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Marco Histórico
Seu ponto de encontro com a História Militar
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http://data2.collectionscanada.gc.ca/ap/a/a138042-v6.jpg
Civis holandeses em torno de um tanque Sherman.
 
O tanque M4 General Sherman, mais popularmente conhecido apenas como Sherman, foi o veículo blindado mais largamente utilizado pelas tropas Aliadas. De fabricação norte-americana, foi amplamente utilizado em apoio à infantaria, missões de reconhecimento, patrulha e escolta. Este pequeno veículo, entretanto, tinha um poder de fogo limitado e uma blindagem medíocre, o que fazia dele um alvo fácil para os tanques alemães. Mesmo isso não foi suficiente para apagar a importância das ações desempenhadas pelo "menor dos tanques de guerra".

http://i53.photobucket.com/albums/g64/PoorOldSpike/Photos/Brit-tank-factory.jpg
Linha de montagem de tanques M4 Sherman, nos Estados Unidos.
Criação
Originalmente criado para substituir o modelo de tanque médio M3 Lee, os planos para o modelo M4 Sherman foram submetidos ao Departamento de Ordenamento do Exército, em 31 de Agosto de 1940. Em Abril do mesmo ano, o projeto recebeu aprovação. O alvo central era a criação de um tanque rápido, leve, ágil e com facilidade de manobras, capaz de derrotar qualquer veículo posto em uso pelos países do Eixo, até aquele momento. As medidas do tanque também deveriam permitir que ele fosse capaz de se locomover por estradas e pontes estreitas, locais de difícil acesso e com pouco espaço para manobras.

Produção e Aprimoramentos

Uma encomenda de 50.000 modelos foi feita, e durante o processo de produção industrial, o M4 Sherman sofreu diversas modificações, sendo produzidos também os modelos variados dessa linha, como o M4A1, M4A2, M4A3, M4A4, M4A5 e o M4A6. Entretanto, essa série de modelos não representa uma evolução horizontal do tanque Sherman, mas sim, apenas mudanças pontuais no tipo de combustível utilizado, local de produção dos veículos, modelo do motor ou do sistema de câmbio, tendo as especificações centrais permanecido praticamente as mesmas durante todo o período de produção do tanque Sherman. Incrementos posteriores foram adicionados ao veículo, como, por exemplo, aumento de sua velocidade, reforço da blindagem e um canhão aprimorado de 76mm, bem como maior espaço para estocagem de munição e um motor mais potente e mais resistente às avarias. Um número de tanques Sherman recebeu, na linha de produção, um canhão howitzer de 105mm, ao invés do canhão convencional de 76mm. Um modelo inovador do Sherman foi criado posteriormente, batizado como M4A3E2 Jumbo Sherman, com uma torre maior, um calibre maior, uma blindagem mais espessa e um design especialmente projetado para atacar fortificações em missões de apoio ao desembarque na Normandia, na famosa operação do Dia D. Outros modelos recebiam configurações personalizadas, como tanques Sherman equipados com dupla direção, para operações amfíbias; outros, recebiam lança-chamas modelo R3, muito utilizados para incendiar bunkers inimigos. Estes modelos, conhecidos como Zippos, também foram largamente utilizados nas batalhas do Pacífico, contra as forças japonesas.

Variações do modelo M4 Sherman.

Missões e Desafios iniciais

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a0/Crews_climb_aboard_Sherman_tanks_of_The_Queen%27s_Bays_(2nd_Dragoon_Guards),_1st_Armoured_Division_at_El_Alamein,_24_October_1942._E18376.jpg
Tripulações britânicas embarcando em tanques Sherman, na batalha de El Alamein.
Colocado em uso em Outubro de 1942, os tanques Sherman atuaram na batalha de El Alamein à serviço do Exército Britânico. Os primeiros tanques Sherman postos em combate pelos norte-americanos desempenharam ações de campo no mês de Novembro, na região Norte da África. Desse modo, substituíram gradativamente os modelos M3. Na época, o tanque Sherman era superior aos tanques do Eixo utilizados no Norte da África, e conseguia disputar de igual para igual com os tanques da linha Panzer IV. Nas batalhas de El Alamein, os tanques Sherman se mostraram mais rápidos, ágeis, versáteis e potentes do que os utilizados pelas Afrikakorps de Rommel. Essa situação, entretanto, mudaria não muito tempo depois, com os aprimoramentos das linhas Panzer, trazendo modelos mais robustos, mais potentes e com maior blindagem e manobrabilidade.

O Sherman na Normandia
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Tropas, veículos (incluindo tanques Sherman) sendo desembarcados nas praias da Normandia.
Os desembarques na Normandia, em Junho de 1944, mostraram que os canhões de 75mm dos tanques Sherman eram inofensivos contra a blindagem dos tanques alemães Panther e Tiger. Um canhão de 76mm logo substituiu o antigo modelo, mas também se mostrou incapaz de perfurar a blindagem massiva desses tanques inimigos. A única chance que os tanques Sherman tinham contra os tanques Panther e Tiger era garantir uma aproximação considerável e tentar atingir suas laterais, onde a blindagem era mais fraca. A desvantagem técnica foi superada por uma ação conjunta, onde vários tanques Sherman trabalhavam em cooperação, junto com equipes de infantaria propriamente treinadas para destruir os tanques alemães. Essa estratégia mostrou muita eficácia, mas as perdas foram grandes para os Aliados.

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Filas de tanques Sherman agrupados, em Utah, à serviço da Divisão Armada Francesa.

 O Sherman no Pacífico
M4 Sherman tank 775th Tank Battalion and Ohio National Guard engaged on Luzon Philippines 1945
Tanque Sherman em apoio à infantaria, utilizado em uma ilha do Pacífico contra os japoneses.
Os tanques Sherman foram largamente utilizados na guerra do Pacífico contra os japoneses. Nesta altura do conflito, os japoneses praticamente dispensaram a produção de qualquer veículo blindado pesado maior do que modelos de tanques leves, fazendo com que mesmo os Sherman equipados com canhões 75mm se tornassem praticamente invencíveis no campo de combate. Equipados principalmente com lança chamas, estes tanques atacavam os esconderijos, túneis e cavernas onde os japoneses se escondiam. A grande quantidade de ilhas do arquipélago exigia a capacidade anfíbia destes tanques, o que facilitava seu transporte mesmo em locais de difícil acesso. O tanque Sherman servia também para oferecer apoio às infantarias. Com os alemães fora de jogo, o pequeno tanque tornou-se senhor soberano dos campos de batalha. 

 







Saldos e conquistas
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Tanque Sherman dando suporte à infantaria, em uma batalha na cidade de Wernberg, na Alemanha, em Abril de 1945.
 
50.000 tanques foram produzidos entre 1942 e 1945. Desempenharam ações na Europa, na Rússia, na Ásia, na África e no Pacífico. Inicialmente, não encontravam grandes desafios ou oponentes à altura, mas logo se mostraram inferiores aos inovadores Tiger e Panther. Os tanques Sherman não eram exatamente os veículos mais seguros: o armazenamento de combustível e munição e a fraca blindagem tornavam estes veículos como bombas explosivas, sendo praticamente impossível para uma tripulação abandonar estes veículos em casos de emergência. Essa falha técnica causou a morte de muitos tripulantes de tanques. Entretanto, sua alta velocidade, seu grande raio de alcance operacional, sua facilidade de manobra, a versatilidade de seus componentes (permitindo alterações rápidas e significativas, além de personalizações) fizeram do Sherman o tanque mais flexível e adaptável da Segunda Guerra Mundial. Certamente, não foi o mais poderoso dos veículos, mas foi um pequeno Davi que derrubou inúmeros Golias.


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Vasily Zaitsev, de branco, durante uma inspeção de rifles.
O rápido avanço dos alemães seria brutalmente desacelerado pelas táticas de guerrilha dos russos. A ação dos atiradores de elite se mostraria fatal para as forças do Reich. Em cada casa, em cada prédio, em cada esquina, em cada torre, morava o perigo e a morte na ponta dos rifles de precisão. Um homem desempenhou este papel com maestria considerável e ganhou destaque em suas ações de campo. Este homem, a "lebre", tornaria-se o flagelo dos nazistas na mítica cidade de Stalingrado.

O avô e o rifle

Na foto, Vasily, à esquerda.

Nascido em uma família pobre de camponeses no pequeno e remoto vilarejo de Yelenovsk, na região de Chelyabinsk, nos Urais, Vasily aprendeu a atirar com seu avô - um exímio caçador - quando ainda era apenas um menino. Com o avô e acompanhado do irmão mais novo, Vasily aprendeu a construir armadilhas, atirar apenas uma única vez para abater um alvo, se camuflar e observar os objetivos. Com doze anos, Vasily matou seu primeiro lobo, utilizando um rifle Berdan. Estas importantes lições e essa fase inicial da vida de Vasily fizeram dele um dos mais proeminentes atiradores de elite de toda a História mundial. Vasily também adquiriu a habilidade de não depender do uso de miras telescópicas para atirar, utilizando, desde cedo, armas sem estes acessórios.

Caçando em Stalingrado

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Vasily Zaitsev e seu camarada Kulikov.

O pequeno garoto caçador cresceu. E, já no ano de 1937, Vasily foi recrutado para o Exército Vermelho, servindo em um regimento da Marinha Soviética no Pacífico, próximo à cidade de Vladivostok. Quando os alemães invadiram a União Soviética, em Junho de 1941, Vasily se voluntariou com muitos de seus amigos para lutar na linha de frente. Nessa época, ele já havia alcançado o posto de Sargento Major. No dia 22 de Setembro de 1942, ele cruza o rio Volga e se une ao 1047º Regimento de Rifles da 284ª Divisão do 62º Exército. Logo em combate, rapidamente ele deixou claro o seu valor e sua maestria como franco atirador: seu oficial de regimento lhe mostrou um oficial alemão em uma janela, a 800 metros de distância, solicitando que Vasily eliminasse o alvo. Com um só tiro, ele matou o oficial inimigo, e com outros dois tiros, matou outros dois soldados alemães. Zaitsev recebeu a Medalha de Valor e um rifle novo como reconhecimento pelo ato. Durante os dias de 10 de Novembro a 17 de Dezembro de 1942, 225 mortes (11 destes, atiradores de elite) verificadas foram creditadas à Vasily, que, a esta altura, já se tornara uma lenda viva. Ele era capaz de se esconder em uma infinidade de lugares: dentro de canos, camuflado no chão, abaixo da neve e em edificações. Permanecia em um local e, após eliminar alguns alvos, mudava de posição antes que pudesse ser encontrado. Juntamente com seu companheiro, Nikolay Kulikov, Vasily era capaz de cobrir grandes áreas e atingir alvos em posições muito distantes e de difícil visualização. Nikolay auxiliava Vasily, identificando atiradores de elite inimigos e, assim, evitando que ele fosse abatido, agindo como uma espécie de "anjo da guarda". A arma favorita de Vasily tornou-se o rifle russo Mosin Nagant.

Luta de Titãs

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À esquerda, Vasily, acompanhado de seus colegas atiradores.

As baixas causadas por Vasily foram tão consideráveis que seus efeitos provocaram uma grande redução na moral das tropas alemãs estacionadas em Stalingrado. A situação se deteriorou a tal ponto que o Alto Comando alemão escalou aquele que provavelmente foi o melhor de seus atiradores com a missão de eliminar Zaitsev. Esse atirar atendia pelo nome de Heinz Thorvald, também conhecido pelo codinome de Erwin König, conhecido como o "super atirador". Heinz era altamente especializado e possuía uma habilidade considerável, sendo o mais proeminente atirador da Escola de tiro de Berlim. Heinz se dirige à Stalingrado, e então começa a "caçada ao caçador". Zaitsev relata, posteriormente, que Heinz era extremamente difícil de ser encontrado. Dois dos amigos de Zaitsev foram feridos por ele. Kulikov, em um ato estratégico, levantou um capacete com uma baioneta, na altura da janela do prédio no qual estavam, e um tiro acertou quase que instantaneamente o equipamento. Assim, Heinz fatalmente revelou sua posição e, ao cometer o erro de se expor na janela para verificar o alvo, Zaitsev conseguiu matá-lo com um disparo na cabeça.

"Para nós, não há nenhuma terra atrás do Volga!"

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Ao centro, Vasily.

Vasily treinava novos atiradores enquanto servia em campo, até Janeiro de 1943, quando, ferido fatalmente por um disparo de morteiro, ficou temporariamente cego. Levado a Moscou, foi operado pelo doutor Filatov, o mais proeminente oftalmologista russo da época. Enquanto ele se recuperava, seus discípulos, conhecidos como zaichata, continuaram aplicando as excelentes lições que receberam. Somente a eles foram creditadas 6000 baixas alemãs durante toda a Segunda Guerra. Com a visão finalmente recuperada, Zaitsev retorna ao campo de combate, continua instruindo novos atiradores e passa a comandar uma equipe de morteiros, tornando-se Comandante de Regimento. Lutou nas batalhas da Ucrânia, em Dnepr e Odessa, agindo principalmente em torno do rio Dniestr. Quando os soviéticos finalmente derrotaram os alemães, em 9 de Maio de 1945, Zaitsev estava em uma cama num hospital, novamente por conta dum grave ferimento. Ao fim da guerra, Zaitsev já estava no posto de Capitão.

 

Descanso para os dedos

Vasily, já velho, após a guerra.
Após a guerra, Zaitsev viveu em Kiev, na Ucrânia. Formou-se em engenharia e atuou na profissão, tornando-se diretor de uma indústria. Vasily morreu em 1991, e foi enterrado em Kiev, contrariando seu pedido de ser enterrado no lugar onde mais lutou: Stalingrado. Entretanto, no 63º Aniversário da Batalha de Stalingrado, seu desejo foi realizado, tendo seu corpo sido exumado e transportado para a cidade de Stalingrado, onde repousa atualmente. Enterrado com todas as honrarias apropriadas no monumento de Mamayev Kurgan, um símbolo em homenagem aos milhões de mortos na guerra. Seu rifle mosin nagant é até hoje exibido no Museu para a Defesa de Stalingrado. Entre outras condecorações, ele recebeu a medalha de Herói da União Soviética, a medalha da Ordem de Lênin, duas medalhas da Ordem da Bandeira Vermelha, uma medalha de primeira classe da Ordem da Guerra Patriótica, uma da Defesa de Stalingrado e outra da Vitória Sobre a Alemanha. Vasily foi mais que um excelente atirador: foi o ícone patriótico e a inspiração para uma Rússia desmoralizada, trazendo vigor, moral e esperança para um exército que sofria constantemente com a derrota e a resignação. Ele é creditado por ter eliminado mais de 300 soldados nazistas durante sua atuação.
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Soldados britânicos, em 1916, em uma trincheira na região do Somme.

Em uma tentativa de, decisivamente, infligir pesadas derrotas aos alemães, a Batalha do Somme foi um esforço conjunto franco-britânico na região francesa do rio Somme, onde uma grande concentração de soldados alemães estava disposta. O objetivo primário da operação era abrir caminho entre as defesas alemãs, permitindo, dessa forma, realizar um movimento de "pinça" e cercar as posições alemãs. Somme representou um dos piores e mais graves impasses de toda a Primeira Guerra Mundial, mostrando-se ao mesmo tempo uma operação custosa e "irrealizável".

O plano
A operação do Somme tinha como objetivo central romper as linhas defensivas alemãs que se estendiam ao longo de 19km, prolongando-se ao longo de todo o rio francês que deu nome a esta operação. A operação era, na verdade, um tipo de manobra secundária para retirar a sobrecarga de concentração de forças alemãs em Verdun, reorientando-as para a região do Somme. Assim, as fortificações alemãs de Verdun ficariam mais vulneráveis, permitindo o avanço das tropas aliadas. Contudo, essa tática se mostraria extremamente custosa em termos humanos.

O erro
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Alemães avançando em uma contra-ofensiva, no Somme.
O mês de Junho foi decisivo. De 25 a 28 deste mês, os ingleses e franceses realizaram uma série de bombardeios contínuos nas posições alemãs. A carga de disparos foi tão massiva que o campo de batalha ficou irreconhecível, completamente esburacado e, com as chuvas, transformado em um verdadeiro lamaçal. As baixas nos alemães, entretanto, foram muito pequenas. Em uma posição vantajosa no terreno, suas trincheiras ofereceram uma verdadeira proteção. Os inúmeros bombardeios prévios apenas dificultaram o avanço das tropas franco-inglesas. Uma grande carga de bombas químicas foi utilizada, sobretudo armas com base em cloro. Os ingleses utilizaram bombardeiros obuses para atacar as posições alemãs. Os franceses estavam obstinados em defender as posições de Verdun, e isso lhes impossibilitou de concentrar esforços no Somme. Desse modo, os alemães conseguiram não apenas resistir no Somme como prender um grande número de contingente francês em Verdun, obtendo a vantagem geográfica em ambos os campos de batalha. 

O Dia Escuro
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Linha de artilharia aliada bombardeando as posições alemãs. Essa tática de bombardeios prévios se mostrou muito prejudicial do ponto de vista tático, o que prejudicou os avanços aliados.
 
O dia 1 de Julho de 1916 se tornaria em um grande morticínio para os aliados. Às 06:30 daquela manhã, uma série de bombardeios é feita em toda a linha de frente, preparando o avanço da infantaria. A linha de artilharia se estendeu deste o Norte do Ancre até o Sul do Somme. Às 07:30, os efeitos do bombardeio são sentidos pelos alemães, que sofrem baixas consideráveis com a linha de fogo. A partir desse horário, os alemães começam a revidar, com metralhadoras, o avanço da massa de homens que se dirigia às suas posições. A batalha se resumiu a uma "corrida": os aliados deveriam alcançar as trincheiras e posições avançadas alemãs antes que eles se dirigissem para as posições mais fortificadas (os "degraus"). A maior parte dos soldados aliados, na ofensiva, morreu pelo fogo da artilharia inimiga. Os poucos que conseguiram chegar vivos às trincheiras alemãs encaravam imensas extensões de arame farpado que lhes barrava o avanço, fazendo-os perecer também pela artilharia inimiga ou queimados vivos por lança-chamas. No dia 2 de Julho, o general Sir Douglas Haig desiste de tentar qualquer ofensiva ou ação surpresa, por conta das imensas perdas sofridas no dia anterior. No dia 3 de Julho, um ataque entre Ginchy e Contalmaison é tentado, com o objetivo de romper a Segunda Linha alemã. Um ataque de cavalaria, na região das High Woods, foi interpelado pelos alemães. No dia 15 de Julho, uma brigada sul-africana tenta um ataque através do bosque de Delville, mas esse ataque também é repelido pelos alemães, em uma luta ensanguentada. Nos dias 16 e 17, uma série de ataques franceses nas linhas de Bapaume a Peronne foram realizados, todos mal sucedidos. O uso excessivo de artilharia precedendo cada ataque matava poucos alemães, destruía o terreno (tornando o avanço mais dificultoso) e ao mesmo tempo eliminava o fator surpresa, causando enormes baixas a cada avanço aliado. De 22 a 25 de Julho os aliados tentam avançar pela linha de Pozières, tendo todos os avanços sido fracassados. Os alemães, sob o comando do general Von Gallwitz, reforçam suas defesas. A prática continua: avanços aliados mal sucedidos resultando em poucas baixas para os alemães.

Um pouco de Esperança
 Durante os fins do mês de Agosto, as ofensivas diminuíram, principalmente pela série de chuvas. O recuo nas linhas alemãs foi extremamente pequeno: apenas 8km.  De 3 a 14 de Setembro, os aliados abrem uma nova série de ofensivas, capturando Barleux e Bouchavesnes dos alemães. Os alemães contra-atacaram tentando recuperar Bouchavesnes, mas foram repelidos, e no dia 26 os britânicos tomam Combles, onde havia uma posição avançada alemã. A 1ª Batalha do Somme termina em 17 de Novembro.


Um drama inesquecível
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Tropas imperiais britânicas de uma divisão escocesa, em uma trincheira. A vida nas trincheiras era um verdadeiro inferno.

A Batalha do Somme não conseguiu alcançar seu objetivo principal: o avanço dos aliados foi mínimo, as perdas foram imensas, as conquistas foram limitadas e os alemães não retiraram o excesso de tropas de Verdun. Ao contrário: não só os alemães reforçaram Verdun como impediram um grande contingente de franceses de avançar para o Somme, o que foi um verdadeiro resultado irônico e uma virada de jogo. A moral dos aliados, especialmente dos britânicos, foi abalada não só durante todo o restante do primeiro conflito mundial, mas para todo o sempre. Adolf Hitler serviu na batalha do Somme pela 6ª Divisão Bávara da Reserva, sendo ferido com um tiro na perna, em 7 de Outubro do ano de 1916. 

 O Morticínio
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Tropas alemãs em uma ofensiva.
Do lado dos aliados, contamos um total de 620.000 mortos, feridos, capturados ou desaparecidos. Do lado dos alemães, o número foi menor, mas não menos significante: 450.000 mortos, capturados ou desaparecidos. Um dos piores episódios da Primeira Guerra Mundial, a Batalha do Somme mostrou a irracionalidade da guerra de trincheiras, dos bombardeios excessivos e o desperdício ilógico de vidas humanas em avanços e ofensivas descoordenados, de pouco sucesso e com vitórias pequenas ao peso de numerosas baixas, muitas vezes, irreversíveis.
 

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General Patton.

"Meu caro Ike, hoje eu cuspi no rio Sena".
Talvez poucos comandantes militares norte-americanos tenham exercido um papel tão influente quanto o do general George Smith Patton Junior, um homem tão reconhecido por seu modo excêntrico, pragmático, destemido e incisivo de agir  quanto por suas bem sucedidas campanhas militares. Especialmente reconhecido por seu comando em unidades motorizadas e infantarias, Patton desempenhou uma série de campanhas no front ocidental, na Europa, libertando várias áreas do controle das forças do Eixo. Observador analítico das estratégias e do modus operandi dos nazistas conduzirem suas unidades motorizadas e da estratégia de guerra rápida da Blitzkrieg, Patton conseguiu de modo inteligente adaptar algumas dessas estratégias e táticas para o seu próprio uso, o que aumentou consideravelmente o potencial das forças Aliadas.

O garoto de San Gabriel
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Patton ainda jovem.
Nascido em 11 de Novembro de 1885 na cidade de San Gabriel, no estado da Califórnia, logo entrou para a Academia Militar em West Point, onde recebeu toda a instrução necessária. Em um rápido crescimento em sua carreira, Patton logo exerce cargos de comando, liderando o 3º Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Durante o conflito, teria papel decisivo em importantes batalhas e operações, como a Operação Torch, Operação Overlord e o avanço aos arredores de Berlim. Patton nasceu em uma família com grande passado militar, tendo seus ancestrais lutado na Revolução, na Guerra do México e na Guerra Civil. Casou-se com Beatrice Ayer dentro do quartel em West Point. Sua primeira experiência de batalha foi no ano de 1915, sob o comando de John Pershing, contra o famoso revolucionário mexicano Pancho Villa. Com a explosão da Primeira Guerra Mundial e o começo da disseminação do uso de tanques e veículos blindados, Patton, já em 1917, tornou-se o primeiro membro e um dos patronos do Corpo de Tanques dos EUA, vencendo, no mesmo ano, a importante batalha em Cambrai, França, no que podemos considerar como a primeira grande batalha de tanques da História.Na França, treinou os primeiros 500 soldados de tanques norte-americanos na escola fundada em Bourg, e, dispondo de 345 tanques na época, exerceu papel decisivo na Operação de Meuse-Argonne, em Setembro de 1918. Patton criou um sistema de comunicação pouco convencional, mas muito eficiente, durante esta época, utilizando mensageiros a pé e também pombos correio. Durante uma dessas operações, Patton foi atingido na perna. Suas ações lhe valeram a condecoração com a Cruz de Serviço Distinto por Heroísmo (Distinguished Service Cross for Heroism). Patton foi um visionário à frente de seu tempo, prevendo o enorme uso e valor de corpos de tanques e veículos blindados nas batalhas, e defendeu, desde aquela época, o investimento pesado em unidades motorizadas nos EUA. Após a Primeira Guerra, Patton exerceu diversos cargos em bases do Hawaii e Washington D.C.; formando-se no Command and General Staff School (Escola de Comando e Equipe Geral) em 1924, e no Army War College (Colégio de Guerra do Exército) em 1932.
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Eike, em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, à serviço, na França.

 Aprendendo com a Blitzkrieg 
Quando a tática alemã da Blitzkrieg toma corpo e funcionamento na Europa, Patton reforça seus apelos junto ao Congresso norte-americano para a necessidade de formar uma força mais consistente para impacto em batalha, principalmente no que se referia às unidades blindadas. Em 1940, com a criação da Força Blindada (Armored Force), Patton foi transferido para a Segunda Divisão Blindada em Fort Benning, na Geórgia. Em 1941 foi nomeado como General em Comando. Em Dezembro de 1941 os EUA entram oficialmente no conflito, por conta especialmente do ataque sofrido em Pearl Harbor. Patton teria uma série de sucessos durante todo o teatro de operações. Defensor da prática, da iniciativa, do forte ataque e o choque contundente e, aprendendo as lições ensinadas pela Blitzkrieg, advogando em defesa da interação entre as diferentes unidades das Forças Armadas e as operações conjuntas dessas forças.

Operação Torch
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Aliados avançando pelo Norte da África.
Franklin Roosevelt, presidente dos EUA à época, juntamente com Winston Churchill, primeiro ministro britânico, decidiram abrir um novo front, realizando operações no Norte da África contra as Afrikakorps alemãs. Em Novembro de 1942, Patton liderou as missões que libertaram Marrocos, Argélia e Tunísia do controle do Eixo. Em 1943, Patton derrotou Rommel em uma batalha desempenhada em Túnis, aprisionando aproximadamente 200.000 alemães. Tanto as ações de Montgomery quanto de Patton foram decisivas para o recuo do front alemão na África e a consequente perda de posições estratégicas, especialmente pontos de fornecimento de matérias primas e combustíveis, o que enfraqueceu também o front alemão na Europa.

Operação Husky
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Linha de Tanques Sherman, avançando ao longo da Tunísia.
Patton recebeu o comando do 7º Exército durante a Operação Husky, desenvolvida num teatro de operações na Itália, libertando as cidades de Palermo e Messina, o que contribuiu decisivamente para o bem sucedido desembarque das tropas aliadas no Sul da Itália, na Sicília. As vitórias na Itália enfraqueceram as forças alemãs e retiraram de seu controle importantes cidades portuárias, o que prejudicou decisivamente o envio de suprimentos para as tropas de Rommel e suas Afrikakorps no continente africano. Desse modo, Montgomery pôde obter mais vitórias sobre os alemães.

Operação Overlord
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Na foto, o general Patton em um tanque de guerra.
Mais conhecida como Dia D, a Operação Overlord tomou forma no desembarque da Normandia, numa ação conjunta das tropas dos EUA, Canadá, Reino Unido e França. Patton defendia o uso de grandes unidades de forças motorizadas e blindadas para adentrar pelo front ocidental, liberando, assim, a Europa. Em uma estratégia que visava despistar os alemães, diversos anúncios foram emitidos dando a entender que o grosso das tropas seria conduzido por Pais-de-Calais, a Leste da Normandia. Estas informações falsas emitidas propositalmente foram conduzidas pela Operação Guarda Costas, confundindo a mobilização de tropas alemãs. Para isso, um exército fictício foi criado, recebendo o nome de FUSAG - First United States Army (Primeiro Exército dos Estados Unidos), do qual Patton seria o comandante. Com essa rede de desinformações, os alemães não fizeram as mobilizações necessárias, o que permitiu um avanço mais rápido das tropas aliadas pela Normandia. Desse modo, a corrida de Patton até o rio Sena começava, agora, a se acelerar.
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Soldados norte-americanos sendo transportados em um LCVP, nas praias da Normandia, no famoso Dia D.
 Sangue nas Ardenas
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Tropas norte-americanas nas Ardenas, na região de Amonines,na Bélgica.

No dia 16 de Dezembro de 1944, Patton conduziu uma série de manobras nas Ardenas, na França. Nessa ocasião, Hitler pretendia cortar as comunicações dos Aliados através de uma grande operação ofensiva, especialmente com o objetivo de dominar a Antuérpia. De fato, os Aliados possuíam posições frágeis na região, o que favoreceu a decisão de Hitler. Na fronteira entre a Alemanha e a Bélgica, Patton realizou o comando de diversas batalhas, sendo a principal delas aquela responsável pelo resgate de cerca de 18.000 soldados norte-americanos isolados pelos alemães na cidade de Bastogne. Patton cruzou o rio Reno, apesar de ordens proibindo-o de fazer isto. Tal feito foi atribuído a Montgomery, o que deixou Patton extremamente irritado e apenas deteriorou as já péssimas relações entre ele e o comandante britânico.

Berlim deve ser nossa
Patton observava com receio o avanço soviético vindo do Leste. Ele sabia que, após o confronto, EUA, a União Soviética seria a outra superpotência. Durante algum tempo, as tropas soviéticas a leste e ocidentais a oeste permaneceram num impasse para decidir quem seria responsável pela invasão de Berlim. Em uma decisão que visava preservar as tropas, os aliados ocidentais permitiram a invasão pelos soviéticos. A batalha sangrenta não agradava o Alto Comando, que, no campo de operações da Normandia, havia perdido um número considerável de vidas. A tarefa ensanguentada ficou, então, ao encargo dos russos. Patton, durante todo o momento, seria contrário a esta decisão, mas suas opiniões não foram ouvidas.

Pós Guerra
Ao fim da Segunda Guerra Mundial, Patton trabalhou como escritor. Ele escreveu um diário de guerra compilado por sua esposa Beatrice, intitulado "War as I knew It"(A Guerra como eu a Vi), tendo sido publicado em 1974. Patton deixou um enorme legado aos norte-americanos, podendo ser considerado como o patrono das unidades motorizadas e blindadas - mais especificamente, os corpos de tanques de guerra - dos EUA, bem como as primeiras escolas de formação de tripulações para tanques de guerra. Exímio estrategista, foi o grande responsável pelo avanço dos Aliados no front ocidental, fazendo as forças alemãs recuarem decisivamente. Não apenas "copiou" estratégias alemãs como a Blitzkrieg, adaptando-as às suas tropas, como também criou táticas próprias e inovadoras. Patton prezava pela vida de seus comandados e seu modo pragmático e incisivo fazia com que ele se tornasse cada vez mais um comandante respeitado e amado por seus subordinados.

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