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Marco Histórico
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http://www-tc.pbs.org/kenburns/prohibition/media/photos/S1151-lg.jpg?101220111134AM
Gangsters judeus presos. A máfia judaica atuou diretamente nos empreendimentos de Nova York e no estabelecimento
do crime organizado de cidades como Las Vegas e Los Angeles.
Essa semana, o Marco Histórico traz uma série de textos sobre gangues e grupos criminosos do Brasil e do Mundo. Hoje, o tema é a máfia judaica norte-americana.

Oportunidades e Trabalho
Manhattan
A cidade de Nova York em uma foto tirada no ano de 1936. Pessoas do mundo inteiro vieram para a terra
das oportunidades e construíram os maiores arranha céus do mundo.
A cidade de Nova York, fixada na não tão promissora ilha de Manhattan (mas que se tornou o centro financeiro do mundo) foi construída, como praticamente todo os EUA, pelas mãos dos imigrantes oriundos das mais diversas partes do mundo. O espírito cosmopolita e multicultural é a base e a essência da cidade de Nova York. Estes imigrantes, geralmente fugitivos de guerras paupérrimos, que nada mais traziam consigo além de suas malas e suas poucas roupas e o desejo de prosperar na "terra das oportunidades", construíram sua riqueza com trabalho duro e honesto. Mas nem todos eles trabalharam tão honestamente assim. As gangues logo tornaram-se elemento presente na cultura nova iorquina, e dentre essas gangues vários judeus fizeram sua fama.

Terra Prometida
Os imigrantes judeus, assim como a maioria dos imigrantes das mais diversas nacionalidades, chegaram até a cidade de Nova York atraídos pela promessa de enriquecimento fácil e pelas múltiplas oportunidades que a cidade (na época apenas menor que Londres) - ainda em formação - oferecia. A maioria desses imigrantes fugia de uma Europa que via o nascimento do Nazismo e do Fascismo, buscando ao mesmo tempo refúgio e esperança diante de um cenário perigoso. Grande parte desses imigrantes judeus era extremamente pobre (mas altamente empreendedora). Parece ser mentira o mito de que todo o judeu é rico, mas certamente todo o judeu parece possuir um espírito empreendedor. 

Delancey Street
Em primeiro plano, uma típica loja judaica de roupas. Os imigrantes judeus começaram seu progresso com pequenas lojas, principalmente de tecelagem.

Tecelagem e... gangues.

Esse empreendedorismo judeu tomou seu espaço na cidade de Nova York. Cada nacionalidade tinha seu ramo específico de empreendimento: os italianos prosperaram com seus restaurantes, os coreanos enriqueceram com suas lojas de horticultura, os franceses tornaram-se famosos por sua arte de relojoaria e antiquários, e os judeus logo ganharam seu lugar ao sol praticamente monopolizando o ramo da tecelagem. Mas nem só do comércio de tecidos veio a prosperidade dos judeus nova nova-iorquinos: logo eles também estabeleceriam suas gangues, não menos violentas do que qualquer grupo de máfia italiana ou russa.

A Lei Seca: mina de ouro
De 1920 a 1933 o comércio de bebidas alcoólicas foi totalmente proibido nos EUA. Isso criou uma oportunidade ímpar para as diversas gangues que encontraram no tráfico de bebidas uma fonte lucrativa de ganhos. Os judeus souberam fazer dinheiro contrabandeando álcool. Com a justificativa de utilizar bebidas para fins rabínicos (alguns tipos e quantidades de álcool eram permitidos para atividades religiosas), o acesso às bebidas era facilitado para os gangsters judeus. Algumas sinagogas tinham 400 ou 500 membros inscritos, quando na verdade não tinham nem sequer 60 membros. Esse escândalo logo manchou a imagem pacífica e honesta que permeava a comunidade judaica, e os próprios rabinos começaram uma política de"limpeza" moral, desfazendo as fraudes que eram colocadas para o acesso ao álcool.

Jogos e atividades obscuras
http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2012/02/26/article-2106691-11EB86DC000005DC-690_468x428.jpg
Homens como Bugsy Siegel atuaram em atividades criminosas de jogos de azar,
especialmente em cidades como Las Vegas.

A máfia judaica (apelidada comicamente de "Kosher Nostra") não fazia apenas tráfico de bebidas. Entre outras atividades, atuavam como assassinos de aluguel, traficantes de diamantes, além de fazer serviços de "proteção" (leia-se extorsão), assassinatos de aluguel e participação em jogos de azar. A máfia judaica não estava restrita à cidade de Nova York: também atuavam em cidades como Nova Jersey, Chicago, Flórida e Los Angeles. A própria cidade de Las Vegas foi "fundada" com a participação direta de gangsters como o judeu Bugsy Siegel, que ganharam rios de dinheiro sujo que era lavado através dos diversos cassinos dirigidos pela máfia. 

A Lei da Selva
Jewish gangster Meyer Lansky, pictured here in 1951, was known for running one of the most violent Prohibition gangs in New York
Meyer Lansky, em foto tirada em 1951, conhecido como o líder de uma das mais
violentas gangues de Nova York.
O fenômeno das gangues foi um processo "natural" para uma cidade multicultural como Nova Iorque. Estes grupos, inicialmente, serviam como proteção para as diversas comunidades das mais variadas nacionalidades. Um bairro de italianos tinha sua própria "gangue de proteção", bem como os irlandeses, ingleses, franceses, mexicanos, russos, coreanos e não seria diferente com os judeus. É fato que a intolerância racial era muito menor na cidade do dinheiro (em plena Segregação Racial norte-americana, os negros e brancos continuaram frequentando as mesmas escolas em Nova Iorque), mas isso não impedia que a violência entre os grupos aparecesse, mesmo que ocasionalmente. Estes grupos, inicialmente de uns poucos jovens, tornaram-se em grandes empreendimentos que se envolveram em atividades mais obscuras como assassinato, extorsão e jogos de azar, além de tráfico de armas e drogas. Muitos membros das gangues nunca chegavam a se envolver com atividades ilegais: eram membros de "associações" que, na verdade, eram obrigados a pagar taxas para que não sofressem represálias. 



Um tabu de ferro
Ninguém se assusta com irlandeses e italianos se envolvendo em atividades criminosas. Estas comunidades são conhecidas pelo envolvimento de alguns de seus membros em atividades violentas. Mas não se espera que imigrantes judeus, tidos pelo senso comum como pacíficos e empreendedores se dediquem às atividades de gangues. O fato é que a máfia judaica tomou papel decisivo no próprio desenvolvimento econômico e político de Nova Iorque e de diversas outras cidades, como a famosa Las Vegas (lugar com maior concentração de turistas no mundo). Não foi nem mais nem menos violenta do que qualquer outra máfia de qualquer outra nacionalidade. O diferencial dos judeus era a capacidade de diversificar suas ações e expandir seus negócios. Enquanto os italianos se especializavam em extorsões e os irlandeses dominavam a área de construção civil, os mafiosos judeus conseguiam desempenhar contrabando tão bem quanto assassinatos de aluguel, desempenhando atividades consideradas "altas demais" e, mesmo assim, não recusando trabalhos sujos considerados "inferiores".

 A página registra sua homenagem ao comediante Roberto Bolaños, criador de inúmeros personagens, dentre eles, o famoso Chaves e toda a sua turma. Bolaños certamente foi um ícone mexicano, mas, acima disso, um ícone de toda a América Latina. Sua trajetória como humorista, escritor e ator certamente não será apagada por conta de sua morte. Ele agora descansa, mas seu trabalho permanecerá eterno.

Nossas homenagens ao homem que durante toda a sua vida nos fez rir e nos ensinou um pouco sobre o autêntico humor, a autêntica alegria.

Descanse bem, Chespirito! 


Você consegue imaginar um homem sobreviver à mais sangrenta guerra da História humana apenas com uma "arma" de madeira? Consegue imaginá-lo sendo não apenas um dos poucos sobreviventes, mas um dos únicos que não sofreu nenhum ferimento de guerra? Esse homem existiu, e seu nome foi Franz Hasel: o pacifista que não matou, não morreu e partiu da guerra com sua consciência limpa. E, como se isso não fosse o bastante, desafiou o regime nazista e viveu pra contar seus feitos.

Um homem de 40 anos é convocado
Quando Gerhard Franz Hasel foi convocado, a Alemanha estava em seu pleno auge expansionista. Mas não era de se imaginar que um homem de 40 anos de idade também fosse convocado. Em 1939, ele foi convocado para a guerra. E não foi enviado para uma companhia qualquer: Franz foi escalado para uma unidade de frente de batalha, de soldados de elite, nomeada de Companhia Pioneira 699. A tarefa dos soldados dessa companhia era assegurar a linha de frente, abrir estradas, construir pontes e passagens para que as tropas da retaguarda pudessem avançar. Franz já havia servido nessa unidade de elite durante a Primeira Guerra Mundial. Assim, o homem que não queria fazer guerra teve de deixar para trás sua esposa e seus três pequenos filhos.

Um pacifista no campo de batalha
Na foto, Franz Hasel com sua esposa Helene, sua filha Lotte, seu filho Kurt e seu filho Gerhard.
Franz foi enviado para o fronte na França, 75km longe de seu lar, em Frankfurt. A missão de Franz e seus colegas era garantir passagens para os veículos que teriam diante de si uma missão praticamente impossível: ultrapassar a famosa linha Maginot, uma série de fortificações na fronteira da Alemanha com a França, estendendo-se por 150km. Para os franceses, essa era uma linha intransponível. Mas os ataques aéreos alemães e a manobra pelas Ardenas (uma região montanhosa repleta de árvores), uma região por onde os franceses jamais esperariam um avanço, garantiram que a França fosse dominada em cinco semanas. Em Junho de 1940, os nazistas tomaram Paris.

Rumo ao Leste
Hasel, junto com sua companhia, atravessou a fronteira com a Ucrânia no dia 1 de Julho de 1941. Agora, ele estava na frente Oriental, a mais sangrenta de toda a Segunda Grande Guerra. Conforme os nazistas avançavam pela Ucrânia, eram recebidos como heróis pelos ucranianos, vítimas do pesado jugo soviético. Só em Agosto de 1941, os soviéticos já haviam perdido cerca de 3 milhões de soldados. A vitória parecia fácil e rápida, além de garantida. Entretanto, Hasel não matou um só inimigo nem jamais fez qualquer prisioneiro. O comportamento pacifista de Hasel, completamente diferente da atmosfera e do contexto da guerra, o colocou em perigo por diversas vezes. 

Hasel com seu rifle de treinamento. Durante a guerra,
ele jogaria fora sua arma e só usaria um simulacro de
madeira.
Convicções pessoais
Hasel era um alemão. Um alemão da época nazista. Não é difícil imaginar que ele e sua família tenham seguido a onda dos milhões de compatriotas que rendiam suas vidas ao ideário hitlerista. Mas Hasel e sua casa literalmente foram contra a multidão. Eles jamais se alistaram no Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista. Hasel e sua família (sua esposa Helene, sua filha do meio Lotte, seu filho mais velho Kurt e seu filho mais novo, Gerhard) eram adventistas do sétimo dia. A Igreja Adventista do Sétimo Dia foi uma das poucas instituições religiosas da Alemanha que não ofereceram apoio ao regime nazista. Na verdade, para as autoridades nazistas, ser adventista era sinônimo de ser judeu. Assim, tanto Franz quanto sua família sofreram diversos assédios durante todo o período nazista. Hasel não poderia participar ativamente de uma guerra: ele foi para o campo de batalha contra a sua vontade. Mas, segundo suas determinações espirituais, decidiu que não mataria, mesmo que fosse necessário fazer isso para se defender. Se ele voltasse vivo, seria unicamente por conta da vontade divina. A fé de Hasel foi totalmente contrária aos princípios racionais básicos de um soldado no campo de batalha. Mas ele não somente iria sobreviver, como toda a sua família sairia intacta. 

Sem filiação, sem comida
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Unidade da Juventude Hitlerista (Hitlerjugend). Kurt, o filho mais velho de Hasel e Helene, chegou a participar temporariamente da organização, mas ao perceber a ideologia do movimento, Helene retirou-o do grupo. Eventualmente, Kurt teve de fugir.
Enquanto Franz estava no campo de batalha, Helene e seus filhos estavam em Frankfurt. Como Helene não era membro do Partido Nazista, sofria graves riscos de perder seus vales de alimentação e outros benefícios sociais. Como seus filhos não estudavam aos sábados, por diversas vezes ela sofreu a pressão do diretor da escola, com ameaças de que eles seriam expulsos e não poderiam concluir seus estudos. Doering, um vizinho seu, membro do Partido, começou a assediar Helene dizendo que, caso ela não se filiasse, perderia a guarda de seus filhos. A sra. Holling, uma vizinha judia de Helene, foi levada pela Gestapo e levada ao campo de concentração de Theresienstadt. Felizmente, ao fim da guerra, ela voltou com vida. Helene teve de viver escondida, durante um tempo, em uma floresta, junto com a sra. Fischer, uma caridosa e gentil senhora que deu abrigo a ela e a seus filhos. Certa vez, quando Helene teve seus benefícios bloqueados e quase ficou sem ter o que comer, se dirigiu ao chefe do Partido Nazista em Frankfurt, Gauleiter Springer. Gauleiter era conhecido por seus métodos de carniceiro e por ser extremamente desumano. Mas, de uma maneira inexplicável, foi permitido novamente o recebimento da pensão para Helene. Ele explicou que uma família, os Scheneider, havia dado apoio a Springer e sua família quando sua casa foi bombardeada. Por "coincidência", os Schneider também eram adventistas. O que Helene não esperava, era que o homem que ela pensava ser Gauleiter, na verdade era alguém que o estava substituindo somente naquela dia, pois Gauleiter nunca havia faltado ao seu posto.

Um retorno e uma filha 
Em 1943, Franz fez um pequeno retorno à Frankfurt, que não duraria muito tempo. Ele reviu seus familiares e seus filhos. Daquele reencontro, nasceria uma nova criança: Susi, a pequenina sobrevivente da guerra. Frankfurt sofreu pesados bombardeios nos anos finais da guerra, mas nem o frágil bebê, nem as crianças, nem Helene sofreram qualquer tipo de dano por conta das bombas. O bloco de prédios onde eles moravam foi um dos únicos locais não destruídos pelas bombas dos Aliados. 

Manias ou fidelidade?
http://ecx.images-amazon.com/images/I/91t9rZg-4hL._SL1500_.jpg
Capa do livro em versão polonesa, contando
a fantástica história de Hasel.
Durante a guerra, Hasel não permitiu que as terríveis circunstâncias o fizessem deixar de cumprir com suas doutrinas e com suas obrigações religiosas. Os soldados alemães recebiam cada vez menos suprimento, e, do pouco que recebiam, a principal parte eram derivados de porco. Franz não podia comer carne de porco, por conta de seus princípios (o que muitas vezes o fez ser confundido com um judeu). Com a ajuda de um amigo cozinheiro, Willi,  ele conseguiu se virar, arranjando outras coisas para comer, como porções extra de pão e leite. Era incrível como, em meio a tanta escassez, Franz nunca tivesse ficado sem ter o que comer. Franz foi promovido a um posto maior, e teria direito de escolher qualquer arma que quisesse. Entretanto, ele jogou fora sua pistola e, no lugar, fez um simulacro de madeira, parecido com sua pistola antiga. Essa foi a única "arma" de Franz durante grande parte de sua estadia na guerra. Ele era um ótimo atirador, considerado o melhor de seu pelotão, mas jamais realizou um disparo sequer contra seus inimigos. 

Ajudando amigos e "inimigos"
Enquanto Hasel serviu no campo de batalha, ajudou diversas pessoas. Não raramente, quando sabia que a SS (a elite militar nazista mais fanática) iria executar um extermínio em determinado lugar, ele conseguia, secretamente, avisar os habitantes para que pudessem fugir. Ao realizar missões em locais onde haviam campos de prisioneiros, Hasel também dava comida a eles. É importante lembrar que ajudar prisioneiros ou inimigos, mesmo que apenas dando comida além daquela que era oficialmente distribuída, ou mesmo tratar de ferimentos, era um ato de alta traição passível de ser punido com a morte. Hasel não pode ser considerado um traidor: por diversas vezes ele conseguiu salvar vários de seus companheiros alemães. Em uma das ocasiões, Hasel ajudou um judeu que havia sido alvejado, mas havia sobrevivido, quando seu tenente, Gutschalk, matou-o na sua frente e ameaçou Hasel.
Hasel salvou o batalhão inteiro de um ataque de tanques russos, avisando-os a tempo de fugir e levando-os a um lugar seguro; queimou documentos secretos que estava sob sua responsabilidade e confiança e nunca entregou informações ao inimigos. Por esses e vários outros motivos, não podemos considerá-lo um traidor.

http://www.cpbeducacional.com.br/wp-content/uploads/sites/2/2014/09/MIL-CAIRAO.jpg
Capa do livro "Mil cairão ao teu lado", versão em Português
da vida de Hasel e sua família, contada por sua filha mais nova,
Susi.
O fim da guerra e o retorno
Ao final da guerra, em 1945, quando o sonho nazista havia acabado, Hasel retornou à Frankfurt em esperança de encontrar sua família. Da unidade dele, composta de 1200 homens, apenas 7 soldados sobreviveram. Desses sete, três não sofreram nenhum ferimento de guerra, e Hasel era um deles. As tropas aliadas faziam a rendição e a vistoria das diversas tropas alemãs desmobilizadas. Aqueles que eram identificados como membros da SS eram automaticamente detidos. Aqueles que tivessem crimes denunciados também eram aprisionados. Erich, o sargento de Hasel, foi o responsável pela rendição da unidade de Pioneiros. Erich, Hasel, Karl e Willi (amigos de Hasel) não tiveram qualquer problema e foram reorientados para sua liberdade.

Lutar sem ferir
Hasel foi um homem valente que não se rendeu ao poder das massas, nem deixou sua mente sequestrar-se pelo discurso cativante nazista. Sua mulher foi igualmente valente: mesmo com o medo e o risco de perder o sustento dela e de seus filhos, ela jamais se submeteu ao Partido Nazista nem cedeu às chantagens de seus partidários. Durante a Segunda Guerra, praticamente todas as famílias tinham um membro com ferimentos de guerra, algum falecido ou uma casa bombardeada. Mas nem Hasel, com apenas uma arma de madeira, nem sua família, sofreram qualquer ferimento nem sua casa foi danificada com qualquer bombardeio. Hasel não pode ser considerado um traidor: foi fiel aos seus irmãos alemães, mas não a um partido ou uma ideologia do governo; lutou ajudando os mais necessitados e seguiu seus princípios mesmo quando parecia ilógico segui-los.

Hasel, depois da guerra, atuou como missionário,
até sua morte, aos 92 anos.
A família é tudo
Franz trabalhou como missionário até aos 92 anos de idade, quando veio a falecer. Ele leu a Bíblia 89 vezes durante sua vida. Helene, sua esposa, morreu aos 82 anos com artrite reumatoide. Durante os últimos 20 anos de sua vida, ela escreveu mais de 2000 poemas. Sobre os filhos do casal: Kurt tornou-se pastor e horticultor, casou-se com Berbel e teve três filhos com ela (Jutta, Bettina e Frank); Lotte casou com um militar norte americano, William, e foi morar nos EUA, e tiveram dois filhos, Tedd e Susan; Gerhard tornou-se professor universitário nos EUA, e escreveu mais de 300 artigos acadêmicos, especializado em História Antiga, morreu em 1994, num acidente de carro, deixou três filhos com sua esposa Hilde (Melissa, Marçema e Michael); Susi, a filha mais nova, casou-se com Bill e concluiu um mestrado em Psicologia Clínica, e teve dois filhos, Marcus e Rico.
Elizabeth Feodorovna, grã-duquesa de Hess e Rhine
Inúmeras mulheres constituem aquilo que podemos considerar como "tesouros", tanto para a História quanto para a própria vida. Muitas delas exerceram grande influência política, econômica, religiosa e cultural. Uma destas grandes mulheres foi a grã duquesa Elizabeth Feodorovna, uma mulher que, posteriormente, devotou sua vida ao cuidado dos mais necessitados.

Infância
Elizabeth Feodorovna veio de uma linhagem aristocrática. Filha do grão-duque Louis IV de Hesse e da princesa Alice do Reino Unido, nascida em  1 de Novembro de 1864 em Bessungen,Darmstadt, na província de Hesse, no Império Alemão, ela viveu sua infância como neta da famosa rainha Vitória do Reino Unido. Vitória tinha tantos netos e netas e parentes correlatos pela Europa afora que foi apelidada de "avó da Europa". Sua mãe lhe deu este nome de batismo após visitar um santuário da Santa Elizabeth da Hungria, uma das ancestrais da casa dos Hesse em Marbugr. Como tornou-se devota da santa, decidiu homenageá-la batizando sua filha com este nome.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fc/The_Hessian_family_in_1876.jpg
A família de Elizabeth, da Casa dos Hesse. Ela era a filha mais velha.

Ancestralidade aristocrática
A mãe de Elizabeth veio de uma das mais antigas e nobres casas da Alemanha. Entretanto, Elizabeth viveu uma infância considerada modesta pelos padrões da realeza. Por exemplo: desde cedo, ela e as outras crianças costumavam limpar e arrumar seus próprios quartos, limpar o chão e as escadas. Durante a guerra Austro-Prussiana, Elizabeth, ainda pequena, visitava feridos de guerra junto com sua mãe. Elizabeth, apesar de alemã, cresceu cercada de costumes britânicos, sendo sua mãe neta da rainha Vitória. Sua primeira língua foi o Inglês. A própria Elizabeth disse, mais tarde, que ela e seus irmãos falavam Inglês com sua mãe e Alemão com seu pai.

http://25.media.tumblr.com/tumblr_m7ki7zavaG1rstzylo1_500.jpgPerdas familiares
Uma epidemia de difteria se alastrou na família de Elizabeth. Ela chegou a perder sua irmã mais nova, Marie, em 16 de Novembro de 1878. Sua mãe, Alice, também morreu no mesmo ano, em 14 de Dezembro. Elizabeth foi então enviada para a casa de seus avós paternos, para preservar sua saúde. Ela foi a única de sua família que permaneceu livre da difteria. No fim da epidemia, ela retornou para sua casa, e descreveu a experiência como uma sensação terrivelmente triste, como se tudo fosse apenas um "sonho horrível".

Beleza admirável
Dona de uma personalidade cativante e de uma grande inteligência, Elizabeth é descrita por muitos historiadores como a mulher "mais bonita da Europa" em sua época. Ela conquistou o coração de vários dos homens mais poderosos de sua época. Um deles foi o Imperador alemão William II, que se tornou apaixonado por ela e chegou a escrever diversas cartas e poemas para Elizabeth. Ela educadamente recusou suas tentativas, e, em consequência disso, William interrompeu seus estudos e voltou para a Prússia. Lord Charles Montagu, Henry Wilson e Frederick II foram outros de vários de seus admiradores declarados e secretos. Seu cunhado, o grão-duque Konstantin Konstantinovich escreveu-lhe um poema registrando a admiração do povo na chegada de Elizabeth, em sua primeira visita à Rússia. O príncipe Felix Yussupov a considerou como sua "segunda mãe", por tê-lo ajudado durante os momentos mais difíceis de sua vida. O embaixador francês na Rússia, Maurice Paleologue, escreveu em suas memórias que Elizabeth era capaz de provocar "paixões profanas".

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/42/Sergei_and_his_wife.jpg
Elizabeth e seu marido, Sergei Alexandrovich.
Paixão e amor
De todos os grandes homens que se apaixonaram por Elizabeth, ela se apaixonou apenas por um: Sergei, filho da imperatriz Maria Alexandrovna da Rússia. Sergei, um jovem sério e extremamente religioso, muito culto, conquistou o coração da jovem monarca. Após a morte dos pais de Sergei, Elizabeth começou a enxergá-lo de forma diferente, tendo mais apreço pelo jovem príncipe. Elizabeth se identificou com seu amado: ambos perderam seus pais cedo, ambos eram bem religiosos, artistas e intelectuais. Os mesmos problemas, as mesmas forças. Entretanto, apesar dessa atração mútua, Elizabeth recusou o primeiro pedido de casamento de Sergei. Só na segunda ocasião ela disse "sim", e os dois se casaram em 15 de Junho de 1884, na capela do Palácio de Inverno, em São Petersburgo. Ela tornou-se então grã-duquesa e recebeu o sobrenome Feodorovna. Elizabeth causou uma grande e positiva impressão na família de seu marido. Isso pode significar muita coisa, já que russos não gostam de qualquer pessoa sem uma boa razão. O casal foi morar no palácio de Beloselsky-Belozersky.

Vida familiar
 Sergei tornou-se governador general de Moscou, apontado por seu irmão mais velho, o tzar Alexander III. Agora, o casal estava morando em um dos palácios do Kremlin. Elizabeth e Sergei nunca chegaram a ter filhos, mas organizavam festas para diversas crianças. O casal ajudou a cuidar também do pequeno grão duque Dmitri Pavlovich e da pequena grã duquesa Maria Pavlovna, sobrinhos de Sergei. Elizabeth era originalmente adepta do luteranismo, e nunca lhe foi exigido converter-se à religião ortodoxa russa. Mas, voluntariamente, ela se converteu em 1891. No casamento de Nicolau II, o último czar da Rússia, com sua irmã mais nova Alix, ela foi instrumentista. Assim como sua irmã, Alix apenas aceitou a proposta de casamento de Nicolau quando ele a fez pela segunda vez.
Elizabeth e Sergei.

Parda e dor
As ações políticas de Sergei não foram tão românticas. O grão duque expulsou aproximadamente 20.000 judeus de Moscou, dando seguimento à política anti semita dos tzares russos. Em 18 de Novembro de 1905, Sergei foi assassinado por um revolucionário socialista chamado Ivan Kalyavey. Elizabeth tornou-se profundamente triste e melancólica com a perda de seu marido.

Perdão e devoção
Elizabeth teria todos os motivos para condenar o assassino de seu marido. Mas sua atitude surpreendeu a todos: ela não só perdoou publicamente a Kalayavey como inscreveu na lápide de seu marido os dizeres "PAI, PERDOAI-LHES, POIS NÃO SABEM O QUE FAZEM". Elizabeth nunca mais se casou, e devotou sua vida ao serviço para os mais necessitados. Ela tornou-se vegetariana e passou a vestir roupas simples. Em 1909, ela vendeu suas jóias e suas propriedades luxuosas, incluindo seu anel de casamento, e com o dinheiro fundou o convento de Santa Marta e Santa Maria. Ela também fundou um hospital, uma capela, uma farmácia popular e um orfanato. Elizabeth e suas freiras trabalharam intensamente com os necessitados de Moscou.

Prisão
Em 1917 a Revolução Bolchevique, bem sucedida, depõe a última família imperial da Rússia. Muitos membros da realeza são mortos, outros são presos e mantidos sob custódia. No ano de 1918, Vladimir Lênin ordenou à Cheka ("Comissão de Emergência Soviética", uma espécie de polícia especial comunista) que prendesse Elizabeth e outros membros da família real. Ela foi levada juntamente com o grão-duque Sergei Mikhailovich Romanov, a princesa Ioann Konstantinovich, Konstantin Konstantinovich, Vladimir Pavlovich, Igor Konstantinovich, Feodor Rmez e Varvara Yakovleva (uma das irmãs do convento fundado por Elizabeth).  Eles foram levados para a cidade de Alapaevsk em 20 de Maio de 1918, mantidos em prisão na escola de Napolnaya. No dia 17 de Julho do mesmo ano, alguns oficiais da Cheka e outros comunistas roubaram o que restava dos objetos pessoais dos prisioneiros. Naquela mesma noite, anunciaram aos cativos que eles seriam transferidos à fábrica de Siniachikhensky. Os guardas do Exército Vermelho foram substituídos por oficiais da Cheka para "cuidar" dos prisioneiros.

Elizabeth, vestida como freira. Após a morte do marido, ela dedicou
o resto de sua vida aos mais necessitados.
Morte e Martírio
Naquela mesma noite, Elizabeth e os outros prisioneiros foram acordados e levados para o vilarejo de Siniachikha, em carros, rumo a uma mina abandonada de aproximadamente 20 metros de profundidade. Elizabeth e os demais prisioneiros foram retirados dos veículos, e, após serem espancados, foram jogados mina abaixo. Os soldados lançaram uma granada no buraco, e apenas Feodor Remez morreu na explosão. Depois, jogaram mais granadas, mas apenas ouviam os prisioneiros cantando um hino ortodoxo. Os executores, liderados por Vassili Ryabov, desistiram de matar os prisioneiros, apenas escondendo a entrada da mina com galhos e deixando guardas no lugar. Elizabeth provavelmente morreu dias depois, por conta dos ferimentos das explosões, junto com os outros presos. A data de sua mote é inexata. Em 18 de Julho de 1918, Abramov, um dos líderes da Cheka, fez um comunicado oficial com telegramas dizendo que "a escola de Napolnaya havia sido atacada por gangues não identificadas", e que os prisioneiros teriam sido mortos por conta desse ataque. Elizabeth foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa Fora da Rússia, em reconhecimento por sua vida de devoção. Podemos considerá-la como uma aristocrata de espírito humilde, uma mulher devotada à família e aos mais necessitados. Elizabeth é uma das vítimas da triste e obscura parte da Revolução Socialista de 1917 e a figura da união da nobreza europeia em uma só pessoa. Elizabeth foi um pouco da Alemanha e da Inglaterra dentro da Rússia.






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