor geral das forças armadas. Acumulou também o cargo de primeiro ministro, de 1926 a 1928, e depois, até 1930. Isso significou o fim do governo parlamentarista na Polônia e o início do regime ditatorial. Através de sua popularidade e de sua brilhante oratória, Józef manteve seus poderes autoritários, que não podiam ser combatidos por mais ninguém. Na política estrangeira, ele manteve boas relações com a URSS, apesar da guerra anterior contra a tentativa de invasão soviética, assinando um tratado de não agressão em 1932. Em 1934, assinou um tratado de paz também com a Alemanha. Esses tratados serviram para permitir a consolidação da nova República polonesa, bem como os limites territoriais do país.

Morte e legado
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Em 12 de Maio de 1935, o marechal Józef Piłsudski morre inesperadamente, pegando o país de surpresa. Até o fim de sua vida, ele manteve sua grave doença (um câncer no fígado) em segredo. O dia de seu funeral tornou-se uma data nacional criada em sua homenagem. Seu corpo foi enterrado na Cripta de São Leonardo na Catedral de Wawel, próximo às tumbas de reis e rainhas e das mais distintas personalidades polonesas. Seguindo seu desejo, retiraram seu coração e o colocaram em uma urna de prata, que foi posta na sepultura de sua mãe, no cemitério de Rossa, na cidade de Wilno. Józef foi um dos mais proeminentes políticos poloneses, um dos homens responsáveis por tornar um território esfacelado e dominado em uma nação unificada, forte e consolidada. Não apenas conseguiu vencer os invasores, como assinou tratados de paz com ambos. As forças polonesas, inferiores em números e equipamentos, conseguiram com sucesso repelir as tropas soviéticas dos bolcheviques, em proporções e condições muito superiores às de seus exércitos. Józef protegeu a Polônia de Leste a Oeste e de Norte a Sul, e através do golpe de Estado promovido por ele, estabilizou a economia, acalmou os ânimos, reuniu setores divididos e consolidou o poder político do país. É muito improvável imaginar uma Polônia reunificada e reestruturada sem a figura de Piłsudski. Ele foi um autêntico político socialista com espírito nacionalista, um patriota, um revolucionário que, com o gosto pelo poder, tornou-se um dos maiores ditadores, estadistas e totalitários da Europa. 

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Valentina Tereshkova, dentro de um módulo espacial.

Quando falamos nos progressos aeroespaciais e científicos como um todo, geralmente nos recordamos de grandes nomes de homens e seus tão contributivos inventos. Provavelmente, poucos sabem sobre Valentina Tereshkova, a primeira mulher a ir ao espaço. Essa conquista marcou definitivamente a inclusão das mulheres na Corrida Espacial, o período histórico nitidamente conhecido pelas disputas entre as duas potências globais da Guerra Fria, os Estados Unidos da América e a União Soviética, em busca de inovações e missões espaciais. A União Soviética conseguiu atingir certas metas muito antes dos norte-americanos. A inclusão das mulheres em todos os níveis técnicos e profissionais aconteceu de modo pioneiro na URSS, e a inserção delas nos programas aeroespaciais também foi um pioneirismo soviético. 

Sua vida
Nascida na pequena cidade de Maslennikovo, no dia 6 de março de 1937, filha de um motorista de tratores (dado como desaparecido na guerra russo-finlandesa), Vladimir Aksyenovich,  e de uma doméstica, Elena Fedorovna, Valentina entrou para a escola aos oito anos de idade. Aos 17 anos, abandona a escola e começa a trabalhar como operária em uma fábrica têxtil, para auxiliar sua mãe e ajudar a cuidar de seus dois irmãos (uma irmã mais velha e um irmão mais novo). Assim foi a maior parte da infância e da juventude de Valentina: criada sem o seu pai, lutando para sobreviver junto com sua mãe. Logo cedo atraída pela ciência e pela aventura, Valentina começou a praticar paraquedismo, dando continuidade aos seus estudos através de um curso por correspondência, oferecido pelo Clube de Aviação de Yaroslavl, e no dia 21 de Maio de 1959 deu o seu primeiro salto. Posteriormente, fundou um clube de paraquedismo em sua fábrica, do qual veio a se tornar presidente. Em 1961, foi eleita como secretária do Konsomol (uma unidade política da juventude socialista) de sua localidade. Recebeu certificados de conclusão de ensino técnico em sua unidade do Konsomol com especialização em tecelagem de algodão. 


O primeiro homem vai ao espaço
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Yuri Gagarin, o primeiro homem a visitar o espaço.
Quando completou 24 anos, Valentina assistiu a ida do primeiro homem ao espaço, com a missão protagonizada pelo cosmonauta Yuri Gagarin, em Abril do ano de 1961, a bordo do módulo espacial Vostok-1. A ida do primeiro homem ao espaço significou um formidável avanço aeroespacial para os soviéticos, que, até então, deram a prova de um avanço em seu programa espacial em relação aos norte-americanos, mesmo com a produção industrial inferior à dos EUA. Nessa época, os montantes destinados aos programas espaciais aumentaram consideravelmente por parte do governo soviético. Entretanto, os soviéticos não estavam satisfeitos com a ida do primeiro homem ao espaço: queriam também a conquista da primeira mulher a sair da atmosfera terrestre. O cosmonauta chefe, Kamanin, iniciou a elaboração dos planos para uma missão espacial que levaria uma mulher ao espaço, entregando seus projetos à Força Aérea Soviética, nas mãos de seu chefe de projetos, Korolev. Ele desejava conquistar essa vantagem na corrida espacial, e para isso deveria encontrar uma mulher dedicada ao Partido Comunista, preferencialmente do mesmo meio e classe de cosmonautas como Gagarin ou Titov. Em Outubro de 1961, Korolev incluiu um requerimento para a seleção de 5 mulheres entre 50 cosmonautas (ou seja, 10% da equipe).

 Pavimentando o caminho
Para participar do programa espacial, não era necessária experiência em pilotagem, já que o módulo espacial Vostok era automático, e o cosmonauta era um mero passageiro. Entretanto, experiência com paraquedismo era essencial, já que, no retorno à Terra, o tripulante era ejetado da cápsula após reentrar na atmosfera. As exigências para as mulheres no programa eram: estar abaixo dos 30 anos, ser menor do que 1,70m e pesar menos de 70kg, ser esbelta e "ideologicamente pura" (leia-se sem nenhum processo ou caso de entrave com o Partido e o Politburo). Também era exigido que as mulheres tivessem experiência e formação em paraquedismo. O cosmonauta chefe Kamanin selecionou 58 garotas com potencial, e destas, 40 passaram nos primeiros testes e foram enviadas para uma entrevista e testes físicos em Moscou, em Janeiro de 1962. Tereshkova foi uma das cinco finalistas selecionadas para o projeto, em 16 de Fevereiro de 1962. Entretanto, ela não possuía formação superior, como suas colegas. As outras quatro mulheres incluíam engenheiras, especialistas em paraquedismo e técnicas. 

 O treinamento
Todas as cinco mulheres selecionadas - incluindo Tereshkova - começaram a realizar uma série de treinamentos. Esses treinamentos faziam parte de um curso que incluía voos com gravidade zero, saltos de paraquedas, testes de isolamento e testes de centrífuga. No início dos testes, Kamanin escolheu, dentre as cinco, três mulheres para a etapa final: Kuznetsova, Solovyova e Tereshkova. Uma delas realizaria o primeiro voo espacial feminino. Nos testes físicos, Valentina conseguiu se destacar; entretanto, nos testes de engenharia e teoria de foguetes, ela não obteve os melhores resultados. Uma série de treinamentos de pilotagem, com um MIG-15UTI para treinamentos, foi realizada; elas também realizaram uma série de 120 saltos de paraquedas. Todas as cinco foram promovidas a tenentes da Força Aérea Soviética. Valentina, nessa mesma época, foi promovida a membro do Partido Comunista da União Soviética.

O apoio 
Em Maio de 1962, uma delegação soviética, incluindo o cosmonauta Gherman Titov e o chefe Kamanin, visitaram Washington, a capital administrativa dos EUA, participar de um churrasco na casa do astronauta norte-americano John Glenn, um entusiasta do projeto Mercúrio 13, um programa aeroespacial feminino. Nessa ocasião, ficou claro que o projeto Mercúrio 13 dos norte-americanos já estava bem avançado, e também era um desejo deles lançar a primeira mulher ao espaço. No ano de 1963, Kamanin definiu que a missão deveria acontecer dentro dos próximos meses após sua visita a John, lançando não uma, mas duas mulheres em órbita simultaneamente, nas cápsulas Vostok 5 e Vostok 6. 

A escolha
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Propaganda soviética utilizando a imagem de Valentina.
 No dia 19 de Novembro de 1962, a seleção da primeira cosmonauta a ir ao espaço estava nos seus estágios finais. Das cinco selecionadas, as finalistas foram Ponomaryova (escolhida posteriormente) e Valentina. Ponomaryova se deu melhor nos testes técnicos e físicos, obtendo os maiores resultados, mas não teve um bom resultado em suas entrevistas. Foi eliminada com a justificativa de que não havia dado as respostas apropriadas, sendo considerada '"politicamente impura". Uma pergunta foi decisiva para essa escolha: os membros do Partido perguntaram para as duas "o que elas queriam da vida". Ponomaryova havia respondido que "queria tudo o que a vida lhe podia oferecer", enquanto Valentina teria respondido que o desejo de sua vida era "apoiar irrevogavelmente o Konsomol e o Partido Comunista". A questão envolveu muitas polêmicas e arbitrariedades. Ponomaryova também foi acusada de defender que uma mulher poderia "fumar e ainda assim ser decente", além de realizar viagens sozinha à cidade de Fedosiya. Esse episódio demonstra um paradoxo: apesar de incluir cada vez mais a mulher na vida política, na especialização técnica e no ensino superior, além da entrada cada vez maior em profissões avançadas, a União Soviética demonstrava uma cultura altamente conservadora e puritana. No Encontro do Partido Comunista de 21 de Março de 1963, o ideólogo Kozlov e o ministro da defesa Ustinov cancelaram a missão simultânea de duas cosmonautas, agora colocando apenas uma mulher na missão. Assim, Valentina tornou-se a escolhida.


A primeira mulher vai ao espaço
O premiê Khrushchev deu as autorizações finais para o programa. Atendendo a todas as expectativas, Valentina entra para a História como a primeira mulher a ir ao espaço no dia 14 de Junho de 1963, na cápsula Vostok 6, batizada de Chaika (Gaivota). A União Soviética agora era responsável por ter enviado o primeiro cão ao espaço (a cadela Layka), o primeiro homem (Yuri Gagarin) e a primeira mulher (Valentina Tereshkova), além de lançar o primeiro satélite artificial e construir o sistema de transportes de cosmonautas usado até hoje (a cápsula Soiyuz).
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A cápsula Vostok 6, utilizada por Valentina, após sua queda no retorno à Terra.

Os bastidores
Algumas situações incômodas ocorreram em meio a esse marco da humanidade. Durante o voo espacial, houveram problemas técnicos, não relevados na época, mas discutidos nos memoriais de Kamanin, Korolev e Mishin, publicados após a queda da União Soviética, em 1991. Valentina jamais deu sua versão, até o ano de 2007, quando revelou sua versão daquilo que aconteceu. Korolev estava insatisfeito com a performance de Tereshkova durante sua missão, e, por isso mesmo, teria retirado dela o controle manual do módulo espacial. Mishin declarou que ela estava no "auge de sua instabilidade psicológica", e Kamanin disse em seus diários que um oficial tentou inserir um parágrafo em um anúncio , dizendo que Valentina estava emocionalmente instável durante a missão. Entretanto, segundo o próprio Kamanin, a situação havia sido exagerada. Ele relata que Valentina apenas recebeu objetivos durante o primeiro dia, os quais ela conseguiu concluir. No segundo e no terceiro dias, não havia praticamente nada que ela precisasse fazer, já que os sistemas eram automatizados e ela não havia recebido ordens diretas específicas. Kamanin ainda relata que o comando em terra não havia feito nada para auxiliar Valentina durante estes dois dias, e que ela certamente não estava cansada, nem emocionalmente instável, já que havia feito tudo que estava em seu alcance para completar o programa e se mostrou muito lúcida. O mais provável é que Valentina tenha sofrido uma tentativa de sabotagem, como se ela fosse responsável pela série de erros cometidos pelos soviéticos no projeto espacial. Apesar disso, sua missão terminou bem e ela pousou em segurança.

Dificuldades e desafios 
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Valentina em uma sessão de treinamentos, na Vostok 6.
Valentina enfrentou diversos desafios e problemas durante seu voo espacial. Em primeiro lugar, a comida que ela recebeu era péssima: o "pão negro" era seco demais, praticamente impossível de engolir, e ela acabou ingerindo uma quantidade pequena de calorias, já que a maior parte dos alimentos não pôde ser consumida no espaço. Ela enfrentou dores musculares que, no terceiro dia, se tornaram praticamente insuportáveis. Por conta da pressão exercida por seu capacete, ela também enfrentou dores em seus ombros e em seu pescoço. Durante seu processo de pouso, tendo sido ejetada da cápsula, Tereshkova estava a ponto de cair em um grande lago. Exausta, desidratada e faminta, ela não acreditava ser capaz de nadar até a margem. Por sorte, um forte vento acabou afastando-a do lago, mas a fez sofrer uma grave queda. Com o impacto, ela bateu o nariz em seu capacete, o que lhe causou um hematoma. Quando a equipe de solo a resgatou, utilizaram muita maquiagem para disfarçar o ferimento, a fim de torná-la mais atrativa para as entrevistas públicas. Ela temeu que o excesso de maquiagem prejudicasse sua imagem de "mulher operária pura". Permaneceu três dias em órbita, mais tempo do que toda a permanência espacial dos astronautas norte-americanos juntos.
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Valentina e Gagarin: o primeiro homem e a primeira mulher a irem ao espaço.

Ironias e incongruências
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Valentina junto com Valery Bykovsky, Herman Titov, Yuri Gagarin, Andriyan Nikolayev, Pavel Popovich e Boris

 Apesar da pioneira participação feminina nos programas espaciais soviéticos, estas mulheres eram mais "objetos de propaganda" do que efetivamente cosmonautas. Após a participação de Valentina e até a queda da URSS, as mulheres cosmonautas apenas realizavam missões substituindo homens que, diante de algum imprevisto, não pudessem realizar os projetos. A "igualdade" soviética era verdadeiramente uma farsa: os homens praticamente "monopolizavam" os projetos e programas, e recebiam muito mais incentivos e benefícios do que as mulheres. Como o objetivo já havia sido conquistado (levar a primeira mulher ao espaço), que necessidade havia em investir continuamente nas mulheres cosmonautas? Assim, as mulheres que participavam dos programas espaciais eram peças secundárias, estepes de substituição, e não efetivamente membros que exerciam um trabalho de igual para igual com os homens.

Família e casamento
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/RIAN_archive_611957_Valentina_Tereshkova_and_Andrian_Nikolaev.jpg
Valentina e Nikolayev, na cerimônia de casamento celebrada em Moscou.
http://www.thecopydude.com/wp-content/uploads/2009/04/tereshkova-and-baby.jpg
Valentina e sua filha, Elena.
Valentina casou-se com Adrian Nikolayev, em 3 de Novembro de 1963, em uma união praticamente "arranjada" pelo premiê Khrushchev, que achou uma boa ideia unir os cosmonautas e insistiu com os dois - com a ajuda de Kamanin - a tal ponto que definitivamente se uniram, em uma cerimônia comemorada no Palácio de Casamentos em Moscou. A cerimônia foi realizada pelo próprio Nikita Khrushchev, com a participação de membros do alto escalão do governo e do programa espacial. Em 8 de Junho de 1964, Valentina dá à luz Elena Andrianovna, sua primeira e única filha. Infelizmente, a vida do casal não era das mais felizes. Entretanto, caso se divorciassem, suas carreiras seriam terminadas (um costume da época). Logo, pela conveniência profissional, se mantiveram juntos durante algum tempo. Em 1978, durante entrevistas com as comissões médicas, ela conheceu o físico Yuliy Shaposhnikov, que trabalhava na academia militar médica. Os dois acabaram se apaixonando, e o já frágil casamento com Nikolayev acabou no ano de 1982 (tendo os dois se separado já em 1979). Valentina não passou nos testes para realizar novos voos, e nunca mais foi ao espaço. Ela viveu com seu segundo esposo até a morte dele, em 1999. Os dois tiveram uma vida feliz juntos.


Vida acadêmica, partidária e política
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Valentina acompanhada de membros políticos do Partido Comunista, em 1969.

Tereshkova graduou-se em Engenharia na Academia Aérea Militar em 1969. Após sua graduação em Outubro de 1969, a equipe feminina de cosmonautas foi dispensada. Ela se tornou um membro proeminente do Partido Comunista e uma representante do governo soviético em inúmeros encontros, eventos e organizações femininas internacionais. Participou como membro do Concílio de Paz Mundial de 1966; integrou o Soviete Supremo de Yaroslavl em 1967; participou do conselho da União do Soviete Supremo de 1966 a 1970 e de 1970 a 1974; foi eleita para a bancada do Soviete Supremo em 1974; atuou como representante soviética na Conferência Internacional do Ano das Mulheres, na Cidade do México, em 1975, e continuou como deputada do Soviete Supremo durante os anos 1980, atuando também como vice-presidente da Federação Internacional das Mulheres, exercendo inúmeros outros cargos em organizações internacionais. Foi condecorada com muitas medalhas e distinções, incluindo duas Ordens de Lênin, uma medalha de Heroína da União Soviética, uma Medalha de Ouro da Paz das Nações Unidas, um prêmio Simba do Movimento Internacional das Mulheres e uma medalha de ouro Joliot-Curie. Apesar de participar em tantos eventos e movimentos das mulheres, Valentina levou um estilo de vida apegado às tradições, aos costumes equilibrados e à dedicação familiar. Precisamos entender o contexto soviético: de fato, homens e mulheres não eram tidos como inimigos ou adversários dentro daquela sociedade, sendo a unidade familiar alvo de grande incentivo tanto pelo governo quanto pela própria comunidade. O progresso da mulher soviética não se restringia à carreira, mas incluía também as funções de esposa e mãe.
Em 2011 foi eleita deputada pelo partido Rússia Unida, o mesmo de Putin e Dmitri Medvedev.
Em 2013, durante as comemorações do 50º aniversário de seu voo, recebeu a Ordem de Alexandre Nevsky das mãos de Vladimir Putin.
Valentina levou boa parte de sua vida nas redondezas da Star City, uma localidade criada especialmente para membros de programas espaciais, recebendo constantemente seus amigos de longa data, além de sempre ser visitada por sua filha e seus dois netos, Andrei e Aleksei.
Atualmente ela vive entre Yaroslavl, perto da filha, e Moscou onde exerce seu mandato parlamentar.

Legado
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Valentina e o astronauta norte-americano Neil Armstrong.
Apesar de ter sido tomada para fins de propaganda comunista, não podemos considerar que Valentina era tão somente um produto ou uma criação artificial, uma mentira propagandista. Ela foi uma mulher verdadeiramente esforçada, que experimentou as dificuldades da vida agrária soviética, as dificuldades do trabalho operário, as perdas da guerra (onde ela perde o próprio pai) e os desafios de ajudar a própria mãe a criar os irmãos e, ao mesmo tempo, procurar uma formação. Podemos considerá-la como uma filha dedicada, uma aluna esforçada, uma boa funcionária, esposa e mãe devotada (apesar de seu infeliz casamento com seu primeiro marido). Deixando de lado os exageros da propaganda soviética, e - ao menos por alguns instantes - esquecendo as motivações ideológicas na escolha dela para um projeto tão pioneiro, devemos admitir os méritos dessa conquista e o quanto ela representou para a inclusão das mulheres na vida pública, política e profissional. Valentina foi a primeira, mas não a única mulher a alcançar o espaço, e hoje a participação feminina em tais programas é bastante considerável.
http://searchoflife.com/wp-content/uploads/2013/11/howard-carter-opening-tomb-of-tutankhamun.jpg
Howard Carter, o arqueólogo responsável pela descoberta do sarcófago de Tutancâmon.
Poucas civilizações no mundo conseguem nos encantar de um modo tão forte como a civilização egípcia. Prova cabal de que as grandes culturas não se resumem apenas ao continente Europeu, o milenarismo egípcio continua nos fascinando de modo irreversível. Os tesouros, as tumbas, os sarcófagos, os labirintos no interior das pirâmides, os templos imensos e a grande esfinge continuam como locais muito preciosos para o trabalho arqueológico. Duas figuras serão o tema principal deste texto: o mais jovem faraó egípcio a chegar ao poder, Tutancâmon, e o grande arqueólogo responsável pelo descobrimento da múmia e dos tesouros do faraó, Howard Carter.

O Jovem Faraó
 
Com apenas oito anos de idade, Tutancâmon, filho de Aquenáton, sobe ao trono do Egito como o senhor soberano de todas as terras do Nilo, o Hórus vivo e encarnado, a divindade manifestada em um corpo humano. Pronto para ser idolatrado por todos os súditos das terras férteis e inférteis, ele se casa com a própria irmã, Anchesenamon, com a idade de oito anos, seguindo uma prática comum entre os faraós. Tutancâmon foi filho e genro de seu próprio pai. Aos nove anos, é consagrado como Faraó de todo o reino egípcio e dos povos por conquistar. O pequeno soberano restaura então os antigos privilégios do clero e os cultos tradicionais aos deuses (que haviam sido abolidos por seu pai, o responsável pela criação da tentativa religiosa do monoteísmo, instituindo o culto ao deus único Aton, o Sol)  dedicando atenção especial ao deus Amon, o "rei dos deuses". Por conta da pouca idade, entretanto, o soberano tinha o auxílio de dois homens em especial: Aye e Horemheb, os mesmos auxiliares de seu pai. Eram eles os responsáveis pelas maiores decisões do reino. O nome Tutancâmon significa "imagem viva do deus Amon". 

Revivendo as divindades
O período no qual o jovem faraó governou era particularmente caótico: muitos dos cultos, templos e santuários foram praticamente abandonados. As expedições militares não obtinham os sucessos desejados, e a economia não estava em sua melhor fase. Como toda a cultura egípcia girava em torno dos deuses, a explicação mais recorrente na época foi a "ira dos deuses", que, diante de tal abandono, descuido e profanação, agora estariam punindo os egípcios com toda a sorte de pragas e castigos. Tutancâmon restituiu os antigos locais de culto, ordenou a reparação dos templos antigos e a construção de novos locais de adoração e monumentos em honra aos deuses. Além disso, reprimiu as demais práticas religiosas. 


Morre um deus
 Aos 19 anos de idade, por volta do ano de 1327 a.C., Tutancâmon faleceu. Entre as prováveis causas de sua morte, encontramos a defesa de historiadores como Douglas Derry, que definiu a causa do falecimento como tuberculose; já R.G Harrison, ao encontrar uma perfuração no lado esquerdo do crânio da múmia do faraó, constatou a causa da morte como decorrência de uma hemorragia, em um golpe causado por um provável assassinato ou acidente. Entretanto, essa hipótese foi abandonada em 2006, quando Ashraf Selim diagnosticou que a perfuração no crânio foi causada por um erro no processo de embalsamamento da múmia do faraó. Em 2010, a causa mais provável é tida como decorrência de infecção pela malária. Outras suposições ainda persistem, como o possível assassinato de Tutancâmon por um de seus altos conselheiros, ou até mesmo um acidente, onde ele teria sido atropelado por uma carruagem. A causa exata, contudo, permanece incerta. O jovem faraó foi sucedido por Aye, que se casou com a viúva do pequeno governante.

A descoberta do Sarcófago
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Howard Carter e Lorde Carnarvon.

Muitos arqueólogos percorreram a imensidão dos desertos procurando pela tumba perdida do menino faraó. Mas apenas um deles atingiu o objetivo, e seu nome era Howard Carter. Nascido em Kensington , em 9 de Maio de 1874, foi um prodigioso egiptólogo e arqueologista britânico, mundialmente famoso como descobridor do túmulo de Tutancâmon. No ano de 1907, ele foi contratado pelo Lorde Carnarvon para assumir algumas pesquisas arqueológicas no Vale dos Reis, no Egito. Seus trabalhos duraram até 1914, quando, por conta da Primeira Guerra Mundial, foram interrompidos. Em 1917, retoma seus trabalhos, mas recebe, em 1922, o aviso de Lorde Carnarvon de que suas buscas seriam financiadas somente por mais um ano. Agora, Howard corria contra o relógio e contra o Sol. No dia 4 de Novembro do mesmo ano, Howard descobre degraus que levavam a uma tumba. Avisou imediatamente ao Lorde Carnarvon, que foi o mais depressa possível para o local da escavação, acompanhado de sua filha. No dia 26 de novembro de 1922, Howard abre uma brecha pela qual é possível avistar os tesouros contidos na tumba. O Lorde Carnarvon lhe pergunta se era possível ver algo por aquele buraco, e Howard lhe responde de modo emblemático: "Sim, é possível ver coisas maravilhosas!". Durante todos os meses seguintes, Howard e sua equipe se dedicaram a fazer o inventário de todos os tesouros, artefatos e descobertas presentes na tumba do faraó, supervisionados pelas autoridades egípcias. Pierre Lacau, então diretor geral do Departamento de Antiguidades do Egito, fiscalizou pessoalmente a equipe de Howard. Em 16 de fevereiro de 1923 Carter finalmente consegue abrir a porta selada, e, após adentrar nela, descobre a sala da múmia de Tutancâmon. A tumba descoberta por Howard era a mais bem preservada de todas já reveladas até então, e todos os achados possuíam um imenso valor arqueológico e histórico. O evento foi amplamente coberto pela imprensa, e Howard Carter se tornou uma verdadeira celebridade. Os trabalhos de catalogação dos objetos duraram até o ano de 1932.

Consequências da descoberta 
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Howard Carter inspeciona a tumba de Tutankamon, com a múmia do faraó em seu interior.

O excelente estado de conservação não só da múmia de Tutancâmon, como também dos inúmeros objetos encontrados na câmara, permitiu que muito da cultura egípcia fosse descoberto, bem como que os conhecimentos anteriores fossem aprimorados. No local, haviam inúmeras armas, vasos, móveis, roupas, objetos decorativos e entalhes, bem como hieróglifos (sinais alfabéticos do Egito), que nos permitiram um maior conhecimento acerca da cultura e da sociedade egípcia. Muito do que sabemos hoje sobre este povo é resultado das descobertas de Howard e sua equipe. Se a tumba de Tutancâmon não tivesse sido encontrada, certamente nossos conhecimentos sobre o Egito Antigo seriam muito menores. As contribuições dos trabalhos de Howard para a História foram extremamente significativas, e talvez seja impossível mensurar sua importância.
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